Em mais um caso de violência e maus-tratos aos animais, um cachorro comunitário de Arapongas foi atropelado por um veículo de passeio na última terça-feira (3), enquanto descansava próximo a uma sarjeta. Imagens das câmeras de segurança de um estabelecimento mostram o momento em que o veículo parece atingir, propositalmente, o animal que estava deitado sobre a via. A vítima é o cachorro Marrom, de aproximadamente oito anos, que vive na Rua Cisne Negro, no Conjunto Petrópolis, desde filhote.
imagens captadas por câmera de segurança mostram quando o cachorro estava deitada e um veículo Up branco vira a esquina. O carro segue em direção reta na nova via mas, quando se aproxima de Marrom, faz uma pequena manobra para a direita, atingindo o animal. O motorista seguiu sem prestar socorro, enquanto Marrom se levanta, aparentando dor na pata atingida, e outro cachorro late atrás do carro.
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VEJA O MOMENTO CAPTADO PELA CÂMERA
Fundadora e voluntária da Opaa (Organização de Proteção Animal de Arapongas), a vereadora Meiry Farias (PDT) resgatou e encaminhou o animal para atendimento veterinário. Por conta do atropelamento, dois ossos da pata traseira do cachorro quebraram. O estado de saúde dele é estável e ele deve passar por uma cirurgia nesta quinta-feira (5).
A vereadora detalha que o Marrom, que tem cerca de oito anos, já nasceu na rua, sendo que a mãe também foi abandonada. Desde então, os moradores da via oferecem água e comida para ele e para uma outra cachorra que também vive no local. Os dois dividem uma casinha.
Farias afirma que existem reclamações de pessoas sobre a dupla, principalmente em relação aos latidos e corridas atrás de motocicletas, mas destaca que é da natureza dos animais defenderem o seu território. “Eles latem para defender. Essa é a defesa deles. Se eles forem chutados ou ameaçados, toda vez que a pessoa passar, eles vão avançar”, alerta.
A vereadora aponta que são muitos os animais em situação de rua, sendo que a população precisa denunciar quando vê algum vizinho abandonando animais. Além disso, destaca a importância da castração dos animais. Por mês, a Opaa promove a castração gratuita de 20 cachorros de protetoras do município.
Ela explica que a entidade existe há 16 anos para atender animais em situação de risco, que recebem tratamento veterinário e depois são encaminhados para a adoção. Ao todo, mais de 300 animais vivem nos abrigos da prefeitura e da organização, mas a vereadora destaca que a principal dificuldade é a adoção, principalmente dos cachorros adultos e sem raça definida. “Se é de raça, é a coisa mais fácil doar, mas se é vira-lata é muito difícil, até mesmo para lar provisório”, lamenta.
Para a vereadora, o atropelamento foi proposital. A princípio, ela pensou que o motorista pudesse não ter visualizado o animal deitado sobre a via, já que ele estava entre a lombada e a calçada. “Mas a lombada não é nova, ela está desgastada, então dava para ver perfeitamente que tinha um cachorro deitado ali e ele não precisava fazer aquilo porque a rua é muito larga”, afirma. Após a recuperação total do animal, o objetivo é encaminhá-lo à adoção.
Com todas casos recentes envolvendo violência e maus-tratos aos animais, Meiry Farias lamenta que o amor esteja acabando até mesmo entre os seres humanos. “A gente não deve aceitar, isso é inadmissível, é inaceitável”, afirma. A vereadora aponta que já está em contato com deputados estaduais na busca pelo endurecimento de leis relacionadas aos animais.
De acordo com a investigadora da Polícia Civil de Arapongas, Bianca Mendonça Dal-Cól, o veículo já foi identificado em uma ação conjunta com a Guarda Municipal e a equipe está agora em busca do condutor responsável pelo atropelamento do cachorro Marrom.
Por dia, são ao menos três denúncias envolvendo maus-tratos aos animais. Ela destaca um caso registrado no dia 29 de janeiro, mas que o boletim de ocorrência foi registrado apenas nesta quarta-feira (4) pelo tutor do animal. Nesse caso, um veículo também atropelou um cachorro, que morreu ainda no local. A polícia está em busca de imagens que ajudem a identificar o suspeito.
A investigadora alerta sobre a importância de fazer a denúncia através do telefone 181, da Polícia Civil. Ela aponta que a denúncia é anônima, mas destaca que é essencial que o denunciante deixe um número de telefone, já que muitas vezes a equipe vai até o local e não encontra a situação em andamento, sendo necessário mais informações. “Mesmo que identificado, nós nunca dizemos quem foi a fonte”, afirma, complementando que fotos e vídeos das ocorrências também auxiliam no trabalho da polícia.
Marrom vai passar por cirurgia
Caroline de Souza é a veterinária responsável pelo atendimento do cachorro Marrom. Segundo ela, o animal poderia ter morrido caso o veículo tivesse atingido algum órgão vital. “É o peso de um carro em cima de um cachorro”, comenta.
Ela explica que o Marrom chegou carregado e sem conseguir apoiar a pata traseira direita no chão. A veterinária aponta, inclusive, que os voluntários improvisaram uma tala para imobilizar o membro ferido. O exame apontou que a tíbia e a fíbula foram fraturadas. “Ele é um cachorro bem dócil, mesmo com a fratura ele deixou a gente mexer, muito bonzinho, mas com muita dor”, esclarece.
A veterinária também aponta que o animal estava com a temperatura um pouco mais elevada por conta do trauma e da dor, o que pode ter ocasionado uma infecção. Após ter recebido os primeiros atendimentos, já entrou em jejum e deve passar pelo procedimento cirúrgico nesta quinta-feira, ainda sem horário definido.
Souza alerta que Marrom deve permanecer internado por pelo menos mais três dias para que receba as medicações. “Mas depende da recuperação dele, se vai estar comendo, alerta e esperto, porque ainda existem outros riscos além da própria fratura, como o de uma infecção”, detalha.