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Tiro na cabeça

‘Abriram o portão para o Max sair’, diz tutor de cão morto pela Guarda Municipal na Bratac

Bruno Souza e Adriana de Cunto - Redação Bonde
14 abr 2026 às 11:44

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Imagens cedidas - arquivo pessoal
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O tutor do cachorro Max - morto por um agente da GCM (Guarda Civil Municipal) na última sexta-feira (10), no bairro Nossa Senhora da Paz, popularmente conhecido como Favela da Bratac - disse, em entrevista ao Portal Bonde nesta segunda-feira (13), que o portão de sua residência foi aberto pelos guardas para que o animal saísse. Na rua, em meio a xingamentos, Max foi alvejado com um tiro na testa, morrendo poucas horas depois no Hospital Veterinário Municipal.


Segundo o relato do tutor, o gesseiro Vagner Augusto da Silva Roque, de 26 anos, a presença da GCM na região fazia parte de uma operação contra o tráfico de drogas com uso de cães farejadores. Ele afirma que estava do lado de fora da residência no momento em que os guardas passaram pela rua.

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“Eles estavam na favela com aquele monte de guarda, e eu do lado de fora de casa. Os cães passaram cheirando as casas para achar drogas. Isso foi na rua inteira. Eles pararam na frente de casa, e o Max começou a brigar com eles, mas eles só entraram na casa dos vizinhos da frente e do lado, não entraram em nenhuma outra casa”, conta. “Três guardas ainda ficaram na frente de casa. Nessa hora, eu ainda estava lá fora, caso eles quisessem entrar, mas eles foram embora para a rua de baixo. A rua de casa ficou vazia. Aí eu entrei. Cerca de meia hora depois, eu estava conversando com a minha mulher quando ouvi um barulho”, continua.


Desespero


Ao sair para verificar, o jovem diz que encontrou o cachorro já do lado de fora do portão, cercado por guardas municipais. Segundo ele, os agentes estariam ameaçando o animal com um objeto.


“Ouvi o Max latindo alvoroçado. Vi aquele monte de guarda e o meu cachorro lá fora. Vi eles [SIC] ameaçando o meu cachorro com um bastão. Saí e perguntei o que estava acontecendo. Um deles disse para eu ‘guardar a p*rra desse cachorro’. Aí eu questionei o que eles estavam fazendo na minha casa e o porquê de eles abrirem o portão para o meu cachorro sair”, relembra Vagner.


Ainda conforme a versão do gesseiro, o disparo ocorreu rapidamente, sem que o animal tivesse avançado contra os guardas. Após o disparo, o tutor relata que entrou em desespero e passou a questionar os agentes. Segundo ele, houve uma discussão entre a própria corporação sobre a atitude.


“Quando ele [o cachorro] me viu, deu dois pulos para frente em minha direção, nem chegou perto deles, e ele [o guarda] já deu o tiro. Na hora, eu comecei a chorar e xingar. O guarda queria me bater, e eu disse que, se ele me batesse, eu ia ‘sair no murro’ com ele também. Eles tentaram me acalmar, mas eu só conseguia chorar e xingar. Um deles começou a discutir com o [guarda] que deu o tiro, dizendo que não era para ter feito aquilo.”


O animal foi socorrido e levado pelos próprios agentes da GCM até o Hospital Veterinário Municipal. Vagner afirma que ele mesmo colocou o cachorro na viatura.


“Entraram na minha casa à toa, não acharam nada e agora vêm falar para mim que mataram o meu cachorro sem querer?”, questiona Vagner, revoltado.


'Justiça por Max'


Max chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu ao ferimento. O gesseiro e a esposa, a auxiliar administrativa Tayná Rafaela da Silva, de 23 anos, foram avisados às 6h da manhã de sábado (11) sobre o falecimento do animal, que era membro da família desde filhote, há cinco anos. O tutor diz que agora busca responsabilização pelo caso e cobra esclarecimentos das autoridades.


“O que eu espero é justiça. Meu cachorro foi morto de forma violenta, o que não era necessário. O fato de terem entrado na minha casa sem autorização também precisa ser esclarecido com total transparência. Até agora, as respostas são insuficientes. Estamos buscando todos os meios legais para que a verdade apareça e para que esse caso não fique impune. Isso não é só sobre o meu cachorro, é sobre justiça e respeito”, pontua Vagner.


Pedido de Informações


O vereador Deivid Wisley (Novo), que defende a causa animal, encaminhou um requerimento à Secretaria Municipal de Defesa Social pedindo explicações sobre a morte de Max, incluindo quais medidas serão tomadas para garantir a responsabilização dos envolvidos, caso sejam constatadas irregularidades. Na segunda-feira (13), ele aguardava para ir à casa dos tutores do cão para conversar com o casal.


Por recomendação do MPPR (Ministério Público do Paraná), os guardas municipais de Londrina devem usar câmeras corporais.


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Outro lado


Em nota, a Secretaria Municipal de Defesa Social informa que a ocorrência envolvendo Max "correu em um contexto de alta complexidade e risco, durante operação integrada voltada ao combate do tráfico de drogas".


Segundo o comunicado, a equipe da GM realizava patrulhamento e abordagens quando houve disparos de arma de fogo contra os agentes, sendo necessário o acionamento do apoio da Polícia Militar. Foram localizados e apreendidos armamento de alto poder ofensivo, incluindo pistola calibre 9mm, munições e um Kit Roni, acessório que potencializa a capacidade da arma, além de entorpecentes como crack e maconha.


"Na continuidade da operação, os agentes se depararam com um cão extremamente agressivo em um imóvel abandonado. Buscando garantir a segurança da população e da própria equipe, bem como averiguar eventual utilização do imóvel para atividades ilícitas, foi realizada tentativa de contenção do animal com equipamento apropriado, sem sucesso, diante da agressividade apresentada", diz a nota.


Ainda conforme a secretaria, "o animal rompeu o instrumento de contenção e avançou para a via pública". A GM diz que o tutor não atendeu ao pedido dos agentes de segurar o animal e que Max investiu contra um dos guardas municipais, que, "para preservar sua integridade física diante de agressão iminente, foi obrigado a efetuar um único disparo para cessar o ataque".


Todo o material apreendido na ocorrência foi encaminhado à Central de Flagrantes da Polícia Civil para as providências legais cabíveis. A secretaria informa ainda que os fatos relacionados à conduta do proprietário do animal serão devidamente apurados pelas autoridades competentes, inclusive quanto à eventual responsabilização penal pelo delito previsto no artigo 31, da lei de contravenções penais, que trata da omissão de cautela na guarda de animais.


Em entrevista à reportagem, o secretário de Governo, Leonardo Carneiro, que responde interinamente pela Secretaria Municipal de Defesa Social, ressaltou que atuação dos agentes ocorreu dentro dos parâmetros legais e técnicos e que a equipe envolvida na ocorrência é especializada, com atuação no canil da Guarda Municipal. "É uma equipe especializada em operações com animais. Muitos acabam adotando os animais quando se aposentam. Eles têm muito carinho por animais", afirmou.


Carneiro explicou que como houve disparo de arma de fogo por um agente, será aberto um processo administrativo disciplinar, conduta que é de praxe nesses casos. Ele frisa ainda que, devido a apreensão de drogas e armas, a própria Guarda abriu um boletim de ocorrência na Polícia Civil, que deve instaurar inquérito para apurar as circunstâncias da operação, incluindo o disparo que matou o cão Max, de apenas cinco anos de idade.

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