Pilar de uma família. Jonas Rosa da Conceição. Ou melhor, "Roseiro". Deixou marcas por onde passou.
Mineiro de Caiana. Pequeno município localizado no sudeste do Estado. Cedo, a vida lhe ensinou a construir com as próprias mãos. Aos 9 anos, perdeu o pai. Em seguida, a mãe. Com Daniel, seu irmão mais novo, a tiracolo, botou na mala tudo o que seus pais haviam lhe ensinado e foi para o Rio de Janeiro. "Tentar a vida."
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Foi "pingando". Carona em dezenas de caminhões. Seu primeiro contato com a estrada. Na cidade maravilhosa, viveu de sobras. Frutas, legumes e verduras. Tudo colhido das feiras. Qualquer coisa servia para alimentar a ele e a seu irmão. A vida que passa. Depressa.
Aos 18, veio para o Paraná. Estabeleceu-se em Guaíra. Começou a trabalhar nas fazendas. Fazia de tudo. Em uma delas, encontrou Iraci. Seu amor. Iraci Guerra Rosa. Uma moça que partilhava de seu ofício nas casas de família da região. Apaixonou-se. A vida lhe sorriu pela primeira vez.
Logo em seguida, conheceu sua segunda paixão: Viola. Encantou-se com as modas caipiras. Era menino, seu irmão mais ainda, quando formaram uma dupla musical. Sineta e Sininho. Era como que para selar uma parceria que vinha desde a infância. A dupla cantou pelas rádios do interior por um ano.
Porém, vieram os filhos. Era a vida que lhe chamava de novo. Conseguiu um caminhão e começou a trabalhar. Tornou-se homem da estrada. Carregava torras de madeira pelo Brasil adentro. A vida seguiu assim, sobre as rodas.
Sete filhos, todos saudáveis. "A gente era pequeno, escutava o barulho do caminhão, ele chegava, era uma festa, colocava o prato de comida na mesa, e todos os filhos ficavam ao redor. Ele tinha o hábito de colocar um pouco na boca de cada um. Essa é uma lembrança que eu nunca vou esquecer dele. Foi um pai exemplar", relembra Solange Rosa da Conceição, uma das filhas.

Há exatos 40 anos, em 1977, estabeleceu-se com a família em Londrina. A esposa precisava de tratamentos médicos. Veio para a cidade, com a mesma coragem do menino de Caiana. Aqui, trabalhou como motorista de ônibus e prosperou. Iraci resistiu. Vieram os netos, os bisnetos. É a vida que corre, depressa. Conservava carinho especial pelos netos.
"Ele era muito carinhoso. Gostava de cantar pra gente, nos colocando no colo e batendo em nossas costas. Cada neto tinha um apelido diferente. Lembro que todos os domingos ele me levava na feira pra comer pastel. Depois ficávamos respondendo os bem-te-vis gritando 'eu também te vi'", conta Sidnei Barbosa, seu neto.
Apaixonado por futebol, jamais perdia uma partida de seu time do coração: Palmeiras. "Ele adorava o Palmeiras, assistia a todos os jogos. Ficava o dia todo acompanhando", diz Solange. Homem de hábitos.
O Jardim Marieta, na zona norte de Londrina, não verá mais Roseiro e Iraci fazendo caminhadas pelas manhãs. Viajante exímio, Jonas descansou. Não antes, porém, de deixar sua marca. Foi a base de uma família, que nunca o esquecerá.
Deixa mulher, seis filhos, 13 netos e 12 bisnetos. Dia 18 de novembro, aos 86 anos.

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