Aos poucos uma rotina vem se impondo na linha de frente da exibição no Brasil: a frequência dos títulos nacionais, disputando e retomando datas - e consequentemente mercado - diante do similar estrangeiro.
Nem bem o surpreendente ''Redentor'' se despediu e chega este ''A Dona da História'' para dividir o bolo, não em partes iguais, mas abocanhando pelo menos uma fatia estratégica - comercialmente é a mais ambiciosa investida do cinema brasileiro neste último trimestre de um ano não tão bom quanto 2003, mas que se sustentou com bravura, diante das circunstâncias.
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O lugar e a hora para se discutir a ''globalidade'' do filme, ou seus moldes de produção e distribuição não são aqui nem agora. O momento, favorável, é de ver na telona personagens e histórias made in Brasil, ainda que sejam reflexos da dramaturgia e da estética televisivas. Ou que pareçam mais uma minisérie condensada.
No Rio de Janeiro de 1968, Carolina e Luis Cláudio (Débora Falabella e Rodrigo Santoro) se amam sonhando com um grande futuro, vão juntos a passeatas estudantis e planejam tomar de assalto o mundo armados de idealismo.
Trinta e dois ano depois, Carolina (Marieta Severo) malha para ficar em forma. Ainda está casada com o primeiro amor. Aos 55, o casamento com Luis Cláudio (Antonio Fagundes) em crise e os quatro filhos já adultos, ela questiona sua trajetória e pensa no que foi ficando pelo caminho. Luis Cláudio decide vender o apartamento e realizar sonho juvenil de conhecer Cuba.
Carolina começa a dialogar com aquela jovem que foi aos 18 anos, e passa a reviver sonhos e as possíveis ouras personagens que poderia ter sido. Ela tenta se reecontrar naquilo que foi e que não foi.
Baseado em peça de sucesso de autoria de João Falcão, ''A Dona da História'' tem direção de Daniel Filho, que assina seu sétimo longa, e um elenco que nada fica a dever a uma novela das sete ou da oito.
Aos experientes Marieta Severo e Antonio Fagundes juntaram-se os jovens talentos de Débora Falabella e Rodrigo Santoro, mais os concursos de Giulia Gam, Renata Sorrah, Ana Furtado, Marcos Oliveira, Fernanda Lima e Rodrigo Penna.