No Jardim Franciscato (Zona Sul), mulheres estão transformando suas vidas com linhas coloridas, agulhas e alguns pedaços de tecido. O Projeto Bordando a História de Londrina é realizado na Associação das Mulheres Batalhadoras do Franciscato e nasceu para ajudar, de uma maneira simples mas eficiente, as integrantes da comunidade a superar problemas como depressão e traumas decorrentes da violência doméstica.
Ao resgatar um antigo costume feminino, elas recuperam também a auto-estima e vislumbram uma possibilidade de ganho financeiro. Neste caso, porém, o objetivo dos encontros realizados todas as quartas-feiras à tarde não é apenas enfeitar toalhinhas e guardanapos para compor belos enxovais. O grupo quer aperfeiçoar de tal forma a técnica que permita utilizá-la em peças do vestuário. ''O bordado pode agregar muito valor à roupa, é isso que queremos'', informa a presidente da Associação, Rosalina Batista, que ensina a técnica às participantes.
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''No mês que vem já teremos condições de começar a produzir peças como camisetas e bolsas, e logo vamos ter produção suficiente para comercializar e ainda trabalhar com encomendas'', acredita Rosalina. Ela lembra que o projeto vai mostrar sempre temas ligados a Londrina.
A diarista Maria Bastos, 43 anos, há quase dois meses no curso, percebeu que enquanto os desenhos iam nascendo sobre o tecido, ela começava ''a viver de novo''. Maria conta que passou 12 anos cuidando de sua mãe e quando ela morreu entrou em depressão. ''Tinha medo de passar o que a minha mãe passou, minha cabeça não descansava'', conta. Por recomendação médica, procurou uma atividade ''para ocupar a mente'' e descobriu que tem um grande talento. ''Aqui a gente conversa, uma ajuda a outra e a gente sempre consegue aprender'', revela Maria, que já não depende de medicamentos antidepressivos.
Rosa Terezinha Bortoloti Daniel, 63 anos, está realizando um antigo sonho. ''Em toda a minha vida quis trabalhar em comunidade, mas nunca tive oportunidade. Agora estou reaprendendo a bordar (não pegava na agulha desde que era criança) e desejo aprender muito mais, como pintar telas'', anima-se.
A dona de casa convenceu uma de suas vizinhas, Marlene Bezerra da Silva, 47, a participar dos encontros, e as duas encontraram nova motivação para os dias vividos no bairro simples. ''Eu nunca soube costurar, não era capaz nem de pregar um botão. Agora já bordei três panos de prato e estou achando ótimo poder sair um pouco de dentro de casa, conversar. É uma forma de se distrair e esquecer os problemas'', ressalta Marlene, confessando que espera com ansiedade as tardes de quarta-feira.
Rosalina, que começou a desenvolver o projeto no ano passado, observa que as pessoas costumam achar que a saúde depende só de hospitais e postos de saúde. ''Mas não é só isso. Aqui realizamos um trabalho indireto. Conhecemos os problemas de cada uma e procuramos ajudar'', diz a coordenadora. Ela informa, porém, que por enquanto o projeto depende de doações. ''Qualquer pessoa que tiver restos de linha ou tecido que sirvam para bordado em casa pode nos ajudar.'' Em breve, o grupo pretende conseguir recursos com a venda dos produtos.
Além do Projeto Bordando a História de Londrina, é realizado semanalmente pela associação, em parceria com alunas do curso técnico de enfermagem do Centro Integrado de Ensino (Inesul), o Projeto Cegonha, para ensinar a gestantes como acontece a evolução do bebê e as mudanças no corpo da mulher, cuidados com o recém-nascido e amamentação, entre outros assuntos.
Serviço: Interessados em colaborar com o Projeto Bordando a História de Londrina através da doação de materiais pode entrar em contato pelos telefones (43) 3342-6773 ou 9146-5733 (com Rosalina).