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Ministério Etrom: quem é a andarilha que já passou por Maringá e ofende gays, negros e gordos

18 jan 2026 às 15:55

A andarilha Lusimar Augustinho da Silva, conhecida nacionalmente nas redes sociais como a “Menina do Ministério Etrom”, é uma mulher em situação de rua que viralizou por publicar vídeos em que persegue e ofende verbalmente pessoas em vias públicas, misturando discursos religiosos desconexos com acusações conspiratórias. Ela, que recebe doações de fãs via PIX, viaja por todo o país e já publicou vídeos em Maringá (Noroeste) e Guarapuava (Centro-Sul).


A origem do nome está no termo Etrom, ou “morte” escrito ao contrário, que ela própria usa para denominar a sua suposta igreja ou ministério e que alimenta as narrativas que compartilha nas redes. Apesar de ganhar milhares de seguidores a cada publicação, suas falas são marcadas por discursos racistas, gordofóbicos e homofóbicos. 


O valor que arrecada via PIX é o que financia as suas viagens pelo país. Nas gravações que rodam pela internet, há registros de pessoas que se dizem fãs dela, levando notas de dinheiro e presentes. A conta de Lusimar no Instagram, onde ela acumulava 83 mil seguidores, está inativa. 


Passagem pelo Paraná


Ao longo dos últimos anos, Lusimar já foi vista em diversas cidades brasileiras. Vídeos publicados por ela e outros usuários nas redes sociais mostram a “Menina do Ministério Etrom” circulando e gravando em diferentes estados e municípios, incluindo Guarapuava e Maringá, esta última visitada por ela em julho de 2024.


"Dez de julho de 2024 em Maringá e o idiota, que tem 18 anos e não presta. Um assassino de brasileiro, com aquele estilo de adolescentes de Foz. Vai morrer, morre! Ladrão, assassino de brasileiro. Rede Globo, a verdade! Criminosos", disse Lusimar para dois jovens do município do Noroeste paranaense. Um dos insultados por ela gravou a situação e expôs na sua conta do TikTok. O vídeo conta com 1,2 milhão de visualizações e 108 mil curtidas. (VEJA NO FIM DA MATÉRIA OS VÍDEOS)


Ela esteve em Guarapuava no mês seguinte, onde passou por diversos espaços públicos da cidade, sempre ofendendo quem estava próximo.


"Eu, a Menina, já estou na cidade de Guarapuava. Você vai ser castigada até a morte, lixo! Guarapuava, hoje é dia 20 de agosto de 2024, e aqui um menino gordo, barrigudo", disse, dirigindo-se a uma criança que andava de bicicleta pelas ruas do município. "Vinte de agosto de 2024. Esse tem 24 anos e é criminoso. Ladrão! Vai trabalhar, ladrão. Criminoso", afirmou, ofendendo outro jovem. 


Nos vídeos que costuma publicar, ela aborda estranhos na rua, profere ofensas e acusações aleatórias, chamando pessoas de demônios ou “saymonistas”, termo que teria cunhado para se referir a supostas forças que a perseguem. O tom e as ameaças são intensificados quando os abordados a gravam de volta, o que causa até mesmo agressões.


Detenção após perseguição à primeira-dama do DF


Em março de 2024, Lusimar foi detida pela Polícia Civil do Distrito Federal após gravar um vídeo em frente ao Palácio do Buriti, residência oficial do governo do DF, em que ameaçava a primeira-dama Mayara Noronha Rocha, esposa de Ibaneis Rocha (MDB), simplesmente por não permitir que fosse seguida por ela nas redes sociais. No vídeo, Lusimar afirma que ela e sua “equipe” iriam impor “castigos mais intensos” à primeira-dama, o que configurou um caso de stalking. As informações são do jornal Correio Braziliense.


A mulher foi conduzida à Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, teve seu celular apreendido para perícia e foi liberada após assinar um termo de comparecimento à Justiça.


Histórico de processos e acusações


Uma reportagem do Portal Metrópoles detalhou o histórico de comportamentos extremos e confrontos com a lei ao longo de quase uma década de viagens da andarilha. Lusimar responde a processos por racismo, ameaça e difamação em diversos estados, incluindo Goiás, São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. As acusações vão desde injúria racial contra um segurança em um shopping até acusações falsas contra um manobrista e perseguições a estudantes em escolas militares. 


Diversos boletins de ocorrência foram registrados, e promotores chegaram a oferecer denúncia contra ela por racismo, destacando a repetição de ofensas contra negros e homossexuais em publicações e vídeos. 


Vulnerabilidade


A reportagem também desvenda mistérios sobre a origem da Menina. Natural de Montes Claros (GO), Lusimar perdeu os pais ainda criança e foi criada pelos avós. Relatos apontam que ela fugiu de um hospital psiquiátrico em 2007 e, nos anos seguintes, começou a produzir textos e vídeos com conteúdo cada vez mais desconexo, sugerindo sofrimento mental. Seus familiares, segundo reportagem, tentaram interná-la sem sucesso. 


CONFIRA A SEGUIR OS VÍDEOS:

@otaryk Respondendo a @iamnotreal ELA ME POSTOU KAKAKKAKAKA #etrom #ministerioetrom #lusimar ♬ som original - Táryk Rocha
@otaryk Respondendo a @NOTILAW o reecontro da verdade brasil, aguardando pelo ponto de vista dela kkkkkk #ministerioetrom #maringa #saymonista #lusimar ♬ som original - Táryk Rocha

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