Curitiba - Pegue um pouco de Bram Stocker, misture com Clive Barker e imagens expressionistas em um clima sombrio, cheio de vampiros. Só que tudo isso com uma linguagem dinâmica, pop, influenciada pelo cinema. Isso é 30 Dias de Noite, que volta a ser publicada no Brasil pela Devir Livraria em seu terceiro volume, batizado de Retorno a Barrow.
Bom, antes de mais nada um pequeno retrospecto. A primeira fase de 30 Dias de Noite mostrou a luta de policiais e sobreviventes contra vampiros em uma cidade isolada no Alaska. Como o título antecipa, o município passa um mês em total escuridão em certo período do ano. Momento fértil para a fome dos chupadores de sangue.
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Steve Niles tem um roteiro cheio de clichês, mas sem forçar a barra. Aliás, o excesso de clichês até mesmo cria um subestilo próprio. No entanto, o que se destaca em seu texto é a maneira ágil com que conduz a narrativa, bem parecido com o ritmo de um filme de ação e horror, a exemplo daquelas aventuras adolescentes como o oitentista Os Garotos Perdidos.
Ben Templesmith é com certeza um dos principais causadores do sucesso da série. Ele consegue manter o clima necessário com imagens sombrias, sempre com uma coloração cheia de simbolismos e arte-final carregada de tosquices propositais. Ele só peca às vezes quando nitidamente tem preguiça de detalhar algumas estruturas. Em um momento de Retorno a Barrow, o ilustrador chega a escrever ''lots of guns'', ao invés de desenhar direito as armas em uma picape.
30 Dias de Noite fez tanto sucesso que o produtor e diretor Sam Raimi (A Morte do Demônio, Homem-Aranha) está interessado em uma adaptação para o cinema. A edição ganhou uma sequência, Dias Sombrios, também publicada pela Devir, e agora chega com Retorno a Barrow.
A terceira parte da história traz o irmão de um policial que participou dos primeiro incidentes de ataque dos vampiros. Ele chega no local junto de seu filho, na época que o mês de escuridão está prestes ocorrer em Barrow. A partir daí, começa a batalha sangrenta entre os mortos-vivos e os humanos, com uma surpresinha no final.
A Seis Mãos Bobas - Muita gente que abre os jornais e lê diariamente as tiras de Los Três Amigos, mais conhecido como Angeli, Glauco e Laerte, talvez não conheça um importante período do passado recente desses artistas, que ficou perdido nas antigas edições das extintas revistas Circo e Chiclete com Banana. Uma parte significativa dessa era foi resgatada com o lançamento do álbum Seis Mãos Bobas, pela Devir Livraria.
O trio batalha no quadrinho tupiniquim e atualmente tem reconhecimento. Mas, mesmo quando já eram consagrados, passaram pelos magros momentos de transição da economia e do mercado editorial nacional nos anos 80. Esse período ficou datado com as inúmeras críticas sociais, a experimentação visual, as piadas infames.
Angeli e seus personagens tipicamente urbanos, ''losers'' e ''geeks'' da selva de pedra, sempre banalizando a sexualidade. Laerte e seu sempre adequado nonsense, traços em um nível superior. Glauco e seu escracho, seu humor pastelão. Todos com um ponto comum: a ótima capacidade de fazer todos rirem de si mesmos.
A edição coleciona tiras de jornal e vários outros trabalhos desse período. O destaque fica por conta dos comentários dos autores no final da edição. Eles explicam, com muito bom humor, a criação desse material.
Corto Maltese - A edição foi lançada já há mais de um mês pela recém inaugurada editora Pixel Media mas vale a resenha, mesmo atrasada. A Balada do Mar Salgado traz de volta o impressionante artista Hugo Pratt para o mercado verde-e-amarelo.
Balada do Mar Salgado foi publicada inicialmente na Itália em 1967 e chegou ao Brasil em 83, pela editora LP&M. O álbum traz a história de Corto Maltese, um charmoso marujo que acaba fazendo amizade com dois jovens prisioneiros em uma embarcação.
A partir daí, o italiano Hugo Pratt oferece um vasto universo de aventuras, sempre com o clássico estilo de ação herdado da literatura do século XIX. Suas ilustrações são um verdadeiro espetáculo, devido a maestria com que lida com a arte-final: penas e pincéis de nanquim são como instrumentos musicais em uma orquestra emocionante. Desde os traços mais finos e simples, até os quadros com texturas mais detalhados são uma aula de ilustração.
A Pixel Media realizou um bom trabalho de acabamento, com capa dura envernizada e papel com gramatura suficiente para que a impressão do preto-e-branco não ''vazasse'' a página seguinte, o que já aconteceu em álbuns semelhantes publicados por outras editoras.
Serviço: 30 Dias de Noite: Retorno a Barrow tem 144 páginas coloridas no formato 16,9 x 25,9 cm e custa R$ 35. Seis Mãos Bobas tem formato 21 x 28 cm, com 80 páginas ao preço de R$ 23. Já Corto Maltese sai por R$ 33 e tem 172 páginas no formato 21 x 28 cm.
A revistas citada acima podem ser encontradas em Curitiba na Itiban Comic Shop: Av. Silva Jardim, 845. Fone: (41) 3232-5367.
Música+Quadrinhos: Pavement+Corto Maltese