Polícia

Policiais escolheram usar armas letais contra adolescente de Cambé, diz advogado

22 mai 2026 às 17:48

A investigação sobre a morte do adolescente Luan Henrique dos Santos Leite, de 14 anos, durante uma ação da PM (Polícia Militar) em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), segue em fase inicial e ainda sem manifestação do MPPR (Ministério Público do Paraná), segundo a defesa da família. O caso voltou a ganhar repercussão após familiares e amigos fazerem um protesto na PR-445, nesta quinta-feira (21), pedindo justiça pela morte do estudante.


O advogado da família, Guilherme Schuindt, disse, em entrevista ao Portal Bonde nesta sexta-feira (22), que o laudo preliminar do IML (Instituto Médico-Legal) aponta que Luan foi atingido por um disparo na região do pescoço e por diversos tiros na lateral do corpo em direção às costas.


“O menino sofreu um tiro na região do pescoço, conforme o laudo do IML. Muitos dos tiros atingiram a região lateral do corpo, indo para as costas. Então, a palavra ‘confronto’ nem é certa. Na realidade, o menino não efetuou disparos”, afirmou.


Segundo o advogado, a defesa também questiona a atuação policial durante a perseguição que antecedeu a morte do adolescente. Os policiais possuíam armas não letais e fizeram a escolha de usar as armas letais”, salientou.


Schuindt disse ainda que busca diálogo com o MPPR e com a Polícia Civil para acompanhar o andamento das investigações.


“O MPPR já poderia ter se manifestado no inquérito policial, mas não o fez. Já fiz esse agendamento para dialogar e entender o posicionamento deles. Estou indo para Cambé para tentar falar com o delegado e o promotor de Justiça para não criar conflitos entre os posicionamentos.”


A defesa afirma também que a família vem sofrendo intimidações desde a morte do adolescente. Segundo Schuindt, o carro da família apareceu com o vidro quebrado após os protestos desta quinta-feira. 


O vídeo que circula nas redes sociais mostrando o momento final da perseguição ainda é uma dúvida nas investigações. Segundo a defesa, ao menos 25 disparos teriam sido efetuados pelos policiais“A polícia, a princípio, não encontrou autor desse vídeo. É importante que ele se apresente”, disse Schuindt.


A reportagem entrou em contato com a defesa dos policiais, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.


Protesto


No fim da tarde desta quinta-feira (21), familiares e amigos de Luan fecharam parte da PR-445, em Cambé, em protesto contra a morte do adolescente. Manifestantes carregavam cartazes e bandeiras com críticas à atuação dos policiais.


Equipes da PM, incluindo policiais do Choque, estiveram no local e utilizaram bombas de efeito moral para dispersar os presentes e liberar a rodovia.


Em nota, a PM informou que “não haverá neste momento nova manifestação, tendo em vista que o processo administrativo está em andamento”. Sobre a dispersão do protesto, a corporação afirmou que “foram adotadas medidas técnicas para distúrbios civis”.


O suposto confronto


O estudante morreu na noite do dia 14 de maio após uma perseguição policial registrada na rua Equador, em Cambé. Segundo a PM, equipes da ROTAM (Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas) faziam patrulhamento quando avistaram uma motocicleta ocupada por dois adolescentes em atitude suspeita.


Ainda conforme a PM, os jovens fugiram em alta velocidade, desobedecendo ordens de parada e avançando preferenciais durante o acompanhamento tático, que passou pela marginal da BR-369 e pela avenida Brasil.


A corporação informou que, já na rua Equador, Luan abandonou a motocicleta e tentou fugir correndo, portando uma pistola calibre .380. A PM afirmou que o adolescente não acatou ordens para largar a arma e, diante da situação, houve intervenção policial.


Já a família contesta a versão apresentada pela corporação e afirma que o adolescente não estava armado. O outro adolescente que estava na motocicleta sobreviveu e foi liberado após atendimento médico.


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