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Trajetória de orgulho

Londrina EC completa 70 anos de olho no futuro, sem esquecer passado

Matheus Camargo - Redação Folha
09 mai 2026 às 08:28

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Foto: Rafael Martins / Londrina EC
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O LEC (Londrina Esporte Clube) completou 70 anos de história no último dia 5 de abril e segue ativo sem interrupções, paralisações ou rupturas. Ao longo de sete décadas, atravessou percalços, crises e tropeços, mas manteve a identidade intacta e levou o nome da cidade a diferentes regiões do Brasil.


Nesse percurso, o clube superou períodos de instabilidade interna, marcados por administrações das mais diversas naturezas e por fases de terceirização. Agora, entra no septuagésimo ano vivendo um novo momento institucional: é administrado por uma SAF desde 2024, comandada pela Squadra Sports, empresa dirigida pelo baiano Guilherme Bellintani.

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Essa é a primeira vez que o Londrina é gerido por um grupo de fora do Estado. O projeto aposta em estabilidade e desenvolvimento a longo prazo, com o objetivo de fortalecer o Tubarão, deixar as dívidas no passado e construir um futuro mais sólido dentro e fora de campo.


Esportivamente, o clube preserva feitos que marcaram gerações. É o maior campeão paranaense do interior, com cinco títulos (1962, 1981, 1992, 2014 e 2021), e foi o primeiro time do Estado a conquistar um campeonato nacional: a Taça de Prata de 1980, equivalente à atual Série B. Também foi pioneiro ao alcançar uma semifinal de Série A, em 1977. Soma ainda a conquista da Copa da Primeira Liga, em 2017, no estádio do Café, diante do Clube Atlético Mineiro, que atuava com nomes conhecidos do futebol brasileiro, como Robinho e Fred.


Já foram 70 anos, agora é olho no futuro


O acordo com a SAF projeta uma transformação estrutural até 2030. O plano prevê que o Londrina se torne financeiramente sustentável e, pela primeira vez em sua história, tenha um centro de treinamentos próprio. Hoje, o clube reorganiza sua rotina enquanto aguarda a construção do novo CT, cujo terreno foi recentemente quitado pela SAF e que será instalado na estrada da Cegonha, na zona sul da cidade.


O Londrina voltou a utilizar o estádio VGD (Vitorino Gonçalves Dias) como sede administrativa e como local de apresentação dos jogadores, além de receber todos os jogos da equipe. Os treinamentos diários ocorrem no estádio do Café, na AFML (Associação dos Funcionários Municipais de Londrina) ou no próprio VGD. A obra do CT tem prazo para execução até 2029, mas o planejamento prevê a entrega de uma primeira etapa ainda nos próximos meses, permitindo que o time utilize os dois primeiros campos de treinamento.


No campo esportivo, o Londrina chega aos 70 anos em um cenário familiar: a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. A SAF projetava o retorno à divisão apenas para esta temporada ou até 2027, mas o acesso veio já em 2025, acelerando o cronograma inicial. A gestão aposta na formação e no desenvolvimento de jovens atletas, muitos provenientes de clubes da Série A que estouram a idade de base e ganham minutagem no Londrina. Assim se formou boa parte do elenco atual.


O clube disputa sua 27ª edição da Série B e já ultrapassou os 500 jogos na competição. É nela que deposita seu futuro imediato, ao mesmo tempo em que trabalha, dentro do novo modelo administrativo, para estabelecer as bases necessárias para o passo mais ambicioso: voltar à elite do futebol brasileiro.


História jamais esquecida


O Londrina nasceu de um esforço coletivo. Inspirados pela criação do Nacional de Rolândia, um grupo de apaixonados por futebol decidiu fundar o então Londrina Futebol Clube. Os primeiros articuladores foram José Luciano Andrade, Wallid Kauss, Pietro Calloni e Paulo Schmidt, este último responsável por sugerir o nome do clube. A partir dali, o movimento ganhou força e passou a envolver figuras importantes da cidade, como juízes, professores, médicos e profissionais de diversas áreas, formando a comissão de criação.


Com o elenco formado e a primeira comissão técnica definida, sob comando de Andrade, o clube foi registrado na Federação Paranaense de Futebol em 25 de junho de 1956. Um dia antes, em 24 de junho, disputou o primeiro amistoso de sua história, diante do Corinthians de Presidente Prudente, encerrado em 1 a 1. O primeiro gol do Londrina foi marcado por Alaor, ponta-direita vindo do Flamengo, contratado especialmente para integrar o elenco inaugural alviceleste.


