Lorenzo Coneglian, de apenas 15 anos, tem mais algumas conquistas para colocar no seu currículo. Desta vez, ele passou em primeiro lugar no vestibular da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) de Londrina e em segundo no certame da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Conforme o Portal Bonde noticiou em 2025, ele já havia conquistado uma vaga no vestibular anterior, mas não assumiu, pois não tem o ensino médio completo.
Na UEL, Lorenzo prestou o vestibular para o curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial, o quinto mais concorrido da universidade. Foram 19 candidatos por vaga na modalidade universal, número superado somente pelos cursos de Medicina, Biomedicina, Psicologia e Ciência da Computação. Na UTFPR, ele passou em Engenharia Mecânica, o segundo curso mais concorrido no campus Londrina, com quatro candidatos por vaga.
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Hoje, o adolescente é graduando na Unifil, que lhe concedeu uma bolsa integral para o curso de Ciência da Computação. A faculdade privada não condiciona, em seu edital, o ingresso dos alunos à conclusão do ensino médio. Apesar de já estar "garantido", a jornada de vestibulares de Lorenzo continua, mesmo ele não tendo a intenção de entrar em uma universidade pública antes de concluir o ensino médio.
Para ele, ficar em primeiro lugar no vestibular da UTFPR foi uma surpresa. O adolescente conta que não conhecia profundamente a universidade até participar de uma feira de profissões em setembro, após ser incentivado por uma professora da sala de recursos do NAAHS (Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação). Devido ao ótimo desempenho, ele foi convidado a conhecer o campus e se reunir com o diretor-geral na última quarta-feira (21) para comemorar a aprovação.
Na UEL, a situação segue a mesma do ano passado. Lorenzo não assumiu a vaga conquistada anteriormente em Ciência da Computação, mas voltou a prestar o vestibular. Ele segue estudando na UniFil, onde diz estar muito feliz. Segundo o estudante, a instituição abriu portas importantes, que têm sido fundamentais para o seu desenvolvimento.
"Pretendo continuar e sou muito grato à oportunidade que eles me deram. Já concluí o primeiro ano com êxito. Eu gosto muito dos professores e das aulas de lá e fiz novas amizades", afirma o menino.
Olimpíada de Matemática
Outro destaque recente foi a medalha de ouro na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), resultado que colocou Lorenzo em primeiro lugar no Brasil, empatado com outros 28 estudantes, e como primeiro geral do Paraná. Ele afirma que “a ficha ainda não caiu”, principalmente pelo alcance da competição, que reuniu cerca de 19 milhões de participantes de todo o país.
A conquista, segundo ele, foi motivada pelo desejo de voltar à premiação nacional, experiência que já havia vivenciado em 2023. Em junho, Lorenzo estará no Rio de Janeiro para a premiação nacional da OBMEP. Ele destaca a expectativa de reencontrar estudantes de todo o Brasil que têm os mesmos interesses, participar de palestras, eventos e ter contato com nomes importantes da matemática brasileira.
"Desde que estive na minha primeira premiação nacional em 2023, sempre quis ganhar outra medalha para poder ter a oportunidade de voltar a participar dessa premiação. Não tenho uma rotina de estudos muito rígida, mas tento ampliar meus conhecimentos participando de diferentes experiências, como o clube do livro e a oficina de redação que eu fiz esse ano, além de pesquisas na internet sobre assuntos que eu me interesso", diz Lorenzo.
Seleção de talentos da FGV
Neste domingo (25), o adolescente embarcou para a seleção de talentos da FGV (Fundação Getúlio Vargas). A participação veio após ser indicado por uma professora da UEL, que foi sua coordenadora no PIC Jr (Programa de Iniciação Científica Júnior) por quatro anos. O programa, voltado a medalhistas da OBMEP, oferece bolsa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e aulas quinzenais de matemática. Na FGV, Lorenzo participará de cinco dias de palestras e atividades acadêmicas, com conteúdos que ele sempre quis aprender.
Para a família do menino, acompanhar essas conquistas é motivo de orgulho, mas também de cuidado. A mãe ressalta que o mais importante é sempre ouvir os desejos dele.
"O coração fica muito feliz e satisfeito, com a certeza de que estamos, primeiramente, escutando o que Lorenzo deseja, buscando promover os caminhos para ele alcançar os objetivos, sempre deixando claro que, se quiser parar, recuar, mudar a rota estaremos sempre juntos dando suporte. Principalmente respeitando e lembrando que ele é somente um adolescente de 15 anos e tem muito tempo pela frente para tomar decisões importantes", expressa a mãe de Lorenzo, Paula Coneglian, dizendo que o menino ficou impressionado com a estrutura da fundação, que "parece de filme americano". "Ele disse que as palestras estão borbulhando a cabeça dele."
Papel fundamental dos professores
Estudante de escola pública, Lorenzo faz questão de destacar o papel dos professores em sua trajetória. Desde os primeiros anos do ensino fundamental, participou de atividades voltadas a alunos com altas habilidades e superdotação na rede municipal e, depois, na rede estadual. Foi nesse ambiente que teve contato com as olimpíadas do conhecimento. Além disso, lembra com gratidão de professores do ensino regular que incentivaram os seus estudos.
"Tive excelentes professores no ensino regular. Uma professora, por exemplo, me doou materiais de cursinhos preparatórios de vestibular para que meus amigos e eu pudéssemos estudar e nos aprofundar nas matérias escolares", diz.