Danificada, desnivelada e com um grande buraco, moradores da Zona Norte de Londrina denunciaram a situação precária da Rua Gervásio Basílio Nunes, no Jardim Continental. Na visão deles, a causa é a linha de transporte público que passa pela via. O Portal Bonde esteve no local para entender a situação.
De acordo com os residentes, o principal problema é a tampa do bueiro, que havia se soltado devido aos danos em seu entorno, deixando, assim, a abertura exposta. O caso teria começado há cerca de dois meses. Desde então, os moradores informaram que notificaram a prefeitura sobre o buraco, mas não conseguiram um prazo para a resolução do problema.
Além dos riscos de danos a veículos, a principal preocupação é com a segurança das pessoas que transitam pelo local, principalmente devido ao grande fluxo de crianças que passam pela rua, seja a pé ou de bicicleta.
"Próximo daqui fica o Colégio Estadual Professor José Carlos Pinotti. Quando acaba a aula, os alunos descem essa rua de bicicleta. Com a rua nesse estado, isso é um grande perigo, pode gerar até uma tragédia", aponta o vendedor Edilson de Souza Sossai.
O vendedor relata que os moradores utilizavam galhos e uma árvore de pequeno porte para avisar os motoristas que passavam próximo ao buraco. Durante a visita da reportagem, o local estava sinalizado e a tampa do bueiro havia sido recolocada.
Morador da região há 25 anos, Sossai relata que os danos na via começaram a surgir há cerca de dois anos, após alterações que mudaram a rota dos coletivos, levando-os a circular pelo local.
"Ter o transporte público passando por aqui seria uma coisa boa, se a manutenção fosse constante. Porém, depois que ele [ônibus] começou a fazer a rota na nossa rua, ela ficou toda cheia de problemas. Muitos motoristas faziam questão de passar por cima da parte onde agora está o buraco", reclama.
Concordando com os apontamentos do vizinho, o calheiro Isaías Marcelino descreve a situação como "abandono" e um "descaso com o contribuinte".
Mais acima na via, a rua também apresenta danos significativos e um grande desnível na pista. Em entrevista, os moradores da residência à frente, a farmacêutica Vanesca Gomes e o guarda municipal Ademar Alves, seguem com a mesma reclamação dos vizinhos e apontam a passagem diária dos ônibus como origem dos danos.
"Estamos aqui há 14 anos e, depois que a CMTU liberou para eles [o transporte público] passarem na nossa rua, nossa vida virou um caos. Antes disso era super tranquilo. Como agora tem esse grande desnível, não é possível que dois carros passem ao mesmo tempo; eles precisam passar pelo meio e pegar a contramão para não danificar o veículo", explica Alves.
A farmacêutica complementa o marido e afirma temer que o coletivo e outros veículos possam perder o controle ao passar pelo trecho, causando atropelamentos.
"Como a rua é bem inclinada, o ônibus desce em alta velocidade e, como tenho crianças, fico com medo de deixá-las brincar livres. Tem sido um transtorno gigantesco; até para estacionar tem sido complicado por conta do grande desnível no chão", pondera Gomes.
Manutenção deve começar na próxima semana
A reportagem procurou a Prefeitura de Londrina e questionou a previsão para o reparo da via. Em nota, a SMOP (Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação) informou que reconhece as "más condições de algumas vias da cidade" e que as obras de manutenção estão programadas para começar na próxima semana.
De acordo com a pasta, para o conserto da região danificada e desnivelada, será necessário "escavar e retirar toda a parte deteriorada do asfalto" para que, na sequência, o asfalto seja recomposto.
Quanto ao buraco do poço de visita, a secretaria afirma que, para a correção dos danos causados pela "ação do tempo", será necessária a desobstrução da galeria de águas que fica abaixo. Somente com a conclusão dessa etapa é que o asfalto poderá ser refeito, o prazo é de 15 a 20 dias. A ação deve ser organizada pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização).
Em relação às denúncias e ao descontentamento dos moradores quanto à passagem dos coletivos na via, a CMTU afirma que sua Gerência Operacional de Transporte vai "analisar tecnicamente" o caso.
Confira a nota completa da SMOP:
A Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação (SMOP) informou que a manutenção da via já está na programação da pasta. No caso do buraco será preciso escavar e retirar a parte deteriorada do asfalto para em seguida recompor a base e toda a capa asfáltica. Serviço que está programado para a próxima semana.
Em relação ao poço de visita, que teve o asfalto deteriorado pela ação do tempo no entorno da tampa, a Secretaria informou que antes da realização do serviço será necessário desobstruir a galeria de águas pluviais, trabalho que é realizado pela CMTU. Na sequência, será feita a recomposição asfáltica do local, em um prazo de 15 a 20 dias.
A Secretaria reconhece as más condições de algumas vias da cidade, resultado de uma falta de manutenção que vem de longa data.
Vale ressaltar que, ainda no ano passado, a Prefeitura iniciou um amplo programa de recape de vias espalhadas por toda a cidade. Entre elas, as avenidas das Américas, Comandante João Ribeiro de Barros, Aminthas de Barros e José de Alencar, além das ruas Brasil (entre as avenidas Duque de Caxias e JK), Argolo Ferrão (entre a rua Peru e a Duque de Caxias) e Luís Dias (entre a Duque de Caxias e a Bandeirantes).
Em outro pacote de recape, dessa vez na zona norte, a Prefeitura levou asfalto novo para mais de 20 vias do conjunto Maria Cecília, entre elas a Izidio Frederico Britto e a Luis Brugin. Ainda na zona Norte, também foi recapeada a rua Eugênio Gayon (da Jaime Moura de Lima à Vergílio Perin).
Outro pacote foi realizado em quatro ruas da Gleba Palhano que nunca tinham recebido recape: Caracas (entre a Avenida Ayrton Senna da Silva e Rua João Wyclif); Ernani Lacerda de Athayde (entre a Avenida Ayrton Senna da Silva e Rua João Wyclif); João Huss (entre a Avenida Ayrton Senna da Silva e Rua João Wyclif); e João Wyclif (entre a Rua João Huss e Avenida Madre Leônia Milito).
Atualmente, estão em fase de finalização outros três lotes de recape:
Lote 1: ruas Luis Natal Bonin, no trecho entre a avenida Harry Prochet e a Kozen Igue (700m); e na rua Alcino Carneiro Ribas, da Constantino Botino até a Harry Prochet (também 700m). Todas as vias estão no Jardim Burle Marx (região sul).
Lote 2: um trecho de 450m da rua Humaitá, no Jardim Higienópolis, área central, entre a Monte Castelo e avenida Higienópolis.
Lote 3: Vila Nova paralelas à avenida Rio Branco, fazem parte do Lote 3. A rua da Abolição terá recape entre a Araguaia e a Tietê, totalizando 200m; enquanto na rua Javari a intervenção chegará a 300m.