Nos anos seguintes, o clube cresceu sob a presidência de Carlos Antonio Franchello, adotou o nome Londrina Futebol e Regatas, conquistou seu primeiro título estadual em 1962 e consolidou-se como a principal força do interior do Paraná.


Entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1970, o Londrina ganhou a concorrência do São Paulo Futebol Clube de Londrina, então uma equipe amadora que passou pela profissionalização. O rival cresceu e equilibrou forças com o alviceleste, mas ambos passaram a enfrentar dificuldades financeiras. A solução encontrada foi a fusão, que unificou torcidas, estruturas e aspirações. Em 14 de janeiro de 1970, após horas de reunião conduzida pelo prefeito Dalton Paranaguá, nasceu oficialmente o Londrina Esporte Clube, inicialmente com as cores vermelha e branca.


Franchello não concordou com a mudança e deixou o clube naquele ano, mas retornou à presidência em 1972. Com sua volta, o Londrina retomou o tradicional branco e azul-celeste, cores que permanecem como marca registrada do LEC até hoje.


Em 1976, o Londrina viveu mais um capítulo marcante de sua trajetória. Após um início avassalador no Campeonato Paranaense, o time passou a ser chamado de Tubarão, apelido inspirado no filme de Steven Spielberg, que retratava o animal como um predador implacável, exatamente como o Londrina se comportava diante dos adversários naquele início de temporada.


A origem do batismo permanece tema de debate até hoje, com a autoria atribuída a dois nomes: Victor Grein Neto e Rubens Fernando Cabral.


Brilho na base


Desde os anos 1970, o Londrina se fortaleceu como clube formador. Um dos nomes mais emblemáticos desse período é o goleiro Ado, revelado no clube e campeão mundial com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970. Ao longo das décadas, o time alviceleste revelou diversos talentos, como Neneca, Márcio Alcântara, Élber, Marinho, Adalberto, Everton, Soares, Edson Vieira, Alessio, Carlão e Luís Gustavo.


Mais recentemente, a base londrinense voltou a ganhar protagonismo, revelando jogadores como Ricardo Bueno, Alan, Germano, Wendell, Matheuzinho e Lucas Ramon, entre outros atletas que seguiram carreira nacional e internacional.


Goleadores e ídolos históricos


O maior artilheiro da história do Londrina é Gauchinho, autor de 303 gols e destaque na campanha do título paranaense de 1962. O centroavante construiu sua trajetória com a camisa alviceleste ainda antes da fusão que deu origem ao atual LEC. Gauchinho integra a galeria de grandes ídolos do clube, ao lado de nomes como Carlos Alberto Garcia, considerado por muitos o maior jogador da história do Londrina, líder técnico do time semifinalista da Série A em 1977 e campeão paranaense em 1981. Somente em Campeonatos Estaduais, Garcia marcou 47 gols, sendo superado apenas por Gauchinho.


Também merecem destaque outras figuras históricas, como Paulinho Canhão de Pinhal, principal jogador da campanha da Taça de Prata de 1980 e artilheiro do time naquela que é considerada a maior conquista da história do clube, com 11 gols. No século XXI, o maior goleador do Londrina é Germano, autor de 51 gols e campeão da Primeira Liga em 2017, marcando seu nome entre os ídolos contemporâneos do Tubarão.


Para conhecer e relembrar


Está em exibição no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica da UEL (Universidade Estadual de Londrina) a mostra Londrina: Do Caçula Gigante ao Destemido Tubarão – 70 anos do LEC, em homenagem ao aniversário do Londrina Esporte Clube, comemorado em 5 de abril. O NDPH fica no térreo do CLCH (Centro de Letras e Ciências Humanas), e a exposição é aberta ao público interessado em conhecer e relembrar passagens marcantes da história alviceleste.


Inaugurada no fim do mês passado, a mostra está instalada na Sala de Consulentes do NDPH e permanece aberta para visitação até 30 de junho. O público pode revisitar a trajetória do Londrina por meio de documentos, jornais, fotografias, camisas e outros materiais que ajudam a contar e preservar momentos importantes dessas sete décadas de existência.

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