O professor de geologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Paulo Pinese, informou que representantes da instituição de ensino e técnicos do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) estão em contato para tentar viabilizar a instalação de um sismógrafo em Londrina, equipamento que detecta as movimentações do solo. A mobilização teve início na semana passada, após o centro registrar um terremoto de pequena magnitude no jardim Califórnia (zona leste). Os estrondos e tremores continuam a ser registrados e os moradores do bairro estão apreensivos.
No entanto, a vinda do sismógrafo vai precisar aguardar o recesso de fim de ano. A estação mais próxima a Londrina fica na cidade de Fartura (SP), a 163 km de distância.
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Sobre os novos casos relatados pelos moradores, Pinese disse que é comum o registro de novos tremores de terra após a ocorrência de um abalo sísmico. "A movimentação das placas tectônicas é constante. Na parte interna das placas, os movimentos resistem, mas também ocorrem. Após um abalo sísmico, há o que chamamos de réplicas e tréplicas, movimentos que, geralmente, são de maior intensidade. Essa situação de Londrina não parece ser muito preocupante, já que os moradores relatam que os tremores foram mais fracos", explicou. Segundo o geólogo, os estalos ouvidos pouco antes dos tremores são causados pela movimentação da terra ou das próprias construções.
O técnico do Centro de Sismologia da USP, José Roberto Barbosa, explica que desta vez o sismógrafo localizado em Fartura não detectou um abalo sísmico como aconteceu na semana passada. Ele destacou que o Brasil está localizado no meio da placa tectônica sul-americana, que possui algumas camadas de diferentes materiais que podem sofrer acomodação de alguns centímetros por ano. "É natural que essas camadas acumulem uma certa quantidade de tensão, mas as vibrações que foram ouvidas não foram suficientes para serem captadas", apontou. Ele destaca que o Nordeste é onde mais acontecem esses microtremores, que às vezes nem são percebidos, mas quando ocorrem em áreas urbanas as pessoas se assustam porque não estão acostumadas. "Temos que torcer para que não evolua para sismos maiores", afirmou.