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Investigação está em curso

Furto de notas fiscais em comércios prejudica organização social de Cambé

Caroline Knup - Portal Bonde
27 jun 2023 às 14:58

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Gustavo Carneiro
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Uma série de furtos de notas fiscais destinadas à Associação Refúgio, localizada em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), tem sido registrada nos estabelecimentos comerciais da cidade e da região nas últimas semanas. Os crimes prejudicam a atuação da organização, uma vez que os cupons fiscais são revertidos em recursos financeiros que permitem a manutenção de programas e projetos.


Os furtos foram registrados por câmeras de segurança de estabelecimentos.

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Marcio Carvalho, responsável pela Associação Refúgio, explica que a doação de notas fiscais  sem o cadastro de CPF (Cadastro de Pessoa Física) é uma importante fonte de renda para a organização. "Conseguimos os recursos por meio do Programa Nota Paraná, que é mantido pelo governo do Estado", afirma.


Segundo Carvalho, o furto dos cupons fiscais entristece os responsáveis pela associação, uma vez que, além de haver prejuízos financeiros, existe a desconfiança de que o crime seja cometido com o propósito de beneficiar outras organizações sociais.


"É provável que as notas fiscais sejam furtadas com o objetivo de serem vendidas para outra associação. Essa situação é absolutamente inadmissível! Como é possível que outra organização recorra a esses meios ilícitos para se beneficiar?", questiona.


Conforme aponta o responsável pela Refúgio, as urnas de doação dos cupons fiscais sem CPF são instaladas em estabelecimentos que entram em contato com a organização com o objetivo de apoiar os projetos desenvolvidos. 


"Muitos chegam até nós por meio das redes sociais ou por meio dos pais de nossos alunos. Então, vamos até o local e instalamos a urna gratuitamente. Depois, de forma periódica, nossos voluntários, que estão sempre devidamente uniformizados, voltam ao estabelecimento para recolher os cupons doados."


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Associação registrou denúncia


Um dos furtos das notas fiscais que seriam destinadas à Associação Refúgio foi registrado pelas câmeras de segurança do estabelecimento comercial, que cedeu as imagens à organização. Nos vídeos, é possível observar o rosto do suspeito.


De acordo com Carvalho, as imagens permitiram que o setor jurídico da Refúgio verificasse a identidade do homem. Segundo as investigações internas da associação, foi possível estabelecer um vínculo entre o suspeito e uma organização localizada em Londrina.


"Como medida inicial, registramos um Boletim de Ocorrência e, agora, precisamos aguardar diligências da polícia. Nosso departamento jurídico manterá contato constante com a polícia e com o Ministério Público, a fim de responsabilizar criminalmente os responsáveis pelo furto. Além disso, estamos adotando as medidas necessárias para a responsabilização civil e administrativa dos envolvidos", explica o responsável.


Para que outros extravios sejam prevenidos, Carvalho ressalta a importância de os estabelecimentos estarem atentos às atividades dos criminosos. Segundo o responsável, os cupons fiscais são recolhidos somente por voluntários da Refúgio, que estão sempre devidamente uniformizados e identificados.


O advogado criminalista Iury Inácio Ribeiro Jayme ressalta que este tipo de ação pode ser considerada furto simples ou qualificado. No caso detalhado por Carvalho, o especialista considera a possibilidade de qualificação.


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"Existem diversos critérios que podem caracterizar um furto como qualificado. Quando uma pessoa física vinculada a outra organização comete esse crime, há um abuso de confiança. Nesse caso, a pena prevista pelo Código Penal é de dois a oito anos de reclusão, além de pagamento de multa", explica.


Caso o furto seja considerado simples, conforme aponta Ribeiro, a pena é de um a quatro anos de reclusão. Em qualquer caso, contudo, é essencial que a associação lesada busque uma delegacia e faça a denúncia.


Marcio Carvalho aponta, ainda, que a própria norma estadual do Programa Nota Paraná prevê a exclusão da organização apontada como responsável pelo furto. No Art. 5º, o documento aponta que "a SEFA [Secretaria de Estado da Fazenda] poderá bloquear ou excluir cadastros de sua base de dados em casos de dolo, de fraude ou de simulação, ou de indícios de irregularidades."


A associação e os recursos das notas fiscais doadas


A Associação Refúgio, que atua na cidade de Cambé desde 2000, consiste em uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo acolher, proteger e promover os direitos de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e risco social. 


"A Refúgio sempre busca oferecer um ambiente seguro e acolhedor para crianças e adolescentes que se encontram em situações de abandono, violência doméstica, exploração sexual, trabalho infantil, evasão escolar entre outras formas de violação de direitos", ressalta Carvalho.


Para isso, a organização desenvolve programas e projetos socioeducativos que visam o desenvolvimento integral dos jovens e sua reintegração à sociedade. Conforme aponta o responsável, a Refúgio já foi reconhecida nacional e internacionalmente.


A reportagem tentou contato com a Polícia Civil para obter um posicionamento sobre possível apuração do fato, mas não obteve retorno até o momento.


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Ajude uma entidade


As notas fiscais em que o cidadão não informou seu CPF podem ser doadas para a organização, o que representa um importante recurso. Segundo o Programa Nota Paraná, existem três formas de doar os cupons fiscais para as associações sociais cadastradas:


1. O consumidor acessa o site com seu CPF e sua senha. Na aba "Minhas Doações", busca a entidade que receberá a doação e digita a chave de acesso da nota fiscal;


2. O consumidor usa o aplicativo Nota Paraná, que está disponível para Android e iOS. Na opção "Doações", busca a entidade desejada e lê o QR Code da nota fiscal.;

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3. O consumidor deposita a nota fiscal em urnas disponibilizadas pelas entidades nos estabelecimentos. A entidade recolhe as urnas e cadastra as notas usando o site ou o aplicativo Nota Paraná.

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