Marcelo Ciampolini, CEO da Lendico, plataforma online de crédito pessoal, aponta que quem está endividado, primeiro é necessário ter plena consciência do quanto ganha, fazer as contas do que realmente entra na conta corrente – para assalariados, por exemplo, o correto é calcular sua renda de acordo com o salário líquido e não o bruto. Com esse valor em mãos é preciso então pensar em custos fixos como aluguel e contas de serviços para planejar entradas e saídas e entender quanto resta por mês e aí planejar gastos mais supérfluos e um valor para investimento.
Nenhum segredo até aí, correto? Errado! Segundo Ciampolini, 40% os brasileiros que fazem pedidos de empréstimo através da Lendico majoram sua renda mensal em 40%, ou seja, acham que ganham mais do que realmente recebem. Um erro muito comum são autônomos que confundem faturamento com o que realmente retiram da empresa. Outro são assalariados que incorporam na renda entradas eventuais, como o das férias.
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Como não têm noção do quanto ganham de fato, essa pessoas enrolam em dívidas. Ainda segundo o especialista, a grande maioria não age por ma-fé, mas por desconhecimento.
Para quem já está devendo, principalmente para pessoas que estão com débitos no cartão de crédito e cheque especial – o País iniciou 2017 com 60 milhões de brasileiros com dívidas atrasadas – as dicas são valiosas:
● Saiba exatamente o quanto você deve e o tempo dessas dívidas. Se for possível, pesquise o quanto será necessário para quitar a dívida de uma vez.
● Desafiar-se a poupar dinheiro para pagar as dívidas. Por exemplo, separe 15% da renda para este fim. Quando as dívidas terminarem, a disciplina servirá para guardar algum dinheiro.
● Controle é fundamental. Não faça novas dívidas e priorize as mais importantes.
● Negocie. Procure seus credores e tente chegar a um acordo com descontos em juros ou um melhor parcelamento, por exemplo.
● Para os menos controlados, deixe o cartão de crédito em casa e saia somente com o que pretende gastar naquele dia.
Outra dica fundamental é e melhorar o serviço da dívida. Troque dívidas caras por outras mais baratas. Some tudo o que deve e faça um empréstimo pessoal com juros muito menores que os praticados pelos cartões de crédito, por exemplo.
Caso a pessoa esteja com restrição de crédito, procurar a empresa para negociar. "No cenário atual de crise muitas empresas estão com boas ofertas de negociação de débitos para reaver o dinheiro "perdido"", afirma Ciampolini.
Para o especialista outra coisa que não faz sentido é ter dívidas caras e investimentos. "Antes de poupar a pessoa precisa quitar suas dívidas. Isso porque a pessoa possivelmente pagará mais juros com a dívida do que receberá em juros do investimento", aponta.
Enfim sabendo exatamente o quanto ganha, o quanto gasta e sem dívidas, a pessoa pode investir de acordo com suas expectativas de ganho e necessidade de movimentação.