O Ministério Público (MP) está investigando mais de 100 pessoas que estariam envolvidas no esquema de desvio de dinheiro público e lavagem de dinheiro da Prefeitura de Maringá. Parte dos suspeitos teria recebido dinheiro direto em contas bancárias pessoas. A promotoria chegou aos nomes rastreando o dinheiro desviado em cerca de 50 contas da prefeitura. Outros nomes também surgiram após o depoimento do ex-secretário de Fazenda da prefeitura, Luis Antônio Paolicchi, feito no dia 23 de fevereiro à Justiça Federal. O valor dos desvios, segundo apurou a Folha, pode chegar a R$ 100 milhões.
O MP também estaria trabalhando para quebrar o sigilo bancário de todos os envolvidos, segundo fonte da Folha. Mas o promotor responsável pelas investigações, José Aparecido da Cruz, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, não confirmou a informação. Sem citar números, ele disse apenas que pretende ouvir todas as pessoas acusadas de participação nos desvios, além de solicitar documentos junto à órgãos públicos e privados. ‘‘Eventualmente posso pedir a quebra de sigilo bancário, se necessário’’, desconversou.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
No depoimento do dia 23, Paolicchi disse que o governador Jaime Lerner (PFL), o senador Álvaro Dias (PSDB), os ex-prefeitos Jairo Gianotto e Said Ferreira (ambos sem partido), deputados estaduais, federais e vereadores foram beneficiados com dinheiro desviado. Entre os citados, Cruz já ouviu o deputado federal José Borba – que compareceu espontaneamente ao MP –, o coordenador da campanha de Lerner na região, João Carvalho Pinto, e alguns vereadores.
O promotor não esclareceu se pretende tentar ouvir outros detentores de cargos eletivos com foro privilegiado, como Lerner e Alvaro. ‘‘Mas o MP deixa desde já as portas abertas para que personalidades maiores, como deputados e senadores, compareçam espontaneamente para contradizer o Paolicchi’’, comentou. ‘‘Outras pessoas, que moram em Maringá e que não detém foro privilegiado, o MP pretende convocá-las diretamente. Quem mora em outras cidades e estados, será ouvida através de carta-precatória administrativa.’’
Com exceção de Carvalho Pinto – que nega ter recebido dinheiro de Paolicchi –, os outros alegam ter recebido ajuda de campanha do ex-secretário, mas desconheciam a origem do dinheiro. O deputado estadual Divanir Bras Palma (PST) chegou a reembolsar os R$ 5 mil que recebeu de Paolicchi para o fundo de campanha. Os vereadores Walter Guerles (PSDB) e Mário Hossokawa (PSDB) também confirmaram ter recebido ajuda de Paolicchi, e se colocaram à disposição do MP para um pedido de quebra de sigilo bancário.
O deputado federal José Borba (PMDB), que teve uma dívida de R$ 92 mil junto ao extindo Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), pago com cheque da Prefeitura de Maringá, alega desconhecer a origem do dinheiro e se comprometeu a devolver o dinheiro. Através da quebra de sigilo bancário das contas da prefeitura, o MP descobriu em janeiro o depósito no IPC, feito em janeiro de 99. Borba confirmou ser o beneficiado pelo depósito, alegou que o valor era um empréstimo de Paolicchi e que desconhecia a origem do dinheiro.
No novo depoimento, Paolicchi disse que além deste depósito no IPC, a pedido de Gianoto, o deputado e o filho dele, Fábio Rodrigues Borba, recebiam dinheiro desviado em contas particulares. Nos próximos dias o MP vai convocar Fábio Borba e Carvalho Pinto.
O filho de Said, Alexandre Ferreira, também deve ser ouvido na próxima semana em Guaíra, onde mora. Ele foi chamado a depor na Justiça Federal depois de ser citado por Paolicchi como beneficiário de R$ 54 mil desviados. Na semana passada, ele apresentou atestado médico para não depor em Maringá e será agora ouvido por precatória. Said garante que o valor é referente a um empréstimo pessoal.