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Indicado ao Oscar

Investidores duvidaram de "Intocáveis", revela diretor

BBC Brasil
01 out 2012 às 08:52

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Divulgação
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A comédia não convencional "Intocáveis", sobre um milionário tetraplégico e seu cuidador ex-presidiário, transformou-se no maior sucesso do cinema francês, dentro e fora da França. Em cartaz no Brasil, ela disputa uma nomeação para concorrer ao Oscar. Mas seus autores contam que tiveram dificuldade em captar dinheiro para concretizar o filme.

"Até quando contávamos (o enredo do filme) para amigos, o queixo deles caía", conta à BBC o codiretor Eric Toledano.

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Ele diz que um dos investidores chegou a perguntar se o personagem principal "não poderia andar um pouco no final do filme".


Até que Toledano e seu colega Olivier Nakache decidiram buscar apoio não apostando no enredo, mas em sua experiência como diretores, bem como no fato de "Intocáveis" ser baseado em uma história real.


Trata-se da história do aristocrata francês Philippe Pozzo di Borgo e seu cuidador Abdel Sellou.


"Achávamos que a história tinha todos os ingredientes que amamos no cinema", afirma Nakache. "Queríamos fazer uma comédia realista a respeito de um tema profundo".


No filme, o milionário é interpretado pelo ator François Cluzet. Sem poder fazer nenhum movimento do pescoço para baixo, ele decide o improvável: contrata Driss, um ex-presidiário negro interpretado por Omar Sy, para cuidar dele. A relação entre os dois homens guia o filme.


‘Imagem poderosa’


Para Nakache, na vida real, a conexão entre Abdel e Philippe ocorria "pelo humor".


"E não um humor qualquer, mas sim especial; um humor sem limites, que os torna nada convencionais. Um é negro, um é branco; um é rico, um é pobre, e eles podem falar qualquer coisa (um para o outro)."


O filme já arrecadou cerca de US$ 364 milhões no mundo, mais do dobro do que outro filme francês de sucesso – e premiado no Oscar -, "O Artista".


O motivo do êxito não está claro para Toledano, mas ele supõe que seja "porque o filme fala com as pessoas e toca as pessoas".


"Além disso, especialmente na França, nos questionávamos se (o filme) funcionaria por causa da má situação econômica na Europa. Mas aparentemente as pessoas precisam dar risada."


Oscar e versão em inglês


Com a força da poderosa produtora Weinstein Company, que orquestrou a bem-sucedida campanha de "O Artista" no Oscar, "Intocáveis" foi selecionado para representar a França como potencial indicado à categoria de filme estrangeiro na próxima premiação.


"Não há dúvidas de que (‘Intocáveis’) será um favorito ao Oscar", disse Harvey Weinstein à BBC. "É uma história tão tocante, engraçada e charmosa, é tudo o que gosto em um filme."


Sem dúvida o sucesso de "O Artista" abriu portas para "Intocáveis". E o apoio de Weinstein ao filme de Toledano e Nakache cresceu após críticas do político de direita Jean-Marie Le Pen, que acusou a obra de exaltar a imigração (o personagem Driss é um imigrante norte-africano).


Toledano e Nakache, diretores de 'Intocáveis', se basearam em uma história real
Le Pen disse, em entrevista a uma emissora local, que a França é como "a pessoa deficiente presa a uma cadeira de rodas", ou seja, como o personagem branco do filme.


Weinstein chamou a crítica de "repulsiva".


Toledano, por sua vez, tenta distanciar-se da política. "Sou apenas um escritor e diretor. Mas acho que, quando você faz sucesso, acaba tendo de nadar com os tubarões."


Agora, Weinstein, responsável por outros sucessos de Hollywood, como "Pulp Fiction" e "Shakespeare Apaixonado", tem planos de adaptar "Intocáveis" para o inglês. Colin Firth (de "O Discurso do Rei") está cotado para o papel de Philippe.
"Ele é um ótimo ator, gostamos muito dele em 'O Discurso do Rei'", afirma Toledano. "Se há que ser feito um remake, que seja com ele."

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Mas os diretores franceses provavelmente não se envolverão no projeto em inglês. "Confiamos em Harvey (Weinstein), mas, quanto a nós, já fizemos o filme que queríamos. Agora vamos pensar na nossa próxima aventura."


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