Um cão comunitário conhecido como Abacate foi morto a tiro na manhã de terça-feira (27), no bairro Tocantins, em Toledo (Oeste). O animal era cuidado por moradores da região, que inclusive organizavam uma vaquinha para custear a castração. O caso é investigado pela PCPR (Polícia Civil do Paraná), que trata o episódio como crime de maus-tratos.
De acordo com o delegado Alexandre Macorin, da 20ª Subdivisão Policial da PCPR em Toledo, as investigações começaram assim que a polícia tomou conhecimento do caso.
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“Quando soubemos da situação envolvendo o Abacate, já demos início às investigações. Só pedimos que a comunidade, tendo informações, repasse para a Polícia Civil, seja pelo 197 ou presencialmente”, afirmou.
Segundo o delegado, o disparo atingiu um dos rins do animal, o que provocou a morte pouco tempo depois.
“Pelas informações técnicas, houve intenção de matar. A pessoa que cometeu esse crime será responsabilizada. Nós estamos em campo buscando indícios da autoria”, disse Macorin. A pena para maus-tratos a cães e gatos, quando resulta em morte, varia de dois a cinco anos de prisão, de acordo com ele.
Uma pessoa já está sendo ouvida pela Polícia Civil e, conforme o delegado, pode ajudar a esclarecer os fatos. Ele também fez um alerta sobre o compartilhamento de imagens de suspeitos e acusações nas redes sociais.
“É preciso tomar cuidado ao compartilhar imagens de possíveis autores. Ao fazê-lo, a pessoa pode estar cometendo uma injustiça ou até mesmo atrapalhando a vida de alguém ou as investigações que já estão em andamento”, destacou.
A Polícia Civil informou ainda que conta com um setor exclusivo para o atendimento e apuração de crimes envolvendo animais.
A morte de Abacate veio a público após informações divulgadas por Cinthia Moura, da Proteção Animal de Toledo, que compartilhou o caso nas redes sociais. Ao Portal Bonde, ela relatou que o cão foi resgatado por moradores da comunidade após ser baleado e levado para atendimento veterinário particular, sob os cuidados de uma médica veterinária.
Em publicação no Instagram, ela deu mais detalhes sobre o assunto. "Abacate passou por exames e por procedimento cirúrgico, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não resistiu”, escreveu.
Na mesma publicação, Cinthia destacou a comoção causada pelo caso e reforçou a luta contra os maus-tratos cometidos contra animais. “É pelo Orelha. É pelo Abacate. É por todos os animais que não têm voz que seguiremos firmes no combate aos maus-tratos no município de Toledo”, disse. O caso segue sob investigação.
Caso Orelha
A morte de Abacate, no Paraná, aconteceu poucos dias depois da morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava (SC), caso que causou comoção nacional nos últimos dias. O animal, que vivia há cerca de 10 anos na região, foi atacado por um grupo de adolescentes no dia 4 e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte.
A Polícia Civil de Santa Catarina abriu investigação e apurou suspeitas de coação de testemunhas por familiares dos adolescentes envolvidos. No dia 26 de janeiro, foi deflagrada uma operação para cumprimento de mandados de busca e apreensão, com recolhimento de celulares e dispositivos eletrônicos. Até o momento, ninguém foi preso, mas familiares foram indiciados pelo crime de coação.
Após a repercussão, Santa Catarina aprovou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário, garantindo que esses animais, mesmo sem tutor individual, tenham direito à proteção da sociedade e do poder público.