Uma equipe de 20 pessoas formada por médicos, residentes e estudantes de Medicina da UEM (Universidade Estadual de maringá) iniciou a implantação do projeto Autópsia Minimamente Invasiva no HUM (Hospital Universitário Regional de Maringá), em pacientes vitimados pela Covid-19. Ao todo foram feitas 48 autópsias. Para fazer o procedimento há necessidade do consentimento dos familiares.
A técnica consiste na coleta de tecidos dos órgãos-alvos por meio de pequenas incisões na pele com uma agulha de punção. Neste caso não há necessidade de abertura do corpo, como no procedimento convencional.
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“Essa é uma modalidade de autópsia que possibilita a oportunidade de estudar com detalhes e analisar as alterações de uma doença, como a Covid-19. Ela também ajuda a entender o óbito por diagnósticos que não foram esclarecidos em vida”, explica Ana Gabriela Strang, uma das médicas responsáveis pela iniciativa.
Para a implantação deste serviço, a equipe do HUM participou de um treinamento com profissionais da USP (Universidade de São Paulo) especializada e referência neste tipo de procedimento, que possui protocolos validados de eficiência semelhante à autópsia convencional.
O controle de qualidade das amostras coletadas foi feito no laboratório de patologia básica da UEM e confirmado pelo grupo de São Paulo. As autópsias aconteceram entre novembro de 2020 e maio de 2021 e o material coletado ainda está sendo analisado. A partir das amostras, várias outras propostas de estudos poderão ser feitos durante os próximos anos, aumentando o conhecimento sobre como a doença evolui e poderá ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos.
A intenção dos pesquisadores é manter o estudo e usar o procedimento para avaliar mortes infantis e neonatais das mais diversas etiologias, além de seguir a investigação relacionada ao próprio Sars-CoV-2, pois ainda não se sabe como a doença evoluirá nos próximos anos. Nesse caso, as amostras coletadas no HUM poderão servir de base para outros trabalhos e estudos.
Pioneirismo
O Hospital Universitário foi a primeira instituição do Sul do País a
fazer esse tipo de procedimento. A iniciativa faz parte de um projeto de
pesquisa e os resultados serão publicados ainda neste ano, em
periódicos científicos.
“Há poucas publicações feitas com essa técnica em pacientes com Covid-19. Os procedimentos foram feitos antes do período de vacinação e naquele momento ninguém estava utilizando esse recurso no sul do Brasil”, afirma Ana Gabriela.
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