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Londrinense relata clima em Paris um ano após ataques

13 nov 2016 às 11:33

Hoje completa um ano da ocorrência da série de atentados terroristas que atingiu Paris e Saint-Denis, na França, que resultou na morte de 130 pessoas. A guia de turismo em Paris, Miriam A.T.G., é londrinense e relata que há dias a imprensa tem falado sobre o 13 de novembro. "Hoje de manhã começaram as homenagens às vitimas. O presidente Hollande e a prefeita de Paris estiveram no Stade de France, depois nos cafés e restaurantes, terminando no Bataclan. Houve a colocação de seis placas em homenagem às vítimas e coroas de flores. E na sub-prefeitura do 11° arrondissement ( divisão administrativa usada em alguns países francófonos), centenas de balões foram soltos", relata. Ela conta que hoje os franceses colocarão uma vela acesa na janela em homenagem às vítimas dos ataques.

"Em janeiro do ano passado, houve o ataque ao Jornal Charlie Hebdo e em seguida o ataque ao supermercado Hyper Cacher, pertinho de onde moro. O local ficou um tempo fechado, fizeram modificações e voltou a funcionar. Fui umas duas vezes e sempre tem militares na entrada. Eu lembro desse dia porque a região possui uma concentração de escolas foi horrível porque uma policial foi assassinada e foi bem dramático porque foi perto de onde a gente vive", conta. Ela ressalta que a população reagiu e houve manifestações em todo o país.


Miriam afirma que as ações do dia 13 de novembro foram muito mais violentas que em janeiro. "A população ficou profundamente chocada com essa barbárie praticada, mas ao mesmo tempo houve uma grande solidariedade. Muitos parisienses (sem formação médica) se apresentaram voluntariamente aos hospitais que não estavam preparados para esse tipo de acontecimento. Durante dias, a população foi em massa doar sangue", reporta. "Até o atentado de Charlie Hebdo, havia um alvo preciso, mas depois dos atentados de 13 novembro, qualquer um pode ser alvo dos terroristas, e isso marcou profundamente os franceses. A insegurança permanece, as pessoas estão mais vigilantes…", declara.


Ela relembra que no dia 13 de novembro do ano passado ela e sua família estava em casa. "Estávamos preocupados com o arrombamento de um apartamento vizinho que havia ocorrido de manhã, pois não tinha sido o único arrombamento nos últimos dois meses. Por volta das 23 horas, o meu marido ligou a TV, foi quando vimos a horrível notícia dos atentados que pipocavam pela cidade. O primeiro atentado aconteceu no Stade de France, na cidade vizinha de St-Denis. Depois no Bataclan e nos cafés e restaurantes, todos situados no 11° arrondissement, bairro vizinho ao nosso. Felizmente, não tivemos nenhum amigo ou conhecido, vítima desses atentados", relembra.



Segundo ela, no dia as notícias não eram claras na televisão. "Foi uma loucura. Eu lembro que não conseguia dormir. Pensava em como contar a minha filha. Havia muito barulho de ambulâncias. Tinha um professor de uma escola que morava aqui perto e que foi assassinado no Bataclan, mas eu não o conhecia", relata.


De acordo com a guia de turismo, de certa maneira, os terroristas conseguiram atingir seu objetivo: semear o terror. Paris perdeu o seu ritmo normal, os turistas sumiram, os parisienses deixaram de frequentar os lugares públicos, cafés, restaurantes, teatros… Geralmente o mês de dezembro a cidade ferve por causa das compras natalinas, mas no ano passado, o medo estava no ar, as pessoas começaram a sair de casa uns dez dias antes do Natal", conta.


Estado de Urgência


No dia 14 de novembro de 2015 foi decretado o Estado de Urgência (état d'urgence) e desde então é constantemente prorrogado, e estará em vigor até janeiro 2017. "A Prefeitura de Paris investiu 365 milhões de euros para as ações de segurança e prevenção, o chamado Plan Vigipirate. A minha filha que está na escola primária, e desde os atentados do ano passado, houve dois exercícios em caso de atentados", revela.

Ela conta que depois dos atentados de Nice em julho, as escolas francesas estão cercadas por barreiras de metal. Ressalta também que em todos os lugares públicos (repartições públicas, museus, monumentos, lojas de departamentos) há um esquema de segurança que foi reforçado. "Mesmo nos supermercados, éramos obrigados a abrir nossas bolsas, mas confesso que nos últimos meses, pelo menos no meu bairro, os vigilantes relaxaram. Acho que depois de um certo tempo é normal que a vida siga seu ritmo normal". Ela conta que um dos locais mais afetados pelos ataques, o Bataclan, foi reaberto ontem com um show do cantor Sting.


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