Representantes do Conselho Tutelar, professores e autoridades locais participam hoje da 1ª Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Sarandi (7 quilômetros de Maringá). O objetivo é envolver a sociedade na discussão sobre os problemas que afligem as crianças e os adolescentes, além de levantar propostas para o atendimento adequado dos menores que vivem na linha da miséria.
De acordo com o secretário de Educação, José Luiz Araújo, a conferência é uma exigência do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, e vai ser importante para revelar a realidade das crianças e adolescentes do município. Um dos temas do evento é sobre "Medidas sócio-educativas: violência e punição", que vai analisar quais os programas de apoio às crianças e adolescentes envolvidas no mundo da criminalidade e violência.
De acordo com o delegado de Sarandi, José Maurício de Lima Filho, o estado de miséria e abandono que vivem as crianças e adolescentes no município, são fatores preponderantes que levam os menores para a deliquência. Segundo ele, Sarandi não é diferente de outras cidades de médio e grande porte que também têm seus meninos e meninas de rua. "Como nas demais cidades, é na rua que as crianças de Sarandi se tornam violentas e criminosas", disse. Conforme o delegado, em Sarandi, crianças com 7 ou 8 anos de idade que não tem uma estrutura familiar satisfatória, começam a frequentar as ruas para pedir esmolas. "Geralmente elas (crianças) vão para as ruas inocentes, mas com o tempo, acabam convivendo com a droga e com o mundo do crime", analisa.
Um dos casos que mais impressiona o delegado é o de um garoto que completou 12 anos este mês e já tem mais de 100 passagens na delegacia de Sarandi e Maringá por vadiagem, uso de drogas e furtos. O garoto, segundo Lima Filho, é extremamente violento. Filho de mãe presidiária e pai alcóolatra, o menino vive literalmente pelas ruas. "Ele é um garoto 100% abandonado pela família, que não tem para onde ir", lamenta o delegado. Segundo ele, o garoto é encaminhado para o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente com ajuda de policiais. "As conselheiras não podem com ele, porque ele agride, dá chutes, pontapés, enfim, usa de muita violência quando é retirado da rua", diz.