A negociação que pode levar o Sancor Seguros Vôlei Maringá a trocar a Cidade Canção por Londrina entrou em seus capítulos finais e, ao que tudo indica, com final feliz para o lado londrinense. Uma fonte da administração municipal confirmou à reportagem, de forma categórica, nesta quinta-feira (16): “Está fechado.”
Estariam faltando apenas ajustes para o anúncio oficial, previsto para ocorrer após o término da Superliga Feminina, no dia 3 de maio. Entre os pontos pendentes estão questões pessoais dos responsáveis pelo projeto, como a busca por moradia em Londrina. Os valores envolvidos na negociação não foram revelados.
O que se sabe é que há um impasse na relação entre o time e a prefeitura de Maringá. A crise ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (17), quando o secretário de Esportes de Maringá, Paulo Biazon, prestou esclarecimentos à Câmara Municipal e afirmou que o clube recusou-se a apresentar a “suposta proposta” da prefeitura londrinense.
“Nosso prefeito Silvio Barros está em contato com o prefeito de Londrina para receber essa proposta que Londrina fez. Nós pedimos essa proposta e o time não entregou. Estamos aguardando uma ligação para verificarmos essa documentação”, disse o secretário.
A reportagem apurou que as conversas entre Londrina e o Sancor Seguros tiveram início durante a Copa Brasil de Vôlei, realizada no ginásio Moringão. A negociação envolveu diferentes setores da administração londrinense. O projeto se mostrou atraído pela estrutura da cidade, que mira estabelecer uma equipe de ponta em uma liga nacional, especialmente após questionar reiteradamente o fato de não receber repasses municipais de Maringá para o time profissional.
No fim de março, o Sancor Seguros Vôlei confirmou publicamente a proposta de Londrina. Revelou ainda que o único recurso anual repassado pela prefeitura maringaense era de R$ 450 mil para o AMAVOLEI, projeto destinado exclusivamente às categorias de base. O clube reiterou que não recebe nenhum incentivo público para a equipe profissional, afirmação contestada por Biazon.
“O vôlei sempre foi uma das modalidades mais privilegiadas na Secretaria de Esportes de Maringá. Hoje, recebe diretamente quase R$ 500 mil e, indiretamente, mais R$ 350 mil a R$ 400 mil. Chegamos perto de R$ 1 milhão, enquanto algumas modalidades recebem R$ 25 mil por ano. Tornamos essa distribuição mais justa e democrática, e isso, claro, gera desconfortos”, argumentou o secretário.
Biazon também criticou a forma como o caso veio a público. “Estávamos em conversas, mas a nota oficial causou grande transtorno. Não sou contra o vôlei; tenho meu esporte do coração. Mas precisamos atender a todas as modalidades esportivas.”
Em Londrina, uma das partes diretamente interessadas é o Londrina Vôlei, que já representa a cidade em competições profissionais e de base. A equipe, no entanto, ainda não foi comunicada sobre o possível acordo envolvendo a chegada do time maringaense e aguarda a confirmação das tratativas para se reunir com os novos representantes da modalidade no município.
Segundo apuração da reportagem, caso a transferência do time maringaense para Londrina seja concretizada, não está descartada a possibilidade de união entre as duas equipes.