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Justiça solta um dos acusados de assassinar agente penitenciário em Cambé

Rafael Machado - Redação Bonde
22 mai 2017 às 14:56

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Lis Sayuri/Grupo Folha
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A juíza substituta da Vara Criminal de Cambé, Ana Paula Bekcer, julgou improcedente a denúncia formulada pelo Ministério Público contra William Pereira Soares, 29 anos, um dos acusados de mandar executar o agente penitenciário Kevin de Souza, na época com 21 anos, perto das 19h30 do dia 15 de junho de 2015 na rua Mateus Leme, Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé. Segundo a Polícia Civil, Soares, que seria integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu ordens de superiores, ainda não identificados, para assassinar dois agentes paranaenses. O objetivo seria "gerar temor e insegurança aos servidores públicos e à sociedade."

Dois dias depois do crime, Soares, que é conhecido no meio policial como "Irmão Davi" ou "Pintcharles", foi detido em Arapongas, onde nasceu. Na época, o então delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Sebastião Ramos disse que o rapaz teve a preventiva decretada por ter feito várias ameaças contra agentes enquanto esteve encarcerado na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 1) e também na PEL 2, desta vez cumprindo pena por assalto.

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De acordo com o MP, a morte de Kevin foi motivada depois que Soares recebeu a notícia de que poderia ser excluído do PCC caso não planejasse o homicídio. Foi então que ele convocou Guilherme Bertha Alves de Miranda, considerado como autor dos disparos. Este estava em um nível inferior à Soares na hierarquia do PCC. A denúncia foi recebida em 30 de junho de 2015. Enquanto a acusação arrolou onze testemunhas, a defesa apresentou seis. Os réus foram interrogados.


Apesar das provas produzidas pela Polícia Civil, o Ministério Público quis que o Grupo de Operações Especiais (GOE) repassasse os registros e informações colhidos a respeito do caso. Um dos advogados de defesa requereu a realização de perícia em um dos celulares apreendidos. A intenção foi comprovar a exata localização do acusado no dia em que Kevin foi assassinado. A Justiça deferiu parcialmente o pedido, permitindo apenas a averiguação quanto a propriedade dos aparelhos.


Tendo como base o artigo 414 do Código Penal, o MP, pela falta de indícios suficientes que incriminassem Soares, pediu que a Justiça excluísse a responsabilidade dele na morte do agente penitenciário. A solicitação foi acatada. Durante interrogatório, o acusado disse que "nunca viu Guilherme" e "hoje não é mais faccionado ao PCC, atuando na parte financeira". Soares afirmou que, ao deixar a cadeia em 1º de abril de 2015, "estava trabalhando, e por isso não teria motivo para matar ninguém".


"Eu fazia bico em serviço de carga e descarga de caminhão. Trabalhei como servente. Conhecia o Kevin, já que fiquei preso no mesmo presídio onde ele trabalhava (PEL 2). Nunca me fez mal. Nem sei porque a polícia ligou a morte dele comimgo", disse à Justiça. Antes de ser preso em Arapongas, ele respondia em liberdade por um homicídio, no qual havia sido condenado a 16 anos. A aparente inocência de Soares foi rechaçada por dois agentes que eram colegas de Kevin. Um deles registrou boletim de ocorrência porque o acusado proferiu diversas ameaças de morte.


Ele acredita que o colega foi morto porque era o mais tranquilo e não andava armado. "Não arranjava confusão com ninguém", comentou ao prestar depoimento. Outro profissional lotado na PEL 2 e amigo de Kevin contou que "ouviu rumores de que Soares queria matar agente penitenciário, mas que não sabia quem". O integrante do PCC "era inescrupoloso, tanto dentro como froa da penitenciária. Sempre se intitulava como da facção criminosa, despachando ameaças contra agentes".

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Os investigadores ouvidos apenas confirmara que participaram da prisão de Soares e que ele teria sido o mandante da morte de Kevin. Com a decisão, o rapaz deverá deixar a Casa de Custódia de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) nos próximos dias.


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