Quem foi ao supermercado ou à feira em Londrina nas últimas semanas sentiu no bolso o que os números confirmam: a cesta básica bateu recordes em maio e o mês de junho começa ainda pressionado — especialmente nos hortifrútis. De janeiro a maio de 2026, a cesta básica acumula alta de 13,4% na cidade, muito acima da inflação oficial do período.
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A pesquisa mensal do NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas) da UTFPR — Campus Londrina calculou em R$ 721,31 o valor da cesta básica em maio de 2026, uma alta de 6,13% sobre abril, quando o mesmo conjunto de 13 itens havia sido cotado a R$ 679,67.
O principal motor da alta foi o clima. As chuvas intensas prejudicaram as lavouras de Guarapuava e de outras regiões produtoras, derrubando a oferta e empurrando os preços para cima nas feiras e supermercados de Londrina. O tomate passou de cerca de R$ 5,90 o quilo para mais de R$ 13. A batata subiu cerca de 40% entre abril e maio, segundo feirantes locais.
O que subiu de preço
Da lista de 13 produtos da cesta básica, apenas quatro tiveram alta em maio — mas os reajustes foram expressivos. A banana liderou com +66,4%, seguida pela batata (+48,5%), pelo tomate (+37,2%) e pelo feijão (+13,4%).
A cenoura também sentiu o impacto das chuvas frequentes, que dificultaram a extração mecânica e estragaram raízes. O quilo chegou à faixa de R$ 5,50 a R$ 6,80 nas gôndolas da região.
A batata monalisa foi vendida entre R$ 6,00 e R$ 7,30 o quilo. O pé de alface subiu para médias entre R$ 3,50 e R$ 4,50 a unidade, por conta do excesso de água nas folhosas.
O que caiu de preço
Por outro lado, oito alimentos ficaram mais baratos em abril — tendência que se manteve em parte dos itens processados em maio. A maior redução foi no café (-13,6%), seguida da farinha de trigo (-9,4%) e da margarina (-7,9%).
Completaram a lista dos itens com queda o açúcar (-5,9%), o arroz (-4,0%), o leite (-3,5%), o óleo de soja (-2,6%) e o pão, que ficou praticamente estável (-0,2%).
O que esperar em junho
Com a entrada do inverno, alguns cultivos adaptados ao frio devem se estabilizar ou recuar. Mas produtos como tomate e cenoura tendem a continuar pressionados pela menor oferta nas lavouras do Paraná e de estados vizinhos.
A dica dos pesquisadores do NuPEA segue valendo: pesquisar preços entre os supermercados da cidade pode gerar economias relevantes. Quem compra tudo no estabelecimento mais barato economiza cerca de 19,8% em relação à média — ou seja, paga aproximadamente R$ 527 pela mesma cesta que custa R$ 721 na média dos 11 supermercados pesquisados.
(Com informações do NuPEA/UTFPR Campus Londrina, Departamento de Economia Rural (Deral/Seab-PR) e Conab.)