Paraná

Um século: Hospital de Dermatologia do Paraná é referência em atendimento e pesquisa

30 jan 2026 às 11:59

Com uma história rica, marcada por momentos significativos e que acompanhou a própria evolução da medicina no estado, o HDSP (Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná) se prepara para completar sua trajetória centenária. Fundada em outubro de 1926, a instituição, que fica em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, é gerida pela Funeas e mantida pelo Governo do Estado, e se tornou um polo estratégico de formação profissional e atendimento humanizado, atendendo pacientes de todas as macrorregiões paranaenses.


O HDSP se destaca como referência regional, prestando serviços de alta complexidade pelo SUS em dermatologia, hanseníase, cirurgia vascular e tratamento de feridas complexas. Sua área de abrangência engloba 56 municípios das 1ª, 2ª, 3ª e 6ª Regionais de Saúde. Atualmente, o Hospital dispõe de uma equipe com 27 médicos especialistas, 12 residentes em dermatologia e um total de 210 colaboradores, incluindo a ampla equipe multiprofissional e setores de apoio. A instituição desempenha papel essencial no tratamento clínico e também na reabilitação e no apoio psicossocial dos pacientes de hanseníase.


Mais do que assistência, desde 2023 o hospital se consolidou como um centro de produção de conhecimento, promovendo um programa de residência médica em dermatologia autorizado pelo Ministério de Educação Cultura. São três anos de formação, totalizando 12 médicos residentes, o que resulta no fortalecimento da política estadual de qualificação e amplia a capacidade do SUS de ofertar atendimento especializado de ponta. A formatura da primeira turma está prevista para fevereiro deste ano.


“É o resultado de um trabalho contínuo, que atravessa gerações e acompanha a evolução das políticas públicas de saúde", afirma o secretário estadual da Saúde, Beto Preto. "Reconhecemos e agradecemos a todos os profissionais que ajudaram a construir essa trajetória. E o Governo do Estado segue investindo para fortalecer a unidade", destaca.


O secretário lembra que somente no último ano foram aplicados R$ 38,5 milhões no hospital, garantindo a manutenção dos serviços, a qualificação da assistência e a continuidade do atendimento à população. "Ao longo dos seus 100 anos, o Hospital de Dermatologia Sanitária reafirma o compromisso com a saúde pública, a dignidade humana e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde no Estado", enfatiza.


Investimento

Em 2020, a Unidade iniciou um novo ciclo assistencial com um processo de reestruturação que alterou seu perfil, passou de internações para atendimentos ambulatoriais. A iniciativa, em desenvolvimento, contempla a implementação de um AME (Ambulatório de Multiespecialidades), um centro de diagnóstico, medicina hiperbárica e um hospital-dia para cirurgias eletivas. Com um investimento superior a R$ 38 milhões em reforma e adequação, a Unidade amplia sua capacidade de 28 para 54 consultórios e passa a contar com um centro cirúrgico com 2 salas, 12 leitos de hospital-dia, serviço de oxigenoterapia hiperbárica e o centro de diagnóstico.


Crescimento

Os investimentos seguem resultando em um aumento significativo nos atendimentos do Hospital entre 2021 e 2025. Segundo a diretora-geral da instituição, Maristela Zanella, houve um crescimento de cerca de 545% no total de atendimentos realizados no período. Em 2021, o hospital registrava aproximadamente 25.899 atendimentos anuais e, em 2025, esse número subiu para uma média de 167 mil atendimentos por ano - ou cerca de 13 mil atendimentos por mês.


O ambulatório de feridas é o maior do estado do Paraná, são atendidos em média 120 pacientes por dia somente neste ambulatório, com equipe especializada em estomaterapia e utilização de coberturas especiais, com tecnologia assistiva que propicia alto grau de resolutividade no tratamento de lesões de difícil cicatrização.


"Descobri o câncer de pele e, seguindo a orientação médica, procurei um especialista em dermatologia. Desde então, passei por duas cirurgias para tratar a condição e atualmente sigo em tratamento contínuo aqui no Centro de Dermatologia. Estou muito satisfeita com o acompanhamento", disse Isabel, paciente da unidade. "Os atendimentos são ótimos, com profissionais atenciosos e qualificados, e tudo é muito organizado, desde a marcação de consultas até a realização dos procedimentos", elogiou.


Uma história marcante

A unidade, foi fundada em 20 de outubro de 1926, como Hospital São Roque e dedicada ao tratamento da lepra, como era conhecida a hanseníase. A instituição do Governo do Estado era administrada por uma congregação religiosa da ordem das irmãs franciscanas de São José.


Na época, o país enfrentava uma crise sanitária devido à falta de tratamento para a doença e as políticas de isolamento, como os hospitais colônias e leprosários.


Em razão do isolamento compulsório, como forma de conter o avanço da doença, o Hospital acompanhou as transformações nas políticas públicas de saúde e no conhecimento científico ao longo das décadas. A unidade chegou a abrigar 1300 pacientes simultaneamente e funcionava como uma espécie de cidade. No local, havia prefeito, igreja, cinema, correio, cemitério e até uma cadeia, assim como duas áreas de moradia.


O modelo de isolamento foi superado, dando lugar ao atendimento ambulatorial, à humanização do cuidado e a ações voltadas à redução do estigma associado à doença, em consonância com as diretrizes do SUS.


Em 1983, quando foram descobertos os mecanismos de controle e cura da hanseníase, a unidade passou a ser gerida pela Secretaria de Estado da Saúde, deixando de ser um hospital colônia e passando a se chamar Hospital de Dermatologia São Roque. Em 1990, recebeu o nome de HDSP (Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná).


Janeiro roxo

O trabalho da unidade é fundamental no enfrentamento da hanseníase, especialmente durante campanhas de conscientização como o Janeiro Roxo, mês dedicado ao tema, que busca comunicar a população sobre os sinais e sintomas da doença, incentivar o diagnóstico precoce e reforçar que a hanseníase tem cura, com tratamento gratuito disponível pelo SUS.


Em alusão ao Janeiro Roxo, o Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná promoveu uma série de ações estratégicas focadas em educação permanente, capacitação de profissionais e informação à população.


Na terça-feira, 27 de janeiro, a equipe do HDSP participou de um evento promovido pela 1ª Regional de Saúde em Pontal do Paraná. A capacitação reuniu cerca de 50 profissionais da atenção primária à saúde, incluindo médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas e fisioterapeutas para aulas teóricas. Os temas abordados incluíram suspeição diagnóstica, avaliação neurológica simplificada, prevenção de incapacidades, tratamento das lesões hansênicas e os impactos da hanseníase sobre a saúde bucal.


Já na quarta-feira, 28,  a unidade realizou internamente o "Pipocando Informação". Esta ação, que chegou à sua quarta edição anual, utilizou recursos criativos para informar pacientes e colaboradores sobre os primeiros sintomas da hanseníase, suas formas de transmissão e o acesso ao tratamento gratuito pelo SUS, reforçando a conscientização e o combate ao estigma da doença.


Para finalizar o calendário especial, nesta sexta-feira (30), o HDSP sedia uma capacitação global. A iniciativa faz parte do cronograma de educação permanente da unidade e envolverá colaboradores de todas as áreas, tanto de suporte quanto assistenciais. O treinamento intensivo tem como objetivo aprimorar os conhecimentos técnicos sobre a hanseníase, facilitando a suspeição e o diagnóstico precoce, além de ser um momento para celebrar e valorizar os cem anos de história do HDSP.


A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Com o tratamento adequado, é possível evitar sequelas e interromper a transmissão da doença.


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