Entre vários rostos desconhecidos que estarão no horário eleitoral gratuito em 2026 pedindo voto, o eleitor também vai encontrar alguns bem familiares. São prefeitos e ex-prefeitos que parecem ter sido “picados” pelo bichinho da política e decidiram testar novamente seus nomes nas urnas em outubro deste ano.
Levantamento feito pela FOLHA mostra que vários nomes que comandaram prefeituras na RML (Região Metropolitana de Londrina) estão avaliando a possibilidade de concorrer aos cargos de deputado estadual ou federal. Para eles, o caminho é considerado mais fácil e depende, muitas vezes, apenas de um arranjo partidário. Mas também há aqueles que foram eleitos ou reeleitos em 2024 e que estão sendo sondados para disputar as eleições.
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A dificuldade, nesses casos, é justamente abrir mão do mandato de prefeito “no meio” do caminho. A legislação eleitoral determina que quem possui mandato eletivo e quer concorrer a outro cargo precisa renunciar seis meses antes das eleições, ou seja, até o começo de abril.
“A regra não é igualitária para todos os mandatários. Ela trata os eleitos de forma diferente, com várias modalidades. Se os prefeitos pretendem concorrer a qualquer cargo nas eleições gerais de 2026, eles devem renunciar até 4 de abril. É uma regra que não garante equilíbrio de tratamento. Não há isonomia em relação a outros cargos. Os deputados estaduais e federais, por exemplo, não precisam se afastar. Concorrem no exercício do mandato”, explica o professor e advogado Nilso Paulo da Silva, que ainda lembra que os vices também não precisam renunciar.
Silva pontua que quem ocupa cargo de livre nomeação — como secretários e diretores de empresas — também precisa se afastar com seis meses de antecedência, mas pode retornar às funções se não for eleito. “O prefeito, uma vez que renuncia, somente retorna ao cargo em uma nova eleição.”
Um ex-prefeito que vem consolidando uma candidatura à Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) é Sérgio Onofre (PSD), que governou Arapongas de 2017 a 2024 e foi presidente da Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema). Após deixar a gestão municipal, assumiu o cargo de superintendente de Apoio aos Municípios da Casa Civil. Procurado pela reportagem, Onofre confirmou o desejo de concorrer ao cargo de deputado.
Ex-vice-prefeito de Arapongas na gestão de Onofre, Jair Milani (PL) também recebeu convite para disputar uma das cadeiras da Assembleia Legislativa. À FOLHA, Milani disse que está cuidando de assuntos particulares e que terá uma conversa com o PL para discutir uma possível candidatura em outubro.
Entre os prefeitos que estudam uma candidatura está Fabrício Pastore (PL), o Jacaré, que está em seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Bela Vista do Paraíso. Ele pondera que tem um “compromisso com a população” e que está avaliando a possibilidade de concorrer. “Não descarto, mas não posso confirmar isso no momento.”
Outro chefe do Executivo que pode aparecer nas urnas na disputa por uma vaga na Alep é Conrado Scheller (PSD), de Cambé, que também preside a Amepar. À reportagem, Scheller frisou que o cenário ainda está indefinido. “Estou ouvindo a família, a população e o partido para tomar essa decisão”, pontuou.
Em Londrina, o ex-prefeito Marcelo Belinati (PP), que ficou à frente da Prefeitura entre 2017 e 2024, é um nome cotado para disputar as eleições deste ano. Ao deixar a administração municipal, Belinati disse que buscava construir uma candidatura ao governo do Estado pelo Progressistas, mas não está descartada a possibilidade de concorrer a deputado federal.
Quem também pode buscar uma vaga em Brasília é o vice-prefeito de Londrina, Junior Santos Rosa (PL). O fato de não precisar se afastar do cargo para concorrer ao pleito é um fator que pode contribuir para uma eventual candidatura.
Procurados, Belinati e Junior Santos Rosa não responderam até o fechamento deste texto.