As operações dos pórticos de pedágio eletrônico, também chamado de free flow, foram iniciadas no Norte e Noroeste do Estado pela concessionária EPR Paraná na última segunda-feira (4) e logo nos primeiros dias, já há indicativos de falhas no sistema. Usuários relatam cobranças duplicadas.
Incluídos nos lotes 2 e 4 do pacote de concessões das rodovias paranaenses, os pontos de pedágio eletrônico ficam na BR-369, em Arapongas e Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina), e na BR-376, em Presidente Castelo Branco e Mandaguari (Noroeste). Os valores das tarifas para veículos de passeio variam de R$ 9,90 a R$ 17,10.
Na manhã de segunda-feira, a professora Vera Lúcia Miranda viajou de Assaí, onde mora, para Londrina. Ela não havia se atentado para o início da cobrança do pedágio eletrônico e ao retornar para casa, no final do dia, após ser alertada pelo filho, baixou o aplicativo da concessionária EPR para poder fazer o pagamento das tarifas. Ao visualizar o extrato, veio a surpresa. Ao invés de duas tarifas no valor de R$ 17,10, uma na ida e a outra, na volta, ela notou três cobranças, sendo duas no segundo trecho, no sentido Londrina-Assaí, ambas registradas no mesmo horário, às 16h07.
O erro ocorreu na praça de pedágio de Jataizinho. Ela deveria ter sido taxada em R$ 34,20, no total, mas o débito pendente somava R$ 51,30. “A gente fica na dúvida, se é erro ou desonestidade”, comentou a professora.
Sem saber o que fazer, Miranda postou a foto da cobrança duplicada nas suas redes sociais e o que se seguiu foram vários relatos semelhantes, de usuários que também notaram o mesmo erro em seus extratos.
Um deles, de uma moradora da zona rural de Assaí, que passou pelo ponto de cobrança em Jataizinho às 6h44 de segunda-feira, no sentido Londrina, mas em sua conta constam duas passagens, de R$ 17,10 cada uma, registradas no mesmo sentido e no mesmo horário. O valor do débito é de R$ 34,20, o dobro do correspondente ao trecho percorrido.
Além da irregularidade na cobrança, Miranda se queixa da falta de orientação aos usuários. Ela percebeu que muitos deles, com pouco ou nenhum acesso à tecnologia, nem sabem que estão sendo taxados ao transitarem pelas rodovias. “A cobrança começou na segunda-feira, mas falta instrução. Tem muitas pessoas da zona rural daqui de Assaí que vão à Ceasa, em Londrina, e estão desinformadas. Vai chegar o dia de pagar, elas nem estão sabendo e vão acabar sendo multadas porque não foram orientadas”, comentou a professora.
A EPR informou que os registros em duplicidade são "pontuais" e que a falha é corrigida após conferência e validação técnica realizadas por equipe especializada. Segundo a concessionária, o sistema de cobrança possui um prazo de processamento e validação das imagens e, em caso de divergência ou ausência temporária de registro, a orientação é aguardar o período médio de duas horas para validação. Persistindo a inconsistência, o usuário deve entrar em contato com a empresa pelos canais de atendimento.
Para esclarecimento de dúvidas ou ocorrência de cobranças indevidas, os usuários podem ligar para a ouvidoria da concessionária, no número 0800 369 0376, ou entrar em contato pelo e-mail ouvidoria@eprparana.com.br.
Em seu site, a EPR destacou que o sistema de pedágio eletrônico conta com uma ampla rede de pontos digitais e físicos, “assegurando alternativas para diferentes perfis de motoristas”.
Os pontos físicos incluem totens de autoatendimento nas 14 bases do SAU (Serviço de Atendimento ao Usuário), além de três veículos de unidades itinerantes, que circulam pelas rodovias para apoiar os usuários com informações sobre o sistema e suporte para a quitação das tarifas. Há ainda a possibilidade de pagamento no site ou no app Pedágio Eletrônico EPR, disponível na Google Play e na App Store. Por meio dessas plataformas, o usuário poderá acompanhar suas passagens e receber notificações.
A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que questionamentos relacionados à cobrança de pedágio devem ser tratados diretamente com a concessionária responsável pela operação do trecho. Caso a demanda não seja solucionada pelos canais de atendimento das administradoras das rodovias pedagiadas, o usuário poderá registrar a queixa na Ouvidoria da agência, por meio do telefone 166.
A ANTT disse ainda que acompanha a operação dos sistemas implantados nas rodovias federais concedidas, com monitoramento contínuo dos serviços prestados aos usuários, observando o cumprimento das normas regulatórias contratuais vigentes.
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