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'Kinsey - Vamos Falar de Sexo?' é filme bem comportado

Carlos Eduardo Lourenço Jorge - Folha de Londrina
17 jun 2005 às 17:25

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Depois de ''Alexandre'', ''O Aviador'', ''Ray'' e ''Em Busca da Terra do Nunca'', este ''Kinsey - Vamos Falar de Sexo?'' é a última cinebiografia da safra passada que chega ao Brasil.

Menos mal que chegue com algum atraso em relação ao lançamento nacional no restante do circuito. Mesmo sem brilho fulgurante, é trabalho que merece ser visto com atenção, embora passando pelas mesmas adulterações utilizadas para retratar aqueles biografados e os fatos que os envolveram.

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Você se masturba com frequência? Com quantos anos teve sua primeira experiência sexual? Já teve relações fora do casamento? Já praticou sexo anal? Estas e muitas outras perguntas, estampadas nos questionários em se baseou o histórico Relatório Kinsey para aferir o comportamento sexual dos norte-americanos, ainda hoje podem ser consideradas embaraçosas por um bom número de habitantes dos Estados Unidos. E a boa parte do resto do mundo, convém acrescentar.


A insólita decisão do biólogo Albert Kinsey de aprofundar um estudo sobre noções e práticas sexuais em meados do século passado provocou um cataclisma nos EUA é preciso reconhecer que ainda hoje, apesar de toda a carga de informação formal e informal, do livre e abundante transito ''navegatório'', muitas das perguntas acima persistem no índex de obscenidades, de difícil resposta por parte de determinados perfis sociais.


O diretor Bill Condon (''Deuses e Monstros''), longe de se aproveitar de uma até previsível facilitação para construir uma história permissiva, trabalha a trajetória de Kinsey com muita discrição e consequente contenção.


Antes de se tornar sexólogo, Albert Kinsey mergulhou fundo na entomologia. De caráter metódido e introvertido, o lado workaholic acompanhou sua persistente dedicação aos estudos sexuais. E aí se dá uma curiosa osmose: o caráter de Kinsey parece ter se transferido para a metodologia do diretor Condon. E o que temos como resultado é um filme de rara assepsia.


Depois de uma primeira meia hora bem dosada, quando o próprio Kinsey e a mulher respondem às perguntas do questionário como boas cobaias, o roteiro passa a abordar os pontos mais importantes da elaboração do informe.


Todas as fases são focalizadas com método, elegância e uma quase frígida neutralidade, desde a seleção dos agentes ''provocadores'' até a divulgação dos resultados.


Em parceria com Kinsey, Condon passa ao largo das paixões e dos escândalos e por um lado é bom que seja assim, evitando-se a caricatura, a situação dúbia, a incursão ao mau gosto. E nem há a recorrência cansada da versão do herói batalhando contra o establishment.

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Suave e amável em demasia, digamos que ''Kinsey'' precisava de uma libido mais intensa. Falta a Condon uma dosagem extra de ousadia. E embora o trabalho de todo o elenco seja de nível bem acima da média (Liam Neeson e Laura Linney magníficos), este é mais um componente da série de preliminares que o filme oferece. A excitação ocorre lenta, e o espectador resulta meio assexuado, em busca de um orgasmo que não acontece.


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