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33% descobrem câncer de mama em estágio avançado

31 dez 1969 às 21:33

Pesquisa independente realizada pelo Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBCAM) revela que uma em cada três mulheres (33%) que chegam aos consultórios médicos para diagnóstico já apresentam tumores grandes, em estágio avançado e inoperáveis. Apenas 3,5% apresentavam câncer de mama em estágio inicial.

O levantamento também aponta que, das 4.912 pacientes ouvidas, 6% apresentavam um quadro de metástase – quando a doença se espalha e atinge outros órgãos. Mulheres negras e pardas apresentam um terço dos tumores mais agressivos.


"Os números são assustadores", avaliou o presidente da GBCAM, Sérgio Simon.


Simon destacou ainda que 88% das entrevistadas receberam tratamento pós-operatório – quimioterapia – mas que a técnica utilizada, sobretudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é antiga e inadequada para pacientes jovens que desenvolvem a doença. "Se faz quimioterapia cada vez mais barata e isso tem que ser revisto porque a melhoria é pouca."


A pesquisa registrou que um medicamento que reduz em até 50% a reincidência do câncer de mama foi utilizado por apenas 2% das mulheres entrevistadas. A dificuldade no acesso, segundo ele, é provocada pelo alto valor da droga.


Segundo Simon, a sobrevida de pacientes de câncer de mama atendidos pelo sistema público de saúde é menor do que a dos pacientes do sistema privado. A demora no atendimento realizado pelo SUS e a utilização de quimioterapia menos eficaz são os fatores apontados pelo especialista para os problemas de sobrevida.


Atendimento precário


Outra pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (01), mostra que 31% das mulheres brasileiras nunca fizeram exames para detectar câncer de mama, sobretudo as que usam o sistema público de saúde.


O levantamento, encomendado pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), mostra ainda que 14% das entrevistadas não sabem o que fazer para se prevenir. Mais de 1,8 mil mulheres com idade entre 35 e 65 anos, moradoras de 17 capitais brasileiras foram ouvidas.


Outro alerta levantado pela pesquisa é de que apenas 17% das entrevistadas já procuraram algum especialista diante da suspeita de câncer de mama.


Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que 48 mil novos casos da doença foram detectados no Brasil apenas em 2008.


Ainda segundo a Femama as mulheres brasileiras ainda não sabem que é apenas por meio da mamografia que se detecta precocemente o câncer de mama. "Elas continuam achando que é pelo auto-exame ou pela apalpação [exame realizado pelo médico] e isso não é suficiente para reduzir a mortalidade", diz a presidente da entidade, Maira Caleffi.


Ela lembra que países desenvolvidos conseguiram reduzir drasticamente o número de mortes por câncer de mama com a realização de campanhas contra a doença. O Reino Unido, por exemplo, começou a fazer essas mobilizações em 1975. Para Maira, o segredo está no rastreamento – detecção de tumores ocultos por meio da mamografia – e no atendimento adequado. "Para quem não faz, a curva [de óbitos] continua subindo. A sobrevida depende do tamanho do tumor. O pequeno tem até 95% de chance de cura, mas é a mamografia que detecta."


Maira defende que o exame seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) anualmente e não a cada dois anos, como é feito atualmente. "É uma saga. Muitas desistem ou morrem na fila", afirmou, referindo-se ao tempo que muitas pacientes do SUS têm que esperar para conseguir o tratamento. Segundo ela, o prazo para o início das consultas, para uma possível remoção do tumor e para a posterior quimioterapia é crucial. Segundo ela, a cada 1 milímetro que o tumor cresce, a chance de cura diminui em 1%.


Maira afirmou que a Femama já trabalha na sensibilização de secretários de Saúde e prefeitos para que a Lei 11.664/08 seja implementada. O texto, que entra em vigor no dia 29, obriga a rede pública de saúde a realizar a mamografia gratuitamente para mulheres acima dos 40 anos.

Para ela, a legislação tem "furos", porque não prevê periodicidade para o exame, assim como um prazo máximo para a primeira consulta e o início do tratamento.


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