A Justiça de Maringá (Noroeste) definiu que o julgamento do caso Eduarda Shigematsu ocorrerá no dia 23 de junho, às 8h30. Irão a júri Ricardo Seidi, pai da menina morta aos 11 anos, e a avó paterna, Terezinha de Jesus Guinaia. O Tribunal do Júri estava inicialmente marcado para o dia 6 de outubro de 2025, mas foi cancelado poucos dias antes da sessão devido a um problema no sorteio dos jurados.
O julgamento de Ricardo e Terezinha já foi cancelado seis vezes. Inicialmente, seria em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), onde o crime ocorreu, em 2019. Depois foi transferido para Londrina e, a pedido da defesa, para Maringá. Em maio do ano passado, a sessão foi adiada pela ausência de um juiz substituto no Tribunal do Júri.
Relembre o caso
Eduarda morreu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. No dia seguinte, a avó registrou um boletim de ocorrência informando o desaparecimento da menina. As buscas mobilizaram familiares, vizinhos e a Polícia Civil, com apoio do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas). O corpo foi localizado no dia 28, enterrado na garagem de um imóvel da família.
Câmeras de segurança registraram o último momento de Eduarda com vida, às 11h56 do dia 24, quando ela chega em casa após a escola. Por volta das 13h32, Ricardo aparece saindo da residência em um VW Gol, já com o corpo da filha no porta-malas, segundo a investigação. Minutos depois, outra câmera flagra o carro chegando ao imóvel onde o corpo foi enterrado.
Ricardo Seidi é acusado de homicídio triplamente qualificado, por asfixia, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por feminicídio, com aumento de pena por se tratar de vítima menor de 14 anos. Ele também responde por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Preso desde abril de 2019, sempre negou ter matado a filha.
Terezinha responde pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Ela ficou presa por seis meses, mas foi solta e aguarda o julgamento em liberdade.
Em depoimento à PCPR após a prisão, Ricardo disse que a filha havia cometido suicídio e que, desesperado, decidiu enterrá-la. O laudo de necropsia, no entanto, concluiu que a morte ocorreu por esganadura. Um documento mais recente da Polícia Científica, juntado ao processo em agosto de 2025, reforçou que não houve suicídio: o corpo apresentava “estigmas digitais no pescoço, equimose e escoriações no queixo”.
A FOLHA entrou em contato com as defesas de Ricardo e Terezinha para comentar a nova data do julgamento. A reportagem também aguarda posicionamento da assistência de acusação sobre a previsão da sessão.