Polícia

Nova fase de operação contra venda de emagrecedores proibidos mira policial aposentado

12 mar 2026 às 15:22

O Núcleo de Londrina do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) deflagrou, nesta quinta-feira (12), a segunda fase da Operação Off Label, que investiga comércio ilegal de medicamentos para emagrecimento proibidos no Brasil. Entre os investigados estão dois policiais civis, sendo um afastado das funções e outro aposentado.


A investigação foi iniciada em fevereiro, após um policial civil de Londrina simular uma apreensão de remédios para emagrecimento trazidos irregularmente do Paraguai que estavam em posse de uma companhia de transporte rodoviário. 


Nesta segunda fase, foram expedidos dois mandados de prisão contra outro policial civil, que está aposentado e vive em Cascavel, e uma terceira pessoa, em Foz do Iguaçu. Segundo o delegado do Gaeco de Londrina, Ricardo Jorge Rocha Pereira Filho, os suspeitos não foram encontrados e são considerados foragidos. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seis endereços em Londrina, Cascavel, Foz do Iguaçu e Rio de Janeiro (RJ).


A ação contou com apoio da PCPR (Polícia Civil do Paraná) em Londrina, da Corregedoria-Geral da corporação e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro.


De acordo com o delegado, as investigações indicam a existência de uma quadrilha especializada em roubo de contrabandos e comercialização de ampolas para canetas emagrecedoras proibidas no Brasil. 


O policial civil foragido de Cascavel já havia sido preso, no início de 2025, ao extorquir com outro agente um casal para que revelassem o local de uma carga de cigarros contrabandeados. “Ele foi preso em flagrante, solto em novembro e, agora, está ligado ao roubo da carga de remédios de emagrecimento em Londrina”, diz Filho.



O mesmo policial aposentado teria designado o agente em Londrina para recuperar a carga que estava em posse de uma empresa de transporte rodoviário, após ser encontrada escondida entre poltronas de um ônibus que veio de Foz do Iguaçu para Londrina no dia 27 de janeiro.


De acordo com o delegado, as as buscas desta segunda fase têm como objetivo apreender medicamentos de origem estrangeira, drogas ilegais, valores em dinheiro, além de dispositivos eletrônicos e documentos que possam comprovar a existência e a autoria dos crimes investigados.


O aparelho celular utilizado pelo policial civil em Londrina para contatar os outros membros da organização também foi apreendido. O suspeito, que estava detido desde a primeira fase, teve a prisão convertida de temporária para preventiva. Devido a isso, teve porte e posse de armas suspensos e foram apreendidos armamentos e munições regulares em sua casa.


Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em Foz, foi encontrada uma ampola do mesmo lote roubado em Londrina, mas outras unidades não foram localizadas em nenhuma das diligências. “Eles [suspeitos] podem ter distribuído para outros comparsas ou mesmo se desfeito”, diz o delegado. 


No Rio de Janeiro, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na residência dio proprietário do lote desviado, em busca de mais evidências. Ele, entretanto, havia sido preso na quarta-feira (11), em Sorocaba (SP), quando trazia R$ 600 mil em contrabandos em um ônibus de linha, numa ação de fiscalização que não tem a ver com a operação do Gaeco.


Relembre o caso


As investigações tiveram início após a localização, em 27 de janeiro, de um pacote dentro de um ônibus intermunicipal contendo cerca de 100 ampolas do medicamento tirzepatida, de procedência desconhecida. O uso da substância é proibido no Brasil por resoluções da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).


De acordo com as apurações, no dia seguinte à descoberta do pacote, o policial civil afastado das funções teria utilizado arma de fogo e um distintivo falso para coagir funcionários da empresa de transporte. Sob o pretexto de executar uma diligência oficial de busca e apreensão, ele teria retirado o material ilícito, de 120 ampolas do medicamento trazidos do Paraguai que havia sido retido pela empresa, avaliado em aproximadamente R$ 70 mil.


Nova etapa


Na primeira fase da operação, deflagrada em 6 de fevereiro, foram cumpridos diversos mandados de busca e apreensão e duas pessoas foram presas: o policial civil de Londrina, que permanece detido desde então, e a mulher que trazia a carga.

O policial é investigado pelos crimes de roubo majorado pelo concurso de pessoas e uso de arma de fogo, além de distribuição e venda ilegal de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

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