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Van atropela pedestres na London Bridge

Agência Brasil e France Presse
04 jun 2017 às 08:02

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Justin Tallis/France Presse
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Um atropelamento na London Bridge, facadas no Borough Market e um terceiro incidente quase simultâneo no bairro de Vauxhall semearam pânico na capital britânica neste sábado à noite (3), deixando dez mortos - entre eles seus três agressores, abatidos pelas forças policiais - e 48 feridos.
Depois da declaração da primeira-ministra Theresa May sobre "potencial atentado terrorista", a Polícia confirmou ataques "terroristas" na London Bridge e no Borough Market. Já o episódio em Vauxhall não teria relação com os dois primeiros.
"Posso confirmar que o terrível incidente de Londres está sendo tratado como um potencial atentado terrorista", declarou May, manifestando sua solidariedade "com os que estão no meio desses acontecimentos horríveis".
"Às 22h08 (19h08, horário de Brasília) de ontem, começamos a receber avisos de que um veículo havia atropelado transeuntes na London Bridge", relatou um porta-voz da Polícia.
"O veículo continuou dirigindo de London Bridge para Borough Market. Os suspeitos abandonaram o veículo, e um número de pessoas foi esfaqueado", acrescentou a mesma fonte.
Os policiais "reagiram rapidamente e de forma corajosa, enfrentando os três homens suspeitos, que levaram tiros e morreram", declarou o porta-voz da Corporação.
A morte dos suspeitos aconteceu "aos 8 minutos" desde que a Polícia recebeu o alerta do incidente, elogiou.
Uma foto divulgada pela rede BBC mostrava dois dos potenciais agressores abatidos na frente de um bar. Um deles tinha um par de latas na cintura, semelhante a um cinturão de explosivos - falso, segundo a Polícia.
O prefeito da capital, Sadiq Khan, condenou esses "atos bárbaros".
"Vocês ainda não têm todos os detalhes, mas se trata de um ataque deliberado e covarde contra os londrinos inocentes e visitantes da nossa cidade, que aproveitavam um sábado à noite. Não há qualquer justificativa possível para esses atos bárbaros", declarou, em uma nota.
O líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, manifestou seu apoio pelo Twitter: "Meus pensamentos estão com as vítimas e com suas famílias. Obrigado aos serviços de emergência".
"Frente a esta nova tragédia", o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França está "mais do que nunca ao lado do Reino Unido" e destacou que "meus pensamentos estão com as vítimas e seus entes queridos".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se pronunciou, oferecendo ajuda ao aliado europeu.
"Tudo o que os Estados Unidos puderem fazer para ajudar Londres e o Reino Unido, estaremos lá. ESTAMOS COM VOCÊS. QUE DEUS OS ABENÇOE!", tuitou Trump.
Em um comunicado, o Departamento de Estado americano também condenou esses "covardes ataques contra civis inocentes".
Já o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, classificou os eventos deste sábado como "terríveis".
- Pânico na capital
Em vídeos postados nas redes sociais, vê-se a Polícia entrando nos bares e nos restaurantes para ordenar às pessoas que se escondessem debaixo das mesas.
"Vim ver o que estava acontecendo e encontrei um chef que tinha sangue no ombro. Ele estava em estado de choque. Me disse que tinha sido atacado por três pessoas em seu restaurante, com facas e com facões", relatou à AFP Gerard Kavanar, de 46 anos, que mora na região.
Um terceiro incidente foi registrado em Vauxhall, bairro também localizado na capital, conforme a Scotland Yard. Vauxhall abriga a sede dos serviços de Inteligência do MI6.
Mais cedo, em sua conta no Twitter, a agência de Transportes relatou que todas as rotas para a London Bridge estavam sendo desviadas, enquanto o Serviço de Ambulâncias de Londres divulgou que "múltiplos recursos" eram enviados para esse local.
Testemunhas disseram ter visto uma van subir na calçada e atropelar pedestres. A London Bridge foi fechada nos dois sentidos. Ao longo da noite, imagens das emissoras locais mostravam viaturas de Polícia bloqueando qualquer acesso à área, além de agentes armados nas ruas.
Em outras imagens, várias pessoas caminhavam com as mãos na cabeça, por determinação da Polícia. As estações de metrô próximas também foram fechadas.
- 'Sangrava muito pelo pescoço'
A jornalista da BBC Holly Jones, que estava na ponte no momento do incidente, contou que viu uma van dirigida por um homem a "cerca de 80 quilômetros por hora". Ela disse ter visto ainda um homem, sem camisa, ser algemado e detido pela Polícia.
"É um atentado terrorista", exclamou, em pânico, a jovem Dee, de 26 anos, que não quis se identificar.
"Tinha uma van que se chocou contra as muretas da ponte", contou à AFP.
"E tinha um homem com uma faca que corria. Ele desceu as escadas e foi para um bar. É um bar francês. Não entrou no bar, estava na varanda. Estou pensando nos meus amigos. Espero que todos estejam sãos e salvos", acrescentou.
Uma outra testemunha, Alex Shellum, disse à BBC que estava em um bar na London Bridge com amigos, quando "entrou uma mulher ferida buscando ajuda. Sangrava muito pelo pescoço. Parecia que tinham cortado o pescoço dela. As pessoas tentaram conter a hemorragia".
Outra pessoa ouvida pela BBC, identificada apenas como Gerard, contou que viu um homem dando pelo menos dez facadas em uma garota. Outros disseram ter ouvido "vários disparos" na região.
Pelo Twitter, a Polícia pediu calma e que todos "se mantenham em alerta e vigilantes". A corporação divulgou outras orientações para a população: "Corra para um lugar seguro"; "se esconda, silencie o telefone, desligue a vibração, proteja-se; ligue para a Polícia para o 999 quando for seguro".
Em 22 de março passado, um homem lançou seu carro contra dezenas de pessoas na ponte de Westminster. Na sequência, ele matou a facadas um policial que estava em serviço na frente do Parlamento. Cinco pessoas morreram.
Mais recentemente, em 22 de maio, a Grã-Bretanha foi alvo de um ataque que deixou 22 mortos em Manchester, no final do show da cantora americana Ariana Grande. Nele, um jovem britânico de origem líbia se detonou, em um episódio reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).
No Twitter, Ariana disse estar "rezando por Londres" e acrescentou um coração.
Depois desse último ataque, a primeira-ministra Theresa May elevou ao máximo o nível de alerta terrorista, até atingir um nível "crítico", no último sábado. Isso significa que um atentado é altamente provável de acontecer.
A BBC diz que testemunhas viram o veículo de cor branca entrar na ponte atropelando pessoas que caminhavam pela área. O incidente provocou o fechamento da London Bridge e das imediações, bem como uma forte presença de policiais armados na região.

