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Reforma da Previdência

'Criaram um privilégio', dizem especialistas sobre exclusão de servidores

Alexa Salomão - Agência Estado
23 mar 2017 às 08:13

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Economistas especializados em gestão pública e temas previdenciários receberam com "preocupação" a decisão do governo de excluir Estados e municípios da Reforma da Previdência. No balanço geral, a União cedeu, mais uma vez, à pressão dos servidores públicos. Ao mesmo tempo, avaliam que faltou bom senso em relação à situação financeira dos estados, fragilizada pelos gastos previdenciários. Criticou-se ainda o fato de o governo não levar em consideração que a mudança de rota vai ser mal recebida pelos trabalhadores da iniciativa privada.

O argumento apresentado pelo presidente Michel Temer ao anunciar a decisão não foi bem recebido pela maioria dos especialistas. Temer disse que a União excluiu servidores municipais e estaduais da reforma para "obedecer a autonomia" dos demais entes da federação.

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A leitura geral, porém, é que o governo recuou para apaziguar parlamentares, que ameaçavam prejudicar a reforma após serem pressionados por servidores em suas bases, especialmente juízes e integrantes dos ministérios públicos. Não houve, porém, sensibilidade em relação ao efeito colateral sobre o restante da população.


"A decisão pode criar um conforto para os deputados votarem, mas tende a aumentar a revolta da sociedade contra a reforma: como é que você vai explicar para a Maria das couves, na área rural, que ela vai se aposentar aos 65 anos e a juíza da cidadezinha dela, aos 55?", diz Leonardo Rolim, consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados e ex-secretário de Políticas de Previdência Social. Rolim ainda chama a atenção para o legado da medida: "O governo Temer, que se propôs a reduzir privilégios, vai criar um novo privilégio."


Na avaliação do economista Marcos Lisboa, presidente do Insper e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, o governo fortaleceu grupos de pressão. "Vi a mudança com preocupação: no meio dessa crise, quando a sociedade é chamada para arcar com sacrifícios, a elite dos servidores, que não pode ser demitida, que já teve aumento salarial, agora vai ficar fora da reforma da Previdência", diz Lisboa.


Os especialistas lembram que a crise financeira dos municípios e, especialmente, dos estados vem da folha da pagamento, mas prefeitos e governadores têm dificuldade em impor reformas. Basta ver o caos causado no Espírito Santo com a paralisação da PM.


A visão é que a decisão pode mais atrapalhar do que ajudar os Estados. "Estão dando rasteiras nos Estados: primeiro, tiraram os militares, e é um grande problema para os Estados mexer na polícia militar. Agora, tiraram os civis", diz Raul Velloso, especialista em contas públicas.

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Segundo ele, basta olhar as projeções de déficits, que vai subir perto de R$ 40 bilhões até 2020, para saber o tamanho do problema. A falta de dinheiro para pagar salários e aposentadorias, realidade no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, pode se espalhar pelo País.


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