O humorista Rafinha Bastos não perdeu a chance de tripudiar a informação confirmada nesta quarta-feira (9) de que o CQC não estará na grade de programação da Band em 2016.
Em seu perfil no Facebook, ele publicou uma carta, parodiando o documento entregue pelo vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff.
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Bastos ficou mais de quatro anos na bancada da atração, comandou quadros como o "Proteste Já", mas saiu pela porta dos fundos, depois de ser processado por uma piada sobre o filho de Wanessa Camargo.
No início deste ano, chegou a ser convidado para voltar à bancada do programa com a chegada de Dan Stulbach, mas não chegou a um acordo com a emissora.
Confira a íntegra da carta:
"São Paulo 9 de dezembro de 2015
Senhor CQC,
Ad finalis progamis est
Esta carta é pessoal. Só estou colocando no meu twitter, Facebook, Google+, Snapchat, Orkut e LinkedIn porque tenho preguiça de ir ao correio. Para falar a verdade nem sei se ainda aceitam cartas por lá.
Minha lealdade institucional é pautada pelo artigo 32 do código civil da brodagem.
Tenho muito orgulho da minha história, mas sempre senti a desconfiança do CQC para comigo.
Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.
1- Estive do seu lado durante 4 anos e meio e sempre me senti como mera figura decorativa. Ficava do lado direito da bancada, um lado nitidamente inferior. Veja o passado recente do Brasil. O lado direito sempre foi marginalizado. Que grandes pontas-direita tivemos em nosso futebol? O maior nome foi o Cafu que nem ponta era.
2- Sempre quis ter uma atuação mais presente, mas você só precisou de mim para as piadas que os outros não tinham coragem de fazer. Quando a chapa esquentou para o seu lado, você olhou para mim e bradou aos quatro ventos: "Nem conheço este psicopata!".
3- Quando o programa teve problemas políticos com Ronaldo e sua bancada, eu me dispus a usar a minha habilidade humorística para caçoar da situação. Vocês pediram que eu ficasse quieto e não me metesse no assunto (eu fiz piada mesmo assim, mas isso não vem ao caso).
4- Eu me ofereci inúmeras vezes para ajudar o colega Marco Luque com suas dificuldades cotidianas que incluíam amarrar os sapatos, dicção de vocábulos simples e desafios básicos de coordenação motora. Você simplesmente me ignorou.
5- Ano passado, fui chamado pra reintegrar o programa. Levemente contrariado, aceitei o convite, afinal, senti o desespero nos olhos da emissora (a situação parecia desesperadora). Você mudou de ideia na última hora e eu fiquei com aquela cara de imbecil sozinho no altar num filme B da Sessão da Tarde (no fim confesso que dei graças a Deus).
Finalmente o programa caiu.
Passados estes momentos críticos, tenho certeza de que a Band terá tranquilidade para crescer e consolidar as conquistas sociais.
Finalmente, sei que o senhor não tem confiança em mim e no PMDB, digo, no humor, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção.
Respeitosamente,
R BASTOS"