Pesquisa realizada por técnicos do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) visa mapear a presença e os impactos do javali no Brasil, com foco na agropecuária.
O levantamento busca dados qualitativos e quantitativos, como a percepção da distribuição geográfica da espécie; tipos de prejuízos (econômicos, ambientais e sociais); perdas financeiras estimadas; áreas e explorações agropecuárias afetadas; métodos de controle utilizados e sua eficácia; grau de interação entre javalis e suínos domésticos; e riscos sanitários.
“Com isso, será possível compreender melhor os prejuízos relatados pelos produtores, avaliar a intensidade das ações de manejo populacional, identificar danos ambientais e riscos sanitários e, consequentemente, subsidiar a formulação de estratégias e políticas públicas voltadas à defesa agropecuária”, explica Juliane Webster de Carvalho Galvani, auditora fiscal federal agropecuária do Mapa.
Uma das questões a serem respondidas pela pesquisa será o volume de ataques e invasões de javalis em propriedades rurais.
“Atualmente, os registros disponíveis são dispersos entre diferentes órgãos e pouco sistematizados, o que dificulta uma avaliação consistente da situação. Com a aplicação dos questionários, esperamos reunir informações mais confiáveis e abrangentes, capazes de dimensionar o problema tanto em nível nacional quanto estadual. Para alcançar esse objetivo, é fundamental que os produtores compreendam a importância de participar e responder ao questionário.”
A coleta de dados teve início em novembro deste ano, e a expectativa é que a pesquisa seja concluída até o final do primeiro semestre de 2026. O Mapa não informou quantos questionários serão respondidos.
“Vale lembrar que, em 2018, o Mapa realizou uma avaliação semelhante, divulgada em 2019, mas restrita ao perfil do Serviço Veterinário Oficial. A inovação agora é ampliar os perfis, trazendo dados diretamente de produtores rurais e agentes de manejo, o que garante uma visão mais completa e próxima da realidade”, explica a técnica.
A pesquisa
A pesquisa engloba questionários destinados a diferentes perfis. O primeiro questionário, voltado ao SVO (Serviço Veterinário Oficial), iniciou a coleta em 17 de novembro deste ano.
Os questionários destinados a agentes de manejo populacional e produtores rurais estão previstos para o primeiro trimestre de 2025. Já o questionário voltado às Unidades de Conservação depende da definição do órgão responsável.
Após a coleta, será feita a validação, a organização do banco de dados e as análises.
Cada grupo responderá questões específicas relacionadas à sua realidade, sendo a participação de caráter voluntário. A distribuição dos questionários está sendo feita pelo Serviço Veterinário Oficial, em conjunto com instituições parceiras ligadas à agropecuária.
Segundo Galvani, é fundamental reforçar que o javali, além de provocar prejuízos socioeconômicos, representa um risco sanitário, já que pode atuar como reservatório de doenças de notificação obrigatória, e um risco ambiental, pela pressão sobre ecossistemas nativos.
“Por isso, o enfrentamento precisa ser coletivo e interinstitucional, envolvendo defesa agropecuária, órgãos ambientais e sociedade civil. A participação de todos os perfis nos questionários é essencial para termos informações completas e elaborar estratégias eficazes”, conclui.