O Natal está chegando e para muitas crianças essa é a época de ganhar aquele tão sonhado presente. Para os pequenos, o Papai Noel é capaz de trazer qualquer presente, mas na vida real não é bem assim, principalmente após um ano tão atípico como 2020. E é comum a pressão sobre os pais aumentar se a situação financeira da família não está das melhores.
De acordo com Telma Abrahão, educadora parental, especialista em inteligência emocional e em perfil comportamental, e autora do Best Seller "Pais que Evoluem”, é importante ser sincero com a criança, mas principalmente, valorizar a simbologia da data em primeiro lugar. "A sinceridade e a transparência são muito importantes, inclusive pelos laços de confiança entre pais e filhos. Mas as crianças não precisam se envolver em problemas financeiros da família, elas vivem em um mundo lúdico e de desenvolvimento, não é viável ter na cabeça, principalmente as crianças muito pequenas, preocupações em relação a dinheiro e medo em relação as necessidade que isso pode gerar. Então, os pais precisam ter um jogo de cintura para dar o que cabe no bolso e ensinar o valor do Natal e da união familiar. "É importante manter o encanto do Papai Noel, caso a criança ainda acredite nessa simbologia”, explica Telma Abrahão.
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Para saber lidar com essa situação, caso você não consiga comprar o presente que seu filho pediu, Telma Abrahão dá algumas dicas de como agir sem causar traumas nos pequenos e nos pais:
Valorize mais as memórias felizes do que o preço do presente
Quando a criança ainda é muito pequena e não entende as questões financeiras da família, é muito mais fácil driblar esse tipo de problema. Por exemplo, se a criança pediu uma boneca que era muito mais cara, os pais podem comprar uma boneca mais simples, colocar em uma caixa bonita e com um papel lindo para a criança abrir. O que vale mesmo é o encanto em relação ao presente, que foi dado pelo Papai Noel. Isso é muito mais importante do que o valor financeiro daquilo que está dentro do pacote.
Ensine o valor da conquista para as crianças maiores e que já não acreditam no Papai Noel
Quando a criança é maior, dependendo da idade ela já não acredita mais no Papai Noel. Ela sabe que é a mãe e o pai que vão trazer aquele presente, e nesse caso, os pais podem ter uma conversa sincera: "Nesse momento nós não vamos conseguir dar o que você gostaria, mas podemos fazer um combinado, compramos um presente mais simples agora e toda semana nós vamos te dar uma mesada para você guardar, juntar seu dinheiro e comprar o que você gostaria”. Isso traz muito valor de conquista para a criança, de que foi ela que guardou e que conseguiu comprar o que desejava. Isso também traz uma lição importante, para que a criança aprenda a ter resiliência na vida e força para lidar com as adversidades. Nem tudo que desejamos acontece na hora.
Os pais precisam ter jogo de cintura
Os pais precisam ter muito jogo de cintura, pois a infância é uma fase importante da vida do ser humano. É quando as crianças possuem a oportunidade de enxergarem o mundo com bons olhos, e precisamos saber que esse é o momento em que as crianças estão construindo importantes memórias para o resto da vida, então não precisamos levar a dureza do adulto e as dificuldades do mundo adulto para elas nesse momento. Acho importante preservar o lado lúdico sempre que possível.
Elas terão tempo para aprender a lidar com as frustrações ao longo da vida. Elas vão aos poucos aprendendo que conseguem "sobreviver” a um "não”, que conseguem superar o fato de que não ganharam aquilo que gostariam no Natal, mas que talvez ganhem no aniversário, ou juntando dinheiro para comprar. A frustração faz parte da vida, faz parte da infância e também é importante para mostrar para a criança que se ela não conseguiu agora, ela não precisa desistir, mas sim persistir e lutar pelo que quer até conseguir.
E se os pais querem muito dar o que o filho pediu, mesmo sem recursos para isso?
Os pais têm total autonomia para decidirem o valor que vão investir nos presentes de final de ano. Se você acha que é importante atender ao desejo de seu filho a qualquer custo, mesmo que isso signifique ficar "apertado” para arcar com as despesas, tome essa decisão com a consciência das possíveis consequências.
O problema é se endividar ao ponto de não conseguir arcar com essa pendência e gerar um outro problema familiar. Ai não vale a pena. A criança é capaz de compreender a situação e não é o valor financeiro do brinquedo que realmente vale, mas sim o valor emocional do Natal, da união familiar e de estarem juntos no Natal. É todo clima de amor, conexão, envolvimento e presença emocional dos pais que constrói aquela memória feliz do Natal.
Sobre Telma Abrahão
Educadora Parental, especialista em Inteligência Emocional e em perfil comportamental. Fundou a escola de pais Positive Parenting Education, localizada na Flórida, nos Estados Unidos, onde vive com sua família e dedica todos os seus esforços para levar aos pais a importância da reeducação emocional na construção de uma maior conexão na relação com os filhos. É formada em Biomedicina há mais de 20 anos e uma das pioneiras no Brasil a unir ciência à educação dos filhos.