Como muitas franquias cinematográficas dos anos 1980, os filme de ''Rocky'' foram progressivamente minguando em qualidade até se converterem em auto-paródias sem outro propósito senão o de arrecadar dinheiro fácil, explorando a lealdade dos fanáticos da estimulante idéia original.
Vinte anos se passaram desde o execrável ''Rocky V'', e agora Stallone resolveu tirar o boxeador da aposentadoria a fim de oferecer mais uma passagem de sua vida. O resultado é bem menos calamitoso do que parece à primeira vista.
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''Rocky Balboa'', em lançamento nacional, demonstra que aquele estereótipo stalloniano de bíceps arregaçado, incompreensível voz gutural e trejeitos de neandertal é somente isto mesmo, um estereótipo para consumo mundo afora.
Stallone é mais Homo sapiens do que aparenta, e o resultado é este mais recente exemplar da saga, um filme que não resulta aborrecido ou pesado, embora esteja longe de qualificar-se como ótimo.
Nostálgico e dependente de suas origens, o mérito de ''Rocky Balboa'' é saber quais partes da franquia e em que temperatura é possível requentá-las sem o comprometimento no momento de servir a dois tipos de espectador, o que acompanhou toda a trajetória do pugilista e quem está chegando agora. Aqui, apesar dos anos passados, Rocky, agora dono de restaurante, tem gana de subir novamente no ringue.
Daí a aceitar a proposta dos empresários do atual campeão mundial são apenas alguns passos que preenchem o tempo de projeção e preparam a platéia para mais um embate decisivo.
É evidente que o filme propõe valorizar princípios e valores positivos, como esforço, sacrifício, auto-confiança, determinação, superação, personalidade própria. É uma oferta ideológica que Stallone faz de cara limpa, sem disfarces, disposto a levar contra-golpes de todos os lados.
Só isto já o deixa em vantagem, quer dizer, apesar de ser o péssimo ator que todos conhecem, como diretor até que se sai melhor que a encomenda.