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Marvel eleva garras de Wolverine a nível divino e DC conserta furo na origem do Superman

Claudio Yuge
11 abr 2026 às 23:32

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Marvel Comics e DC Comics
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Se você é do tipo que gasta horas debatendo cronologia em fóruns ou analisando a densidade dos metais fictícios e outras virgindades, a semana foi um prato cheio. Em movimentos simultâneos, a Marvel Comics e a DC Comics decidiram mexer em dois dos pilares icônicos de suas mitologias: o metal Adamantium que cobre o esqueleto e as garras do Wolverine e os detalhes sobre a chegada de Kal-El à Terra.


Vale comentar que tanto a Marvel e a DC aprenderam com a "fadiga dos heróis" nos quadrinhos — sim, aconteceu nos anos 1990, bem antes que nos cinemas — a solução para mantê-los relevantes depois de muitas décadas de histórias contínuas. 

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A solução que vem sendo aplicada desde o final dos anos 2000 é a constante revisão de hierarquia e eventos que resultam em consequências dinâmicas, mantendo um fluxo de história que realmente nos dá a sensação de uma continuidade amadurecendo e desenvolvendo as jornadas dos personagens. O equilíbrio está em atualizar mas sempre manter o núcleo que os define.


Desta vez rolou uma demonstração de força bruta que quebra hierarquias de poder e alinha um ajuste fino em um "furo" de roteiro que vinha perturbando os nerdolas mais chatos desde a Era de Ouro dos Quadrinhos — quase 90 anos.


Mark Waid resolve marmelada na origem do Superman


Vamos começar pela "arrumação de casa" na DC. Em Action Comics #1097, lançado recentemente, o roteirista Mark Waid — que é praticamente o historiador oficial do Universo DC — decidiu finalmente endereçar uma questão de logística aeroespacial: como uma nave vinda de Krypton caiu no Kansas sem disparar todos os alarmes do governo americano?


Para contextualizar, quando Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o Homem de Aço em 1938, o conceito de radar era incipiente. Mas, com os sucessivos reboots da editora, a queda em Smallville foi empurrada para a era moderna, quando o NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) monitora até pensamento de passarinho.


DC Comics


A solução de Waid foi elegante: em uma viagem ao passado, Martha Kent revela que a nave possuía uma tecnologia de camuflagem ativa (cloaking). É o tipo de explicação que não muda a história para o leitor casual, mas que delicia o fã hardcore ao validar que a tecnologia de Krypton era, de fato, invisível aos olhos humanos da época.


Wolverine e o "upgrade" que desafia o Olimpo


Enquanto a DC usava a sutileza, a Marvel escolheu a violência. Em Wolverine #18, lançado recentemente, de Saladin Ahmed e Martín Cóccolo, vimos Logan em um embate físico contra Hércules, que estava sob influência do Adamantine — o metal místico dos deuses.


Aqui entra a análise técnica: a Maça Dourada de Hércules sempre foi o equivalente grego ao Mjölnir de Thor em termos de durabilidade. Pois bem, Logan não apenas resistiu ao impacto, como estilhaçou a arma divina com suas garras de Adamantium.


Assim, o Adamantium acaba de ser oficializado como superior ao metal dos deuses olímpicos.  Destruir um artefato que bate de frente com o martelo de Thor coloca o poder de corte de Logan em um patamar cósmico.


Marvel Comics


O jogo editorial por trás das páginas


Como nada nos quadrinhos é por acaso, esses dois eventos servem a propósitos narrativos distintos. A DC está em uma fase de "limpeza", tentando dar verossimilhança ao seu universo principal para que ele não pareça datado diante das novas gerações.


Já a Marvel está usando a "Lei de Murphy" com o Wolverine. Ao elevar as garras do mutante ao seu nível mais letal de todos os tempos, a editora está apenas preparando o terreno para o trauma que virá em junho, no arco em que Logan deve perder o metal e ter suas garras de osso destruídas. É o velho truque de colocar o herói no topo da montanha só para a queda ser mais dolorosa.


No fim das contas, seja consertando radares dos anos 1950 ou quebrando maças divinas, as Big Two provam que, mesmo após quase um século, ainda há espaço para surpreender quem acha que já leu de tudo.


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