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Até o final de setembro

Exposição traz bastidores do ateliê de Tomie Ohtake

Agência Brasil
11 ago 2013 às 10:47

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Difícil para um cidadão comum urbano, com pressa de ir e vir, enxergar e entender como uma simples rebarba de papel pode inspirar uma obra de arte abstrata. Mas aos olhos acurados da quase centenária Tomie Ohtake, um pedaço de revista rasgado ganha forma e movimento em meio a cores vibrantes que causam encantamento.

Esse é um dos tantos exemplos de esboços que foram parar em telas da reverenciada artista plástica e que poderão ser vistos, gratuitamente, na mostra intitulada Influxo das Formas no Instituto Tomie Ohtake, na Avenida Brigadeiro Faria Lima.

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A exposição faz parte dos vários eventos comemorativos dos cem anos de Tomie, a serem completados no próximo dia 21 de novembro. A mostra, dividida em duas salas, possibilita que os visitantes conheçam tanto projetos que somam quase 200 peças quanto 30 obras acabadas.


Nela está parte da enorme quantidade de materiais e rascunhos manuseados por Tomie ao longo de seis décadas. Croquis, maquetes de esculturas e folhas de cadernos de desenho com colagens de recortes de revistas brasileiras e japonesas. Com esses picotes e o uso de cores, a artista criou em miniatura vários de seus quadros. Um dos trabalhos refere-se à experiência de fazer uma pintura em nanquim com os olhos vendados. Em outro, pode-se ver matrizes que acabaram não sendo cópias tão fiéis assim na reprodução em telas.

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O acervo foi garimpado pelos curadores Agnaldo Farias e Paulo Miyada no ateliê da artista, que começou a carreira aos 39 anos e, segundo Miyada, não tem a pretensão de ser uma retrospectiva, apesar de marcar os estilos adotados nas várias fases da evolução da artista.


Embora tenha se naturalizado brasileira e vivido mais tempo no Brasil do que em sua cidade natal, Quioto, no Japão, Tomie deixa transparecer traços de influências do comportamento asiático, com valorização de detalhes e harmonia nas linhas curvas e retilíneas. Porém, ela mescla tudo isso com um jeito peculiar de desobedecer a precisão das figuras geométricas sob conceitos típicos do modernismo ocidental.


"As obras dela são como letras de um poema ou de um conjunto de notas musicais", compara o curador Paulo Miyada. Ele observa que, ao contrário do que possa parecer, o abstracionismo tão admirado em seus trabalhos não surgiu de meras pinceladas a esmo e sim de um estudo bem planejado em torno da definição das figuras intuídas.

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Myada lembra que às vésperas de completar 100 anos, Tomie combina "uma surpreendente calma com um intenso desejo de alcançar metas". A idade avançada já impõem alguns limites físicos como o uso de cadeira de rodas. No entanto, a lucidez ainda lhe permite continuar criando. No momento, ela está empenhada em finalizar algumas obras que serão expostas até o final do ano.


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