O IBGE divulgou hoje (06/set) os resultados do IPCA referente ao mês de agosto, que apontou para alta de 0,17%, valor inferior ao apurado em julho: 0,25%. No resultado acumulado do ano, o indicador está em 3,59% contra 5,14% observado no mesmo período em 2004. Já no resultado acumulado nos últimos 12 meses, índice está em 6,02%. O resultado ficou acima das nossas estimativas, que estava entre 0% e 0,1%.
Segundo o IBGE, o recuo do indicador em agosto em relação a julho deveu-se pela menor incidência do reajuste da tarifa de telefonia fixa (julho = 4,21% e agosto = 1,15%), pela elevação dos preços dos combustíveis em menor escala que em julho e pela deflação registrada no grupo Alimentos e Bebidas (-0,73%).
Após a surpresa apontada pela alta do IPCA-15 de agosto (0,28%), o atual resultado do IPCA revela que os trabalhos no IBGE estão retornando à normalidade após o período de greve na instituição e que afetou a coleta dos indicadores. Mesmo assim, a influência da greve é nítida ao se observar o descolamento entre o IPCA e os demais índices que medem a variação de preços aos consumidores (IPC FIPE -0,20%, IPC-M -0,32% e IPC-DI -0,44%, além do IPC-S -0,44%), como é destacado no gráfico abaixo no mês de agosto.
• EXPECTATIVAS PARA O IPCA DE SETEMBRO E 2005
Esperamos que o IPCA de setembro fique próximo ao valor observado em agosto e fique em 0,2%. Os fatores que devem amparar nossa estimativa são os mesmos apresentados ontem no Global Briefing que avaliou o resultado do IPC FIPE, a saber: (i) a ausência de reajustes de preços administrados e (ii) expectativa de arrefecimento tanto das pressões negativas quanto das pressões altistas.
Para o resultado acumulado em 2005, nossa projeção para o IPCA foi revisada de 5,4% para 5,2%. Vale destacar que consideramos um reajuste da ordem de 5% nos combustíveis ao consumidor até 1º de dezembro. Se a projeção do IPCA se concretizar, será a segunda vez na história do sistema de metas de inflação que o BC/Copom consegue cumprir seu objetivo/meta praticamente dentro do centro.
Vale destacar ainda que se depender dos preços administrados, a meta de inflação para 2006 (4,5%) está praticamente garantida! Isso porque acumulando os valores efetivos e projetados do IGP-M e do IGP-DI para os próximos 12 meses à frente a partir de junho (IGP-DI) e julho (IGP-M) deste ano chegamos a 1,8% e 2,7%, respectivamente. Se confirmadas, essas taxas serão as menores para os reajustes desses serviços públicos desde a privatização de ambos. Porém, vale lembrar que a fórmula de reajuste contempla outras variáveis além dos índices de preços.