A motociclista Nayara de Melo Sampar, de 33 anos, voltava do trabalho na madrugada deste domingo (25) quando foi atingida por um carro que trafegava em alta velocidade na Avenida Tiradentes, na Zona Oeste de Londrina. Com o impacto, ela foi arremessada da motocicleta. O condutor do veículo fugiu sem prestar ajuda. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu dentro da ambulância.
Sampar atuava como segurança em um salão de festas e tinha acabado de deixar o trabalho quando foi atingida. Ela morava no Residencial Vista Bela, na zona norte de Londrina, com a filha de apenas 12 anos.
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O motorista envolvido no acidente foi identificado e interrogado pela polícia. Segundo o delegado de Trânsito de Londrina, Edgard Soriani, o suspeito estava em uma oficina na cidade de Arapongas para consertar o veículo.
Em entrevista à reportagem, o agente João Barioni, da PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Londrina, aponta que esse acidente demonstra a falta de respeito que grande parte da população tem com o trânsito e com a vida. O policial detalha que a motocicleta parou no semáforo, mas foi atingida pelo veículo que trafegava, no mínimo, a 120 quilômetros por hora. No trecho, a velocidade máxima permitida é de 70 quilômetros por hora.
Barioni também explica que foram identificadas marcas de frenagem por 83 metros. “Ele assumiu o risco de causar um acidente, até mesmo pelo horário. Não podemos afirmar que ele tinha tomado alguma coisa [alcoólica] ou não, mas é muito pouco provável que não, porque é o que a gente se depara na madrugada do fim de semana”, afirma.
O policial lamenta que mais uma vida tenha sido perdida por conta do descumprimento da legislação de trânsito. O fato de o motorista ter fugido do local agrava a situação. “Isso demonstra, até mesmo, uma falta de amor ao próximo”, ressalta. Segundo ele, o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) exime o motorista envolvido no acidente da prisão em flagrante caso ele preste socorro. “A ideia da legislação é salvar vidas, então isso mostra uma falta de respeito com o próximo e a certeza da impunidade”, aponta.
João Barioni explica que o condutor já foi identificado e que todas as informações serão repassadas para a Polícia Civil, responsável por dar sequência nas investigações. No primeiro momento, ele destaca que o condutor poderia responder pelo artigo 312 do CTB, que trata de homicídio culposo, com possível aumento de pena por excesso de velocidade e por ter fugido do local.
Entretanto, o policial adianta que, após o decorrer das investigações, o Ministério Público do Paraná pode entender que o motorista agiu com dolo eventual. “O que era para ser uma pena branda, quase irrisória, passa para uma pena mais severa e ele deve responder no Tribunal do Júri”, avalia.
João Barioni ainda destaca que existe, desde 2023, um estudo da PRF para demarcar bolsões para motocicletas nos semáforos de Londrina, mas que a falta de verbas impediu que o projeto saísse do papel. Entretanto, o policial destaca que a PR Vias, concessionária que assumiu o trecho da BR-369, já demonstrou interesse em dar continuidade.
Ele afirmaque já existem alguns pontos com bolsões no perímetro urbano de Londrina, mas que o objetivo é ampliar para evitar novos acidentes. Na prática, essas áreas de espera permitem com que as motocicletas avancem à frente dos veículos e aguardem a abertura dos semáforos.
“Todos os planos envolviam a filha”
O corpo de Nayara de Melo Sampar foi sepultado por volta das 11h, no Cemitério Municipal de Cambé. A reportagem foi até o local e pôde ver de perto que o sentimento da família é de revolta.
Gisele Domingues Sebastião, 45, conhecia a jovem há cerca de um ano por trabalharem juntas em diversas oportunidades como seguranças em eventos e festas na cidade e região. No momento do acidente, ela retornava para casa no Residencial Vista Bela.
Sebastião afirma que Sampar era uma ótima profissional e amiga, sempre alegre e divertida. “Ela era muito nova, cheia de sonhos para realizar, falava muito da filha”, relata, dizendo que todos os sonhos da amiga envolviam a filha, de 12 anos. “Ela falava que queria dar estudo para a filha, fazer de tudo por ela”, relembra. A menina, segundo ela, esperava acordada a mãe chegar em casa todos os dias.
O sentimento, segundo ela, é de revolta. “A gente quer justiça, que a polícia encontre e ele pague por isso porque, no mínimo, ele teria que ter parado para prestar socorro”, cobra.