Se você é do tipo que ainda tenta encontrar uma explicação científica ou tecnológica para o fato de ninguém em Metrópolis reconhecer o Superman sob um par de aros de tartaruga, a DC Comics acaba de dar o veredito. E, para a tristeza de quem prefere soluções "sci-fi" mirabolantes, a resposta é muito mais humana: Clark Kent é, essencialmente, um mestre da atuação.
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Em Action Comics #1097, lançada recentemente, a editora aproveitou uma viagem no tempo de Mary Marvel aos anos de formação do herói para colocar um prego no caixão da infame teoria dos "Óculos Hipnóticos".
Para quem não se lembra, o debate ganhou fôlego extra no ano passado. O diretor James Gunn, durante a pré-produção de seu novo filme do Superman, citou que o roteirista Tom King o havia lembrado dessa "lore" obscura — uma explicação da Era de Prata dos Quadrinhos que sugeria que os óculos de Clark, feitos de cristal kryptoniano, emitiam uma frequência hipnótica que impedia as pessoas de associarem sua imagem à do Superman.
Parecia a saída perfeita para o cinema, certo? Errado. Pelo menos no que depender do cânone atual das HQs, escrito pelo veterano Mark Waid.
Superman faz um esforço constante
Na trama de Waid, com arte de Skyler Patridge, o jovem Clark Kent descreve o ato de se esconder como um "reflexo" e um "hábito difícil de formar". Não há menção a engenhocas alienígenas. O que Mary Marvel observa é que Clark usa os óculos apenas como um acessório para "ofuscar o azul vívido de seus olhos", mas o peso real do disfarce está na postura, no tom de voz e no comportamento retraído.
É uma abordagem que humaniza o Superman. Em um momento de vulnerabilidade, o herói questiona Mary se terá de manter essa fachada para sempre, revelando que a pressão de "atuar" o tempo todo como um humano comum é, talvez, o seu maior desafio.
Ao contrário dos óculos hipnóticos, que fazem o trabalho sozinhos, a atuação exige esforço contínuo. Isso reforça a ideia de que o Superman é um super-herói em tudo o que faz, inclusive na capacidade sobre-humana de se camuflar através da linguagem corporal.
Por enquanto, esqueça a hipnose. Se você não reconhece o Superman quando ele coloca os óculos, não é porque você está sendo manipulado por tecnologia alienígena — é porque Clark Kent é bom demais no que faz. O Homem de Aço continua sendo, acima de tudo, o maior ator que o Planeta Diário já viu.
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