Arrulhar incessante, mau cheiro e muita sujeira. Esses são alguns dos problemas enfrentados por moradores da rua Francis Bacon, no Jardim Vera Cruz (Zona Leste), causados por uma revoada de pombos domesticados, que são soltos para “dar uma volta” pelo menos três vezes por dia. Eles são tratados por um idoso, que, além das aves, também mantém cachorros em sua residência.
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O Portal Bonde esteve nesta sexta-feira (6) no local e confirmou as denúncias feitas por vizinhos. A casa do idoso é fechada, com pouco espaço de visão para quem passa pela rua, mas a reportagem conseguiu apurar que dentro da residência há diversas gaiolas e um canil.
Nos intervalos em que estão livres, os pombos ficam em fios, sustentados por postes de energia elétrica. Enquanto isso, o caminhar pela calçada se torna um desafio para pedestres, pois o grupo de aves evacua a todo instante.
Um dos vizinhos convidou a reportagem para ver de perto a sujeira que os animais causam dentro das casas próximas. A presença de penas e excremento dos pombos é inegável.
Situação se arrasta por anos
Moradores relatam que a situação se arrasta há anos e que o idoso costuma soltar as aves em horários específicos do dia: no amanhecer, no horário do almoço e no fim da tarde, o que gera barulho e acúmulo de sujeira na rua.
Um dos vizinhos, que não quis se identificar, conta que ouve o idoso gritando com os animais com frequência. De acordo com ele, que mora de aluguel no local há cerca de cinco anos, o problema é antigo. O proprietário do imóvel, inclusive, já havia o alertado sobre a situação anteriormente.
“Quando ele avisou, não sabia que eram tantos pombos, porque são muitos, acho que uns 200, pelo menos. A gente só limpa. Todos os dias essas pombas param no meu telhado e no meu quintal. Todas as vezes que ele [idoso] solta, sobe um poeirão com cheiro de fezes e as penas”, relata.
O morador também diz ter receio de reclamar diretamente com o idoso e a situação gerar conflitos. “Tenho receio de reclamar, ele falar alguma coisa, eu não gostar e a gente acabar brigando por causa disso.”
Segundo ele, foram feitas tentativas de acionar diversos órgãos públicos, sem qualquer retorno. O vizinho pede que a Prefeitura de Londrina tome providências para acabar com o problema no local.
“Pedimos que os órgãos resolvam isso de uma vez por todas. Está assim há tantos anos e ninguém nunca faz nada. Isso aqui é um transmissor de doenças, porque dá problemas respiratórios. Eles [os pombos] não somem, porque ele [idoso] os acostumou com comida.”
Risco de doenças para pets
Outra vizinha procurada pela reportagem diz que o interior da casa é dividido por canis e baias e que, em certos momentos, o idoso limpa a frente da residência. Ela também não quis se identificar.
“Ali dentro é tudo separado, há baias para separar. De vez em quando, de manhã, ele limpa tudo. Não digo que é um problema, mas tenho receio que os meus gatos passem ali e, por causa das fezes, peguem doenças”, conta.
Segundo a moradora, as aves costumam ser soltas por volta das 7h da manhã e ficam livres até o meio-dia, quando o idoso joga ração para que retornem às gaiolas. Ela defende que o tutor é cuidadoso com os animais, resgata bichos abandonados e os leva ao veterinário. Apesar disso, diz que os seus pets acabam matando algumas aves.
“Já aconteceu dos meus gatos pegarem alguns pombos, mas, quando sobrevivem, eu os levo para ele de volta. Direto tem um cemitério de pombos lá no fundo e eu tenho que ficar limpando. Aos poucos, eles estão acabando. Antigamente, havia muito mais.”
Sem resposta
Outro morador da região expõe que também buscou ajuda junto a diversos órgãos municipais, como Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), Batalhão da Polícia Ambiental, Vigilância Sanitária e CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), mas não obteve resposta.
Segundo ele, vídeos e fotos da revoada foram enviados por e-mail à secretaria, que nunca retornou. “Um fica jogando para o outro. Depois avisaram que temos que aguardar. É uma situação delicada, porque ele [idoso] tem alguns cachorros que não sei qual é a situação deles. O que mais nos afeta é a situação dos pombos, mesmo. O cheiro no local é bem forte.”
Idoso e Sema procurados
O Portal Bonde procurou o tutor dos animais para falar sobre a situação, mas ele não quis atender. A Sema, por meio da assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina, também foi procurada, mas não mandou resposta até a publicação desta reportagem.