Paraná

Pesquisador do Paraná desenvolve semente de abóbora que nasce sem casca

26 mai 2026 às 16:11

Uma pesquisa inédita no Brasil está sendo desenvolvida no Laboratório de Melhoramento Genético da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa). Coordenado pelo professor José Raulindo Gardingo, o estudo resultou na criação de um tipo de semente de abóbora sem casca, cultivada integralmente na Fescon (Fazenda Escola Capão da Onça), em Ponta Grossa (Campos Gerais). O material apresenta potencial produtivo e comercial e está na etapa final de testes, aprovação e preparação para o lançamento no mercado.


A característica inédita das sementes surgiu a partir de uma parceria de cerca de 20 anos entre o pesquisador e especialistas da Áustria, país que já desenvolvia sementes sem casca desde o século passado. “Recebi algumas sementes e comecei os cruzamentos por aqui, com o objetivo de produzir um genótipo de abóbora brasileira que conseguisse produzir essa semente”, explica Gardingo.


Segundo o professor, quando uma abóbora nasce naturalmente com sementes sem casca, a ciência considera o caso uma mutação genética. A partir disso, os pesquisadores realizam intercruzamentos para que a característica seja mantida nas novas gerações. “Depois de 20 anos, chegamos em um resultado mais satisfatório, com sementes que nascem todas sem casca, dentro de diferentes populações e tipos de abóbora”, afirma.


Agora, a expectativa é concluir os testes laboratoriais e obter o registro junto ao Ministério da Agricultura. De acordo com Gardingo, a principal vantagem do produto é que a semente já pode ser utilizada diretamente pela indústria alimentícia. “A nossa semente é inteiramente sem casca, não precisa tirar a casca, e já vem pronta para ser usada na indústria alimentícia”, destaca.


O pesquisador também ressalta que o material possui maior concentração de cucurbitacina, substância associada à ação vermífuga. “A população pode extrair o óleo ou consumir a semente in natura”, acrescenta. Segundo ele, o produto também apresenta sabor agradável e potencial de comercialização no Brasil e no exterior.


Um estudo divulgado pela Embrapa, em 2019, já apontava a ação vermífuga das sementes de abóbora, especialmente quando descascadas — característica que, no caso da variedade desenvolvida pela UEPG, já ocorre naturalmente. Além disso, pesquisas científicas também indicam potencial de auxílio no combate a tumores. “As sementes reduzem a ocorrência de tumores na bexiga e na próstata, então este material pode ajudar muito no que já é indicado por pesquisas na área”, afirma Gardingo.


Outra característica destacada pelos pesquisadores é a capacidade de germinação das sementes. “Essas sementes germinam, então estamos num caminho positivo para apresentar ela aos pequenos produtores e ao mercado”, afirma o professor e pesquisador Rodrigo Mattielo. Segundo ele, após a submissão do produto, será realizada a etapa de avaliação de viabilidade comercial. “Acreditamos que será aprovada, pois é algo que não existe ainda no mercado brasileiro”, conclui.


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