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Empreendedoras, são elas que comandam os negócios

31 dez 1969 às 21:33

A mulher vem conquistando cada vez mais espaço no mundo dos negócios. Ideias e ações empreendedoras têm colocado o público feminino no comando de micros, pequenas e grandes empresas. Dados da pesquisa GEM, divulgada recentemente pelo Sebrae, apontam que em 2008 a mulher representou 46% da taxa de empreendedorismo registrada no País. Mas o que impulsiona e ajuda o sexo feminino a entrar e se manter no mercado de trabalho?

A resposta, segundo as próprias empreendedoras, é muito vasta. Porém, um detalhe especial tem contribuído para o sucesso de algumas empresas: mães e filhas que trabalham juntas.


‘É difícil mas prazeroso porque gostamos do que fazemos. Da mesma forma que a gente briga e discute por questões profissionais, a gente também se ama’, garante Maria Conceição Arenales Febrini, proprietária da Doces Finos, que produz docinhos e lembrancinhas para festas.


Conceição montou a empresa há 10 anos, mas a produção de doces data de quase três décadas. Trabalho, como conta a empresária, sempre acompanhado de perto pelas duas filhas: Vanessa, 26, e Giovana, 24.


‘Elas cresceram me vendo fazer doces. Eram crianças e já me acompanhavam nos cursos que fazia’, rememora a empresária. O resultado dessa companhia foi a parceria das filhas no negócio. Giovana, no momento, está estudando em São Paulo. Vanessa assumiu a parte comercial da Doces Finos e, quando necessário, também coloca a mão na massa.


‘Trabalhar com a mãe tem os prós e os contras. Existe a liberdade de expor nossas ideias, mas por outro lado acaba-se falando de trabalho 24 horas por dia’, comenta Vanessa, reforçando que a empresa é ‘no mesmo local que a residência’. Ela destaca ainda que trabalhar com a mãe é difícil pois algumas questões emocionais acabam influenciando um pouco.


‘É difícil desvincular essa relação afetiva com a mãe. Precisa ter equilíbrio e nós estamos sempre buscando isso. Um exemplo disso é que nunca tomamos decisões sozinhas’, diz, frisando que as duas foram buscar ajuda no Sebrae para deixar a empresa cada vez mais profissional. A Doces Finos ainda conta com o trabalho do marido de Conceição, que cuida da parte administrativa, e de mais duas funcionárias que atuam na produção.


Detalhes à parte, Conceição afirma convicta que não trocaria de funcionária. ‘Às vezes discordamos mas é sempre para melhorar a qualidade do nosso trabalho’, acrescenta. E do outro lado, a certeza é a mesma. ‘Já tentei trabalhar em outros lugares mas não consegui. Essa empresa é minha vida, amo tudo isso’, garante.


Em alta


A consultora do Sebrae Simone Millan Shavarski observa que é comum famílias trabalharem juntas. E mais do que isso, aponta que o empreendedorismo entre as mulheres tem crescido consideravelmente nos últimos anos. Entre junho de 2008 até abril deste ano 46% das pessoas que procuraram o órgão para obter informações foram mulheres.


‘Elas têm procurado o Sebrae cada vez mais não apenas para iniciar alguma atividade, mas também para se capacitar’, pontua Simone, ressaltando que o número coincide com o resultado da pesquisa GEM.


A consultora comenta que até um tempo atrás as mulheres entravam no mercado por necessidade, porque enviuvaram ou se divorciaram, por exemplo. ‘Hoje é diferente, as jovens são formadas de outra forma, olham para o mercado de trabalho de outra maneira’, destaca, acrescentando que mulheres de todas as idades procuram o Sebrae para obter informações sobre negócios.


Algumas características, frisa Simone, fazem com que as mulheres se agarrem ao negócio, impulsionando a empresa positivamente. ‘Elas são determinadas, persistentes e bastante organizadas. Isso é bom’, afirma.


E conclui que, atualmente, o sucesso no mercado de trabalho independe de ser mulher ou homem, e sim de vontade própria. ‘O sucesso depende da característica de quem gere o negócio e busca se manter bem informado.’


Pesquisa


A pesquisa GEM é executada há nove anos no País pelo IBQP, com patrocínio do Sebrae e do Sesi-Senai. O levantamento mede as taxas de empreendedorismo mundiais, reunindo dados estatísticos de 43 países.

O estudo é referência internacional. Conforme o Sebrae, seu conteúdo contribui para o desenvolvimento de ações em benefício dos empreendedores no mundo inteiro.


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