Uma repórter da BBC que estava na ponte no momento do incidente, Holly Jones, disse que o veículo era conduzido por "um homem" que viajava "provavelmente a cerca de 80 quilômetros por hora". De acordo com ela, o veículo vinha do centro de Londres em direção à área sul do rio Tamisa, onde "cinco ou seis pessoas" recebiam atendimento médico.

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Jones declarou também que barcos da polícia inspecionavam o rio em busca de pessoas que poderiam ter caído da ponte, após o atropelamento.


O Serviço de Ambulâncias de Londres pediu em uma mensagem pelo Twitter que os cidadãos "evitem" se aproximar dessa área da cidade.

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Confira abaixo a cronologia dos principais eventos:
- 2005: ataque contra o sistema público de transportes londrino
Em 7 de julho, quatro atentados suicidas coordenados e cometidos ao mesmo tempo, no horário de grande fluxo de três ramais do metrô e em um ônibus londrino, deixaram 56 mortos, incluindo os quatro autores. Outras 700 pessoas ficaram feridas. Um grupo que se identificou como integrante da Al-Qaeda assumiu a autoria dos ataques.
Quinze dias depois, houve quatro tentativas de atentado com um "modus operandi" similar, de forma coordenada e quase simultânea, também em três linhas de metrô e em um ônibus. Neste caso, porém, as bombas artesanais não explodiram por um erro de cálculo em sua confecção.
Segundo a Justiça, as duas séries de atentados estavam relacionadas.
- 2007: aeroporto de Glasgow
Em 30 de junho, um carro-bomba cheio de botijões de gás foi lançado contra o principal terminal do aeroporto de Glasgow, na Escócia, muito frequentado no início das férias escolares, sem explodir. Um indiano que dirigia o veículo ficou gravemente queimado. Ele faleceu um mês depois. Seu acompanhante, um médico iraquiano, foi detido. Em 2008, foi condenado à prisão perpétua.
Na véspera, dois carros Mercedes Benz com galões de gasolina e pregos foram descobertos estacionados perto do Piccadilly Circus, no coração de Londres. Um problema de conexão no dispositivo detonador impediu que os veículos explodissem, segundo os investigadores.
- 2013: morte de um soldado em Londres
Em 22 de maio, dois londrinos de origem nigeriana atropelaram o soldado Lee Rigby, de 25 anos, no sudeste de Londres, para esfaqueá-lo e tentar decapitá-lo. Em um vídeo gravado logo depois da agressão, um dos assassinos declarou que o objetivo era vingar "os muçulmanos mortos por soldados britânicos".
- 2015: estação de metrô de Leytonstone
Em 5 de dezembro, Muhaydin Mire, de 30 anos, nascido na Somália, feriu duas pessoas com uma faca - uma delas gravemente -, na entrada do metrô de Leytonstone, no leste de Londres, dois dias depois dos primeiros ataques aéreos britânicos contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria. O ataque foi classificado como "terrorista" pelas autoridades. Mire foi condenado à prisão perpétua.
- 2017: a ponte de Westminster
Em 22 de março, um homem investiu seu carro contra os pedestres que passeavam perto do Parlamento, antes de matar um policial que fazia a segurança do prédio. Foram cinco mortos, além do agressor, abatido pelos agentes.
- 2017: o atentado de Manchester
Em 22 de maio, um atentado na saída de um show da americana Ariana Grande em Manchester deixou 22 mortos e 116 feridos. O ataque foi cometido por um suicida que detonou uma potente bomba nas saídas do pavilhão Manchester Arena, ao final da apresentação.
- 2017: o atentado da London Bridge
Em 3 de junho, dez pessoas morreram, em Londres, entre elas três homens relacionados ao ataque que começou com um atropelamento em massa na London Bridge e continuou no Borough Market, onde os suspeitos largaram seu veículo para esfaquear pedestres nessa região de bares. Pelo menos 48 pessoas ficaram feridas. Os agressores foram mortos pela Polícia.


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