Eram pouco mais de 21h de 13 de novembro de 2015, o fim de uma bela sexta-feira de outono, quando algo mudou para sempre em Paris. Carregado de explosivos, um kamikaze detonou o próprio corpo nos arredores do Stade de France, onde a seleção da casa disputava um amistoso com a Alemanha, na presença do presidente François Hollande.
Foi o início de uma noite que não sairá jamais da memória dos franceses e que resultou em 130 mortes. Passado um ano dos atentados, a memória da carnificina promovida pelo Estado Islâmico segue viva, mas também existe a vontade de virar a página.
Nas palavras de Hollande e do primeiro-ministro Manuel Valls, a França não quer continuar "chorando seus mortos", embora seja difícil interromper as lágrimas. Em julho, um lobo solitário invadiu uma alameda fechada para pedestres em Nice, no sul do país, e matou 86 pessoas com um caminhão.
No mesmo mês, dois jihadistas entraram em uma igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray, no norte, e degolaram um padre, Jacques Hamel, em pleno altar. Durante todo esse último ano, a França viveu sob estado de emergência e na expectativa dos resultados do inquérito conjunto com a Bélgica.
O único suposto terrorista de 13 de novembro ainda vivo, Salah Abdeslam, foi capturado em solo belga e está fechado em uma prisão de segurança máxima na cidade francesa de Fleury-Mérogis, mas continua se radicalizando e se recusa a colaborar.
Depois daquela noite, os parisienses reagiram, porém os primeiros meses foram difíceis. Todos conheciam alguém que estava no Bataclan ou nos restaurantes atingidos. Ruas e bares ficavam vazios, qualquer barulho inesperado causava pânico. Evacuações provocadas por alarmes falsos se tornaram rotina.
Mas a vontade de seguir em frente é palpável. Estudantes dão de ombros quando diretores pedem para não se aglomerarem nos portões, as casas de show estão lotadas, assim como os restaurantes. O número de turistas no país diminuiu 10% em 2016, porém o setor começa a dar sinais de retomada.
O Bataclan, onde morreram 89 das 130 vítimas dos ataques, reabre neste sábado (12), com um show de Sting, e será palco de uma homenagem neste domingo (13), com a presença da banda Eagles of Death Metal, que se apresentava no local quando ocorreram os atentados.
E no dia do primeiro aniversário dos massacres, quando serão lembrados os mortos naquela noite trágica, milhares de velas e lanternas serão acesas nas janelas de Paris, o símbolo não só da recordação, mas também da vida que recomeça.