O bairro do Limoeiro, área rural de Londrina, enfrenta uma situação crítica de infraestrutura viária após as recentes chuvas de verão. Moradores relatam que as precipitações agravaram um cenário já marcado pela falta de manutenção, tornando as vias praticamente intransitáveis em alguns trechos.
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De acordo com Leandro Brazão, empresário e morador da região, a força da água comprometeu significativamente o asfalto. “As chuvas recentes terminaram de destruir quase todo o asfalto do bairro”, afirma. Um dos pontos mais afetados fica próximo restaurante "The Yellow Deli", em um trecho de descida, onde a enxurrada arrancou partes inteiras da pavimentação, formando uma cratera de grandes proporções.
Além disso, valetas profundas, pedras soltas e desníveis passaram a fazer parte do trajeto diário de quem circula pelo bairro. Segundo o Brazão, o cenário é ainda mais preocupante nas áreas de inclinação, onde o risco de acidentes aumenta consideravelmente.
Outra moradora da região, Rosana Rodrigues Bastos, residente do Recanto da Mata na Usina Três Bocas, relata que a situação das estradas preocupa quem transita diariamente pelo bairro. Segundo ela, a estrada Shalom apresenta valetas profundas nas proximidades do "Dito da Mandioca", o que já resultou em incidentes recentes. “Na virada do ano, um carro ficou parado ali. Acredito que o motorista não conhecia a estrada”, conta. Rodrigues também chama atenção para os riscos no trecho do Recanto da Mata, onde, de acordo com o relato, motoristas de ônibus têm ultrapassado o ponto de parada por falta de segurança. “Se o ônibus parar no ponto, ele tomba”, afirma, reforçando o perigo enfrentado por moradores e usuários do transporte coletivo.
Prejuízos constantes e riscos à segurança
Os danos provocados pelas chuvas vão além do desconforto. Brazão relata prejuízos diretos, como danos estruturais em um barracão e avarias frequentes em veículos. “Todo dia tem carro parado ali com pneu furado”, lamenta, destacando que a situação se tornou rotina.
Embora o tempo firme nos últimos dias tenha ajudado a secar parte das vias, a melhora é apenas superficial. Em propriedades vizinhas e trechos menos movimentados, o solo permanece instável e as condições de tráfego seguem precárias.
Comunidade busca mobilização
Diante da falta de intervenções efetivas, moradores do Limoeiro tentam se organizar para cobrar providências. Em grupos de WhatsApp, moradores se ajudam informando áreas de maior risco para evitar maiores danos. "Desde as chuvas de novembro que estragou o barracão da Parada do Limoeiro, o asfalto já tinha sofrido, agora com a chuva de verão, estragou quase tudo", completa o empresário.
Férias e aumento de trânsito
Segundo Deise Lima e Silva, liderança local e coordenadora do projeto Caminhos do Limoeiro — iniciativa que busca apoio de órgãos públicos para ampliar a visibilidade do turismo rural na região —, o aumento do fluxo de turistas e veranistas durante as férias de fim de ano tem agravado significativamente a situação das estradas.
De acordo com ela, a Estrada do Limoeiro apresenta problemas graves e demanda intervenções imediatas. “É necessária a manutenção das marginais da pista, serviços de roçagem, o recolhimento de árvores que caíram após o vendaval de novembro e, de forma emergencial, a implantação de sinalização horizontal e vertical na Rodovia Major Aquiles Pimpão. Nesta época do ano, o número de pessoas que transitam pela região praticamente dobra”, explica.
Deise também chama atenção para as vias secundárias, que dão acesso às comunidades e chácaras do entorno. Sem pavimentação, essas estradas sofrem desgaste intenso com as chuvas, formando grandes buracos e trechos de difícil acesso. “Veículos sem tração, muitas vezes, não conseguem passar”, relata.
A coordenadora destaca ainda que o Limoeiro possui grande extensão territorial, composta por diversas comunidades e centralidades locais interligadas majoritariamente por estradas rurais. A ausência de pavimentação, necessária para evitar a impermeabilização do solo, torna essas vias especialmente vulneráveis durante períodos de chuvas intensas.
Segundo ela, o cenário se torna ainda mais crítico nesta época do ano, quando o aumento expressivo do fluxo de pessoas, impulsionado pelo turismo e pelas férias, sobrecarrega a infraestrutura existente. “A associação entre chuvas intensas e grande circulação de veículos dificulta muito o trânsito”, afirma, defendendo manutenção urgente das estradas primárias e secundárias e um olhar mais atento do poder público para garantir acessibilidade, segurança e estrutura adequadas a uma região já consolidada como polo de turismo e lazer.
Valetas são causadas por água sem controle em propriedades rurais, diz secretário
O secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, explica que grande parte das valetas e processos de erosão registrados nas estradas rurais está relacionada à falta de controle da água dentro das propriedades. Segundo ele, quando não há práticas adequadas de conservação do solo e drenagem, a água das chuvas escorre livremente, ganha força e acaba invadindo as vias públicas, provocando erosões severas e até danificando estradas que já haviam sido recuperadas.
De acordo com o secretário, a proposta do município é intensificar a fiscalização e notificar os proprietários rurais para que adotem medidas de contenção e controle da água pluvial. “Se não houver controle dentro das propriedades, a água sempre vai buscar o caminho das estradas”, afirmou. Ele reconhece que, em muitos trechos, as estradas rurais não estão em condições adequadas de tráfego, especialmente após períodos de chuvas intensas, o que reforça a necessidade de ações conjuntas entre poder público e proprietários.
Pereira destacou ainda que a prefeitura tem atuado em pontos críticos de diversas regiões rurais, como Lerro Ville, Guaravera, São Luiz e na região dos Piriquitos, que vem recebendo atenção desde o segundo semestre de 2025. As equipes também trabalham no licenciamento de cascalheiras, essencial para garantir material para recuperação das vias, além de ações da Patrulha Rural, cascalhamento de estradas, recolhimento de árvores caídas e atendimento emergencial durante o período chuvoso.
Segundo o secretário, ele percorreu recentemente grande parte da zona rural de Londrina para avaliar a situação das estradas, passando por distritos como São Luiz, Irerê, Paiquerê e Maravilha. Sobre o bairro Limoeiro, ele esclareceu que a manutenção da Estrada do Limoeiro é de responsabilidade da Secretaria de Obras, mas afirmou que a gestão segue monitorando os impactos das chuvas e avaliando quais trechos são municipalizados, além de reforçar a importância da conscientização dos proprietários rurais para evitar novos danos à infraestrutura viária.
A situação da Estrada do Limoeiro, no entanto, é de responsabilidade da Secretaria de Obras e até o fechamento desta reportagem não houve retorno.