O convite para a sexta edição do festival circulasons, em Londrina, é, antes de tudo, um exercício de percepção. Com o tema "Escuta! Música e Ecologia Sonora", o evento deste ano propõe que o público abandone a audição passiva para experimentar novas formas de ouvir o mundo. As inscrições já estão abertas para duas oficinas gratuitas que ocupam a Divisão de Artes Cênicas da UEL em maio, trazendo nomes de peso da pesquisa e da música brasileira para mediar esse mergulho sensorial.
A primeira parada dessa jornada acontece nos dias 4 e 5 de maio com a oficina "Caminhos para Alcançar a Música Indígena no Brasil". Sob o comando de Marlui Miranda e Magda Pucci — referências incontestáveis na etnomusicologia nacional —, a atividade vai além da técnica musical, funcionando como uma imersão nos cantos e danças de diversas etnias originárias. É uma oportunidade rara de contato direto com a riqueza das tradições indígenas, voltada tanto para profissionais da educação e música quanto para interessados em geral na cultura brasileira.
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Logo em seguida, nos dias 6 e 7 de maio, a proposta muda de cenário para focar na paisagem urbana com Valéria Bonafé na oficina "Des-habitar escutas". O trabalho parte de uma experiência na Cracolândia para questionar como nossos hábitos e preconceitos silenciam certas vozes e afetos nas grandes cidades. A ideia é romper com o estigma sonoro e aprender a ouvir as histórias que o asfalto e os corpos urbanos tentam contar, mas que muitas vezes ignoramos no cotidiano acelerado.
Como participar?
O festival circulasons acontece entre os dias 1 e 10 de maio, sendo fruto da idealização e curadoria de Janete El Haouli com coordenação de Fabrício Polido. Para garantir uma vaga nas oficinas, os interessados devem realizar a inscrição pela plataforma Sympla. Ambas as atividades ocorrem das 14h às 18h e representam o cerne pedagógico do festival, que conta com o patrocínio da Prefeitura de Londrina e de diversas empresas da região.
Este ciclo de oficinas é apenas uma parte de uma rede maior de apoio que envolve instituições como a Casa de Cultura da UEL e o Sesc Cadeião Cultural. Ao focar na ecologia sonora, o festival não apenas celebra a música, mas provoca uma reflexão necessária sobre como o nosso ambiente — seja ele a floresta ou a metrópole — reverbera em nós e como escolhemos escutar essas frequências.
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