Paraná

Empresa indiana voltada ao agronegócio vai abrir fábrica em Ibaiti

27 fev 2026 às 14:15

Ibaiti deve receber um investimento de cerca de R$ 30 milhões para a instalação de uma planta industrial de montagem de tratores da marca indiana Preet. Para o diretor de Indústria da prefeitura e presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico do município, Anderson César Barbosa, o projeto significa uma “virada de chave” para a economia local.


As operações terão início já na primeira semana do próximo mês, em um imóvel locado no município. A estrutura provisória servirá para dar início à montagem dos equipamentos importados até a construção da fábrica definitiva, que deverá contar com um barracão de aproximadamente 4 mil metros quadrados.


A planta deve começar a ser instalada na área industrial de Ibaiti ainda no segundo semestre de 2026, com previsão de entrega no primeiro trimestre de 2027. A projeção é de 500 tratores faturados por Ibaiti no primeiro ano, com aumento para 1.100 no segundo. O faturamento esperado no primeiro ciclo é de R$ 50 milhões, com expectativa de crescimento de 20% a 30%.


O sócio da Greenfield Elton Sanderson afirma que a marca já atua há quatro anos representando a Preet no Brasil, com uma linha de montagem em Ponta Grossa (Campos Gerais). Entretanto, os produtos são totalmente importados em contêineres e finalizados no Brasil. “Entrar em Ibaiti é mais um passo para a nacionalização dos tratores”, afirma.


As normas nacionais determinam que um produto pode ser considerado brasileiro quando é composto por mais de 50% de peças produzidas no Brasil, levando em conta volume e valores. “Para ter um exemplo fácil de compreender, um trator tem apenas um motor e dezenas de arruelas”, cita Sanderson.


A estratégia vai permitir que os veículos agrícolas da marca sejam acessíveis a partir de programas de financiamentos públicos, como o Finame (Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos), linha de crédito do BNDES específica para maquinário agrícola.


Estratégia de agroindustrialização


Anderson César Barbosa avalia que a chegada da montadora a Ibaiti representa o primeiro passo para transformar o município em uma referência regional em agroindustrialização. “A cidade vem, há muito tempo, sem um grande investimento industrial. Esse projeto vai atrair outras empresas fornecedoras de serviços, principalmente nas áreas de torno e solda, além de fomentar capacitação técnica”, destacou.


De acordo com ele, mais de 25 áreas no distrito industrial já estão licitadas e o município mantém aberto um edital que, segundo Barbosa, é considerado um dos maiores programas de prospecção e instalação de novas empresas do Paraná.


Atualmente, Ibaiti soma cerca de 150 EPPs (Empresas de Pequeno Porte), além de indústrias de confecção que produzem para marcas como Renner e Hering, empresas que prestam serviços à Klabin, fábricas de estofados e colchões, além de indústrias de uniformes hospitalares e embalagens. Somando o setor agroindustrial, o número de empreendimentos ultrapassa 300.


“Hoje somos polo de aproximadamente dez municípios. Pensamos no desenvolvimento não só de Ibaiti, mas de toda a região. A indústria e o comércio têm o intuito de criar um ecossistema de agroindustrialização”, afirmou.


Para o diretor, além da geração de empregos e retenção de ICMS, a instalação da fábrica pode impulsionar tecnologia e inovação. “Com esse investimento, vem embarcada tecnologia. O agro será a porta de entrada para novos investimentos e para sustentar a cidade com geração de riqueza”, concluiu.


Trator indiano, coração paranaense


Os tratores da Preet vendidos no Brasil são voltados para o pequeno e médio produtor, com potência entre 25 CV (cavalo-vapor) e 90 CV e poucos equipamentos eletrônicos agregados. Segundo Elton Sanderson, esse modelo atende as necessidades deste público por ser “simples, econômico e robusto”. “Ao priorizar a parte mecânica, facilitamos reparos. Um problema em uma parte eletrônica pode levar dias por um técnico para o reparo”, diz. Além disso, a economia de combustível é a principal característica procurada nestes equipamentos.


Segundo Sanderson, o mercado de tratores gira em torno de 45 mil a 55 mil unidades vendidas por ano, dos quais 70% com potência de até 100 CV. “A Índia, que tem um mercado de 1 milhão de tratores por ano, especializou-se neste modelo”, afirma.


O sócio da empresa também recordou que, no Brasil, 80% das propriedades rurais são pequenas ou médias, o que se reflete tanto nas pequenas como nas grandes cidades paranaenses. Essa proximidade com o produtor rural foi o que levou à interiorização da nova planta.


Além disso, Sanderson vê uma boa política econômica sendo desenvolvida em Ibaiti, o que incentivou a escolha da cidade. “Nós poderíamos estar montando em Mogi das Cruzes (SP), mas aí não estaríamos colados no produtor, não estaríamos no Paraná, e nós somos paranaenses”, afirma Sanderson, que adianta que a marca Greenfield logo mudará para CTP (Companhia Paranaense de Tratores). O grupo já detém o registro da marca.

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