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Antigos golpes financeiros ganham cara nova com o PIX

Isabela Bolzoni/Folhapress
01 fev 2021 às 08:41

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Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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A chegada do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, deu um "upgrade" em um golpe já antigo na praça.
O roteiro é o mesmo: os criminosos invadem a conta de um número de WhatsApp e se fazem passar pelo proprietário, enganando seus contatos e pedindo dinheiro para pagar uma dívida. "Minha conta excedeu o limite diário de transferência. Amanhã cedo eu te devolvo", é o discurso de praxe.


O golpe, que é uma extensão dos crimes já feitos com transferências por TED e DOC, agora conta com a instantaneidade e fluidez do Pix.

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WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.
Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.


O crime começa já na invasão da conta do WhatsApp, principal aplicativo de troca de mensagens no país.
A reportagem conversou com duas pessoas que preferiram não serem identificadas e sofreram o golpe. Elas contam que chegaram a transferir de R$ 1.950 a R$ 3.000 via Pix para os criminosos, acreditando que se tratavam de favores para amigos.


Uma das fontes disse que tem conta no Santander e afirmou que chegou a entrar em contato com o banco para fornecer as informações que tinha sobre quem recebeu a transferência. O objetivo era tentar reaver os recursos perdidos, mas não obteve sucesso.


Em nota, o Santander afirmou que faz orientações de segurança a seus clientes.
"O Santander orienta continuamente quanto à segurança ao realizar operações financeiras via qualquer meio, reforçando os cuidados para validar os dados das transações antes de efetivá-las", disse o banco.


Para o diretor-executivo de inovação, produtos e serviços bancários da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Leandro Vilain, é necessário diferenciar os tipos de falhas de segurança que têm acontecido.


"O sistema é super seguro, usa um ambiente autenticado, criptografia e todas as medidas de segurança cabíveis. Isso é uma coisa. Outra coisa é o aumento de tentativas de fraudes via engenharia social, que realmente ganhou força na pandemia", afirmou o executivo.


Engenharia social é uma manipulação psicológica feita por criminosos, que enganam as pessoas com o objetivo de acessar seus dados pessoais, conta bancária ou conseguir transferências.


Em reação, os bancos intensificaram a comunicação com seus clientes e atualizaram os seus sistemas para tentar mitigar esse tipo de golpe, com áreas de prevenção à fraude e averiguação de casos.


De acordo com o gerente geral de cyber e prevenção de fraudes do Banco do Brasil, Rafael Giovanella, também houve um crescimento das tentativas de abertura de contas digitais com documentação falsa para a criação de chave Pix.
"O Banco Central e as instituições participantes garantem camadas de segurança cibernética robustas nos sistemas e infraestrutura de tecnologia de informação, e não é diferente com o Pix. Em casos de fraudes, a hipótese mais provável é que o cliente tenha sido ludibriado", afirmou Giovanella.


"Nesses casos, resta às instituições financeiras, quando acionadas em tempo hábil, tentar bloquear os recursos nas contas credoras, o que nem sempre evita o prejuízo do cliente", disse.


Os executivos do setor bancário afirmam, ainda, que a responsabilidade da instituição financeira converge para dois pontos importantes: o primeiro de monitorar as transações feitas pelos clientes e o segundo, de conscientização.


"Novos golpes são criados todos os dias, independente do Pix ou de outra forma de transferência de recursos. O que ocorre é que, com a bancarização e intensificação da utilização de soluções digitais aumenta, também, a quantidade de usuários mais suscetíveis aos golpes", afirmou Giovanella.


Para os consumidores que escolhem entrar com uma ação judicial para tentar reaver os recursos, o sócio do Kincaid Mendes Vianna Advogados, Rodrigo Cotta, afirma que os tribunais seguem o Código de Defesa do Consumidor, mas que os juízes também levam em conta os cuidados que o usuário teve ao fazer a transferência.


Ações como cautela na conferência dos dados, contato imediato com as instituições relacionadas com o caso são alguns dos pontos levados em consideração.


"Além das instituições financeiras, as operadoras de telefonia e as empresas de prestação de serviço de troca de mensagens também são partes envolvidas em casos como esse. Mas se o consumidor não teve o cuidado necessário, pode ser considerada uma culpa exclusiva do prejudicado, o que afastaria a responsabilidade dos demais", disse o advogado.


Em nota, o WhatsApp afirmou que não permite o uso do seus serviço para fins ilícitos ou não autorizados, incluindo a violação de direitos de terceiros ou passar-se por outra pessoa.

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"A empresa oferece mecanismos para que seus usuários se protejam de golpes na plataforma e recomenda a ativação da confirmação em duas etapas, que funciona como uma camada extra de segurança para as contas. Esse recurso possibilita o cadastro de um e-mail e de um PIN de seis dígitos, solicitado periodicamente para o usuário e necessário para confirmar o número no WhatsApp. Este PIN, assim como o código de verificação enviado por SMS, não deve ser compartilhado com outras pessoas, nem mesmo amigos próximos ou familiares", disse a companhia.


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