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Youtuber de Londrina volta a ser criticado por 'adultização de crianças' na internet

11 jan 2026 às 15:23

O youtuber de Londrina Táspio voltou a ser alvo de críticas nas redes sociais após a repercussão de vídeos antigos do seu canal, apontados por internautas como casos de adultização infantil. As críticas ganharam força depois da circulação de um vídeo no Instagram que reúne trechos de conteúdos produzidos anteriormente com a participação de crianças em situações consideradas inadequadas.


A publicação, que já ultrapassa 8 milhões de visualizações e soma cerca de 460 mil curtidas, expõe cenas em que menores de idade aparecem envolvidos em roteiros de cunho romântico, com falas sobre relacionamentos, beijos e disputas virtuais para decidir com quem os personagens infantis deveriam se relacionar. Em um dos quadros, o próprio influenciador incentiva o público a comentar ou se inscrever no canal para “escolher” com qual menina um menino deveria ficar.


"Então, fica com ela. Beija de língua ela. Beija ela [SIC]! Não é melhor você fazer isso? Acho que é melhor, né?", disse uma criança em um dos vídeos. O menino com quem ela discutia, também menor de idade, respondeu. "Eu não tenho compromisso com ninguém. Por que você está vindo me cobrar?". "Porque o Táspio me chamou", afirmou a menina.


Em outro vídeo, os dois menores de idade protagonizaram outra discussão adultizada. "Me dá um beijo?", disse a menina. "Mano, óbvio que não. Eu tô com a sua irmã", respondeu o menor. "Ah, mas você é safado. Você é cachorro, meu", questionou novamente a menina.


O canal de Táspio no YouTube chegou a ser retirado do ar em agosto de 2025, após solicitação do MPPR (Ministério Público do Paraná). A página voltou a funcionar em novembro do mesmo ano, mas, desde então, não apresenta mais vídeos com a participação de crianças. A reportagem verificou que todos os conteúdos antigos envolvendo menores de idade foram removidos da plataforma.


Em declarações que circulam nas redes sociais, Táspio afirmou que o canal não teria sido retirado do ar por adultização infantil ou por polêmicas. Ainda assim, em outro trecho, o influenciador mencionou a possibilidade de deixar o Brasil caso não pudesse retomar o formato antigo dos vídeos. Segundo ele, a mudança ocorreria por conta da legislação brasileira, alegando que em outros países seria permitido gravar conteúdos com menores de idade.


"A gente vai orar muito e eles vão ajustar essas leis para voltarmos com o canal. Caso não dê certo, a gente vai se mudar para Portugal, morar lá e começar do zero. Lá são outras leis, outro mundo, outra coisa. Aí voltaríamos ao normal, porque essa é uma lei do Brasil. Nos outros países é possível gravar com menores de idade, mas, se Deus quiser, vai dar certo, gente. A gente vai voltar mais forte", disse Táspio em uma live no TikTok.


A repercussão da denúncia mobilizou diversas figuras públicas. A atriz Maísa Silva comentou: “Que absurdo é esse?”. O cantor Ferrugem classificou os vídeos como algo que “embrulha o estômago”, enquanto a cantora Paula Lima questionou a atuação das leis. Também houve diversas marcações ao influenciador Felca, conhecido por denúncias envolvendo a exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.


Nos comentários, internautas demonstraram indignação e preocupação. Alguns questionaram a fala do youtuber sobre deixar o país, enquanto outros criticaram a contratação de Táspio por grandes influenciadores, apontando que, para parte do meio digital, “tudo segue normal”.


A reportagem entrou em contato com Táspio para solicitar posicionamento sobre as novas críticas e a repercussão dos vídeos, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.


O MPPR também foi procurado. De acordo com o órgão, a reativação do canal do youtuber decorre de ação judicial por ele ajuizada perante a Vara Cível da Comarca de Londrina. A medida judicial vigente na Vara da Infância e Juventude impede a participação de crianças e adolescentes sem a devida e prévia autorização judicial. Dessa forma, segundo o MPPR, a publicação de vídeos sem a participação de menores de idade não constitui violação à ordem judicial.


CONFIRA ABAIXO O VÍDEO QUE VIRALIZOU CONTRA TÁSPIO


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